Justiça pode definir futuro de território quilombola em MG após 17 anos de disputa
O TRF-6 (Tribunal Regional Federal da 6ª região) julga nesta quinta-feira (13) uma ação que pode definir o futuro do território da comunidade quilombola Machadinho , em Paracatu (MG), após 17 anos de disputa. Leia mais (08/12/2026 - 18h00)

Editado por Fábio Zanini, espaço traz notícias e bastidores da política. Com Carlos Petrocilo e Gabriela Echenique
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O TRF-6 (Tribunal Regional Federal da 6ª região) julga nesta quinta-feira (13) uma ação que pode definir o futuro do território da comunidade quilombola Machadinho , em Paracatu (MG), após 17 anos de disputa.
O processo deve estabelecer um precedente em processos de reconhecimento e titulação desses territórios.

A ação questiona a sentença dada em primeira instância que rejeitou os pedidos de reconhecimento do território. Na decisão, o juiz cobrou uma comprovação de histórico de resistência armada ou de fuga de pessoas escravizadas.
A associação que representa os moradores da região afirma, no entanto, que essa decisão contraria um entendimento do STF (Supremo Tribunal Federal). A Corte reconheceu a legitimidade do critério de autoatribuição.
O julgamento reconheceu a propriedade definitiva aos remanescentes das comunidades dos quilombos que estejam ocupando as terras e que cabe ao Estado emitir os respectivos títulos.

O caso de Machadinho está parado na Justiça e também na esfera administrativa. Isso porque o processo que deu início ao reconhecimento da terra no Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) começou em 2005, mas não foi concluído.
Na Justiça, a ação foi ajuizada em 2009 e a primeira sentença saiu em 2014. Desde então, o recurso aguarda julgamento pelo TRF-6.
O que está em discussão é a exigência ou não de critérios históricos mais restritivos para reconhecer a condição quilombola. A tese defendida pela associação é que a sentença de 2014 usou uma concepção incompatível com o marco jurídico atual e com a decisão do STF.

"A comunidade não pede privilégio. Pede que a Constituição seja cumprida e que o reconhecimento técnico da Fundação Cultural Palmares e do Incra não seja substituído por uma interpretação já rejeitada pelo Supremo", disse o advogado Guilherme Pereira Dolabella Bicalho, que atua em defesa da associação no caso.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/painel/2026/08/justica-pode-definir-futuro-de-territorio-quilombola-em-mg-apos-17-anos-de-disputa.shtml.

A ministra do STF Rosa Weber em visita ao Quilombo Quingoma, em Lauro de Freitas (BA), para participar de uma roda de Conversa e oitiva com várias lideranças quilombolas da região. Entre os temas abordados estão: direito ao Território; dire — Foto: Folha de S.Paulo
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