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    Justiça suspende processos sobre Airbnb de condomínios em todo o país; veja o que está em jogo

    O STJ (Superior Tribunal de Justiça) suspendeu, em todo o país, os processos que discutem se condomínios residenciais podem impedir a locação de imóveis por curta temporada em plataformas como Airbnb mesmo quando a convenção não traz uma proibição expressa. Leia mais (09/17/2026 - 16h18)

    Folha de S.Paulo
    17 de setembro de 2026 às 19:18
    Justiça suspende processos sobre Airbnb de condomínios em todo o país; veja o que está em jogo
    Área interna com balcão revestido por azulejos marrons e placa com letras formando 'AIRBNB'. Ao fundo, duas imagens emolduradas: à esquerda, prédio alto visto de baixo para cima; à direita, edifício moderno com arte de mão saindo de uma abe — Foto: Folha de S.Paulo

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    O STJ (Superior Tribunal de Justiça) suspendeu, em todo o país, os processos que discutem se condomínios residenciais podem impedir a locação de imóveis por curta temporada em plataformas como Airbnb mesmo quando a convenção não traz uma proibição expressa.

    Ponto de apoio para Airbnb no Edifício Copan - Zanone Fraissat - 22.mai.26/Folhapress · Zanone Fraissat - 22.mai.26/Folhapress
    Ponto de apoio para Airbnb no Edifício Copan - Zanone Fraissat - 22.mai.26/Folhapress · Zanone Fraissat - 22.mai.26/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A decisão foi tomada pela Segunda Seção do tribunal ao transformar a discussão em um tema de recursos repetitivos. O objetivo é estabelecer uma única interpretação para casos semelhantes que tramitam na Justiça.

    A suspensão vale para processos individuais ou coletivos que discutam especificamente se a previsão de uso exclusivamente residencial das unidades é suficiente para barrar o aluguel por períodos curtos ou se é necessária uma proibição expressa na convenção do condomínio.

    O tema foi registrado como 1.443 e será analisado a partir dos Recursos Especiais 2.272.537 e 2.272.536, relatados pelo ministro Raul Araújo. A afetação foi aprovada por unanimidade em 26 de maio.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A decisão não cria, neste momento, uma nova regra sobre a possibilidade de fazer locações de curta temporada. Ela interrompe o andamento dos processos que discutem a questão delimitada pelo STJ até que o tribunal estabeleça uma tese sob o rito dos repetitivos.

    Isso significa que ações que estejam na Justiça e tratem da mesma controvérsia deverão ficar suspensas. O STJ determinou a comunicação da decisão aos Tribunais de Justiça e aos Tribunais Regionais Federais.

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    O julgamento do tema deverá definir se uma cláusula que estabelece a destinação exclusivamente residencial do condomínio já é suficiente para impedir a locação por curta temporada em plataformas digitais ou se o condomínio precisa ter uma regra expressa proibindo essa modalidade.

    O próprio STJ já adotou uma interpretação sobre o assunto em maio deste ano . Ao julgar outro recurso, a Segunda Seção entendeu que não era necessária uma proibição expressa, e que bastaria a convenção estabelecer o uso exclusivamente residencial das unidades.

    Na ocasião, o tribunal também afirmou que a autorização para locações por curta ou curtíssima temporada deveria ser aprovada em assembleia por dois terços dos condôminos .

    O STJ voltou a discutir o assunto porque, segundo o ministro Raul Araújo, a Comissão Gestora de Precedentes, Jurisprudência e Ações Coletivas do STJ identificou cerca de 50 decisões monocráticas e acórdãos sobre a questão dentro do próprio tribunal.

    O recurso escolhido para o julgamento repetitivo envolve um condomínio de Santa Catarina. Segundo o processo, o proprietário oferecia acomodações por meio do Airbnb e havia fracionado o imóvel para locações de curta duração. A convenção do condomínio estabelecia que as unidades tinham fins estritamente residenciais.

    No recurso ao STJ, o proprietário sustenta, entre outros argumentos, que a convenção não proibia expressamente a locação por temporada e que o uso de uma plataforma digital não transforma a relação em hospedagem. O julgamento repetitivo deverá justamente enfrentar essa divergência.

    O ministro Raul Araújo afirmou que a definição de uma tese sob o rito dos repetitivos deverá trazer maior segurança e coerência para processos semelhantes.

    O julgamento também terá efeito sobre casos futuros que tratem da mesma questão jurídica, porque os recursos repetitivos são utilizados pelo STJ para uniformizar a interpretação da legislação federal.

    A discussão sobre o aluguel de curta temporada envolve o impacto desse tipo de hospedagem sobre o mercado imobiliário . A preocupação de moradores e especialistas é que a transformação de imóveis residenciais em unidades destinadas a turistas reduza a oferta de moradias para quem busca viver nessas regiões e contribua para a alta dos preços de aluguel.

    O debate aparece, por exemplo, no Copan, no centro de São Paulo . No início do ano, mais de 200 dos 1.160 apartamentos do edifício são destinados hoje ao aluguel de curta temporada , segundo a administração do condomínio. Moradores relataram a redução da oferta para locação tradicional em meio à valorização das unidades. Uma quitinete simples em andar mais baixo custava ao menos R$ 2.000 mensais, com condomínio, em maio.

    A União Europeia também passou a adotar medidas para monitorar e regulamentar os aluguéis de curta duração , em meio à discussão sobre seus efeitos sobre o mercado imobiliário.

    No Brasil, municípios têm discutido a tributação da atividade . Salvador, Petrópolis, Olímpia e Ponta Grossa aprovaram leis relacionadas à cobrança de ISS (Imposto Sobre Serviços) sobre os aluguéis por temporada, e há propostas em tramitação em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Florianópolis.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/09/justica-suspende-processos-sobre-airbnb-de-condominios-em-todo-o-pais-veja-o-que-esta-em-jogo.shtml.

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    Ponto de apoio para Airbnb no Edifício Copan - Zanone Fraissat - 22.mai.26/Folhapress · Zanone Fraissat - 22.mai.26/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

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