Justiça nega liberdade a PM acusado de matar estudante de medicina
Justiça manteve preso o PM acusado pela morte de Marco Aurélio, estudante de medicina baleado durante uma abordagem policial em 2024

A Justiça de São Paulo decidiu manter preso o policial militar Bruno Carvalho do Prado, réu pela morte do estudante de medicina Marco Aurélio Cardenas Acosta, de 22 ano s. O estudante morreu em 20 de novembro de 2024, após ser baleado durante uma abordagem policial dentro de um hotel na Vila Mariana, zona sul da capital paulista. A decisão foi tomada pela 4ª Vara do Júri de São Paulo na última quinta-feira (27/8).
A defesa de Bruno havia pedido a revogação da prisão preventiva, ou seja, que ele pudesse voltar a responder ao processo em liberdade. A juíza Luiza Torggler Silva, porém, negou o pedido e manteve o PM preso .
Na decisão, a magistrada determinou que Bruno permaneça na prisão pelo menos até que seja analisado definitivamente um habeas corpus apresentado pela defesa. A situação da prisão ainda poderá ser reavaliada posteriormente.

PM mata estudante de medicina durante abordagem em SP
Para isso, a Justiça também pediu informações atualizadas sobre outro inquérito que envolve o policial. O objetivo é verificar se ainda existem motivos que justifiquem a prisão preventiva. A prisão preventiva de Bruno foi decretada em 31 de julho, depois de um pedido do Ministério Público de São Paulo e dos representantes da família de Marco Aurélio.
O pedido ocorreu após uma nova investigação envolvendo o policial. Segundo as apurações, Bruno teria agredido fisicamente e ameaçado de morte a própria companheira em abril de 2026, enquanto ainda respondia em liberdade pelo processo da morte do estudante.

Além da prisão, a Justiça determinou que Bruno fosse afastado das funções policiais , teve o porte e a posse de armas de fogo suspensos e precisou entregar a arma funcional. A defesa de Bruno não foi localizada pelo Metrópoles para comentar a decisão. O espaço permanece aberto para manifestação.
A decisão também determina que todas as armas de fogo que estiverem em posse do policial – particulares ou fornecidas pela corporação – sejam recolhidas no momento do cumprimento do mandado de prisão. O documento, porém, não informa se a ordem já foi cumprida nem se as armas foram apreendidas.
Bruno Carvalho do Prado é acusado de participar da morte de Marco Aurélio Cardenas Acosta durante uma abordagem em um hotel, em 20 de novembro de 2024. Segundo a denúncia do Ministério Público, ele teria agredido a vítima com um chute enquanto o também policial militar Guilherme Augusto Macedo mantinha a arma apontada para Marco Aurélio. Em seguida, Guilherme teria feito o disparo que matou a vítima.

Os dois policiais já foram enviados a julgamento pelo Tribunal do Júri e vão responder por homicídio qualificado. No caso de Bruno, a prisão preventiva foi decretada por causa dos fatos ocorridos após o crime. Em relação a Guilherme Augusto Macedo, a decisão não determina a prisão nem menciona qualquer novo pedido contra ele.
No boletim de ocorrência (B.O.), os PMs alegaram que Marco Aurélio Cardenas estaria “bastante alterado e agressivo” e teria resistido à abordagem policial. Além disso, o documento aponta que, “em determinado momento, [Marco Aurélio] tentou subtrair a arma de fogo que o soldado Prado portava, quando então o soldado Augusto efetuou um único disparo, a fim de impedi-lo” .
As imagens do circuito interno do hotel mostram, no entanto, que o PM Augusto atirou após o soldado Prado dar um chute no estudante, ter a perna segurada por ele e cair para trás, desequilibrado. No vídeo não é possível ver Marco Aurélio tentando pegar a arma do agente – ao contrário do que foi narrado na delegacia.




Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/sao-paulo/justica-nega-liberdade-a-pm-acusado-de-matar-estudante-de-medicina.

Reprodução — Foto: Metrópoles
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