Brasil

    Justiça nega pedido de empresas de saneamento para suspender flúor na água, que previne cáries

    A Justiça do Distrito Federal negou um pedido de liminar da Abcon (Associação Brasileira das Empresas de Saneamento ) para suspender temporariamente a adição de fluoreto à água distribuída no país pelos sistemas de abastecimento , medida que previne cáries. Leia mais (08/27/2026 - 18h15)

    Folha de S.Paulo
    27 de agosto de 2026 às 21:15
    Justiça nega pedido de empresas de saneamento para suspender flúor na água, que previne cáries
    0 — Foto: Folha de S.Paulo

    Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

    Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

    A Justiça do Distrito Federal negou um pedido de liminar da Abcon (Associação Brasileira das Empresas de Saneamento ) para suspender temporariamente a adição de fluoreto à água distribuída no país pelos sistemas de abastecimento , medida que previne cáries.

    Estação de tratamento de esgoto da Sabesp em Botucatu (SP) - Rubens Cavallari - 29.ago.24/Folhapress · Rubens Cavallari - 29.ago.24/Folhapress
    Estação de tratamento de esgoto da Sabesp em Botucatu (SP) - Rubens Cavallari - 29.ago.24/Folhapress · Rubens Cavallari - 29.ago.24/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A decisão, obtida pela Folha , foi da 14ª Vara Federal Cível da SJDF (Seção Judiciária do Distrito Federal). A Justiça pediu que a União, que é ré no processo, seja citada para especificar as provas que pretende produzir.

    "Medida dessa natureza recomenda prévia manifestação da União e exame mais aprofundado dos elementos técnicos pertinentes, inclusive quanto às consequências concretas da interrupção da fluoretação para a política pública de saúde bucal", diz a decisão.

    Procurada pela reportagem, a Abcon disse que pretende recorrer.

    Imagem da matéria
    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A diretora-presidente da entidade, Christianne Dias, diz em nota que não há ácido fluossilícico disponível no mercado nacional.

    "Desde junho, levamos o problema cinco vezes ao Ministério da Saúde e seguimos sem uma decisão. Enquanto isso, cada vigilância sanitária decide por conta própria, e as empresas ficam expostas a autuações por uma situação que não está ao alcance delas", escreveu.

    "Se houver fornecedor com produto disponível e com os laudos exigidos pelo próprio Ministério da Saúde, as empresas vão comprar. Porém, até então, não há resposta da pasta a respeito da nossa demanda".

     Programar investimentos é estratégia psicológica e traz mais disciplina financeira
    Programar investimentos é estratégia psicológica e traz mais disciplina financeira — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Procurado pela Folha , o Ministério da Saúde não respondeu até a publicação do texto.

    Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes.

    O acesso à água fluoretada é uma determinação da lei federal 6.050, de 1974. A adição de flúor à água distribuída às residências brasileiras diminui a prevalência de cáries na população, segundo o Ministério da Saúde. No entanto, sem a fluoretação, a água continua própria para consumo.

    O pedido de interrupção da adição de fluoreto à água pela entidade vem na esteira da escassez de ácido fluossilícico, um subproduto da produção de fertilizantes à base de fosfato que é utilizado na fluoretação.

    A Abcon solicitou à Justiça a suspensão da obrigatoriedade de fluoretação pelo prazo de 90 dias e a vedação de multas às concessionárias.

    A companhia americana Mosaic, que fornecia o ácido fluossilícico às concessionárias, sofreu um baque após a escalada do preço do enxofre , que serve como matéria-prima nessa produção, em meio aos conflitos no Oriente Médio e ao fechamento do estreito de Hormuz.

    De acordo com a Abcon, os fornecedores comunicaram formalmente a escassez às prestadoras no dia 12 de junho deste ano. A entidade diz ter começado, então, as tentativas de tratativas junto ao Poder Executivo para encontrar uma solução.

    A associação afirma que as empresas registram atraso de cerca de três meses na entrega de ácido fluossilícico e aumento de preço superior a 300% no mercado spot (contrato à vista).

    A entidade tem como associadas companhias como Aegea, Sabesp, Grupo Equatorial, Iguá, Copasa e Grupo Águas do Brasil.

    Além da Abcon, a Aesbe (Associação Brasileira das Empresas Estaduais de Saneamento) também protocolou uma ação pedindo a suspensão temporária da obrigatoriedade da adição de fluoreto à água.

    Diante da escassez de ácido fluossilícico, a Rede Vigifluor (Rede Brasileira de Vigilância da Fluoretação da Água de Abastecimento Público) lançou nesta quarta-feira (26) uma carta aberta pedindo que o Ministério Público estabeleça "as ações necessárias junto às autoridades para que sejam definidos planos e estratégias para superar as dificuldades decorrentes dos conflitos geopolíticos cujas consequências atingem a proteção sanitária da população brasileira".

    A rede reúne pesquisadores e profissionais que atuam na área de vigilância sanitária, focando a fluoretação da água. O documento é assinado por 25 pesquisadores, de universidades como Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), USP (Universidade de São Paulo), UnB (Universidade de Brasília) e UFBA (Universidade Federal da Bahia).

    "A proteção conferida pelos níveis adequados de fluoreto na água beneficia atualmente aproximadamente 70% da população brasileira. Os tratamentos evitados com a prevenção representam uma enorme economia pública e no orçamento das famílias", diz a Rede Vigifluor na carta.

    Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!

    Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?

    Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.

    De 2ª a 6ª pela manhã, receba o boletim gratuito com notícias e análises de economia

    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/08/justica-nega-pedido-de-empresas-de-saneamento-para-suspender-fluor-na-agua-que-previne-caries.shtml.

    Imagem 1
    1 / 3

    Estação de tratamento de esgoto da Sabesp em Botucatu (SP) - Rubens Cavallari - 29.ago.24/Folhapress · Rubens Cavallari - 29.ago.24/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)