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    Justiça proíbe prefeitura de SP de contratar agência em nome de laranja

    Prefeitura de SP diz que novos contratos com as empresas ASA e MM Quarter estão suspensos desde março deste ano

    Metrópoles
    8 de setembro de 2026 às 16:49
    Justiça proíbe prefeitura de SP de contratar agência em nome de laranja
    Foto: Metrópoles

    A Justiça proibiu a Prefeitura de São Paulo de celebrar novos contratos com a Associação de Bem-Estar, Esporte e Cultura (ASA) e a agência MM Quarter Produções e Eventos Ltda, investigadas em um suposto esquema de fraudes envolvendo a empresa de economia mista São Paulo Turismo ( SPTuris ) . O escândalo foi revelado pelo Metrópoles .

    A decisão de 1º de setembro reforça a determinação tomada anteriormente pela Controladoria-Geral do Município ( CGM ), e estende a proibição da esfera administrativa para a esfera judicial .

    O mandato da vereadora Luana Alves (PSol) acionou a 15ª Vara da Fazenda Pública pedindo a suspensão imediata de todos os contratos e atos administrativos entre a Prefeitura de São Paulo e as duas empresas.

    Arte Metrópoles
    Arte Metrópoles — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    O juiz Kenichi Koyama negou a paralisação dos contratos vigentes por considerar que a medida não teria efeito prático ou prejudicaria serviços já quitados, e proibiu somente novos acordos . O juízo também manteve os autos de investigação da CGM sob sigilo.

    “Tendo em vista o reconhecimento administrativo da Controladoria Geral do Município da existência de indícios de fraude e irregularidades nas contratações com as referidas empresas, que implicariam em complexo arranjo de desvio de recursos públicos, reconheço a probabilidade do direito no que diz respeito à manutenção, já decretada pela Controladoria, da proibição cautelar de órgãos e entidades da Administração Municipal Direta e Indireta de contratarem, inclusive por meio de acionamento de Atas de Registro de Preço, a empresa MM Quarter Produções e Eventos Ltda e a Associação de Bem-Estar, Esporte e Cultura (ASA)”, apontou o magistrado.

    Em nota ao Metrópoles , a Prefeitura de São Paulo afirmou que, a pedido da CGM, estão suspensas desde março deste ano novas contratações com as empresas mencionadas pela reportagem. A medida foi tomada antes mesmo da ação citada, diz a gestão municipal.

    Pessoas vestidas com a camisa da Quarter e da prefeitura de São Paulo têm cabeça de laranja. Elo com SPTuris
    Pessoas vestidas com a camisa da Quarter e da prefeitura de São Paulo têm cabeça de laranja. Elo com SPTuris — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    “A decisão judicial, portanto, mantém uma iniciativa já adotada e vigente no município. No caso da MM Quarter, o contrato alvo da ação encerrou-se em 31 de agosto de 2026. Além disso, segue em andamento uma apuração aberta pela CGM para verificar possíveis irregularidades nas contratações da empresa. Cabe informar que a prefeitura foi intimada apenas para prestar esclarecimentos sobre o caso e ainda não foi citada na ação”, completa o texto.

    A coluna Demétrio Vecchioli revelou, em fevereiro deste ano, que a Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria de Turismo e da SPTuris, tem R$ 183 milhões em contratos com uma agência em nome de laranja .

    Nathália Carolina de Souza Silva, única dona da MM Quarter, morava em um cortiço na zona norte da cidade à época da reportagem, mas retirou R$ 16 milhões em lucro da organização no ano passado. Os verdadeiros controladores da agência foram identificados como sendo os irmãos Marcelo Camargo Moraes e Victor Correia Moraes.

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    Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    A mulher já havia sido sócia minoritária do então secretário-adjunto de Turismo da prefeitura, Rodolfo Marinho, em uma empresa de comunicação . A CGM descobriu que Nathália assinou procurações em cartório dando amplos poderes para Rodolfo Marinho e Victor Moraes gerirem o dinheiro e as contas da MM Quarter, o que configurava um conflito de interesses direto, já que o secretário geria de forma oculta uma prestadora de serviços da própria pasta.

    Já a ASA era presidida por Marcelo Camargo Moraes enquanto ele operava a MM Quarter. A associação recebeu R$ 212 milhões da prefeitura desde 2022, e foi responsável pela realização de serviços como o “São Paulo City Tour”.

    A SPTuris, por sua vez, servia como ponte para a contratação da MM Quarter e da ASA sem concurso ou licitação, mas por meio de Atas de Registro de Preço. O processo criava uma cadeia com cinco intermediários (quinterização), com a empresa de economia mista pagando valores inflacionados e ficando com uma fatia de administração. Com isso, a cada R$ 4 investidos pela Prefeitura de São Paulo em serviços envolvendo a SPTuris, R$ 3 eram perdidos no caminho . Na Secretaria Municipal de Cultura, que tem boa parte de equipe de trabalho terceirizada, a conta é que, para contratar um produtor que tem salário padrão de R$ 7 mil, é necessário repassar à empresa mais de quatro vezes esse valor, cerca de R$ 31 mil.

    Após o Metrópoles revelar o caso, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) demitiu o secretário-adjunto de Turismo, Rodolfo Marinho, e o presidente da SPTuris, Gustavo Pires .

    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/sao-paulo/justica-proibe-prefeitura-novos-contratos-agencia.

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