Justiça francesa decide que consumidores podem revender jogos digitais da Steam
Decisão de 2019 anulou cláusulas dos termos da Valve que proibiam usuários de transferir ou revender jogos adquiridos digitalmente, anos depois Sony aviva o debate O post Justiça francesa decide que consumidores podem revender jogos digitais da Steam apareceu primeiro em Olhar Digital .

Um tribunal francês decidiu que a Valve não poderia impedir consumidores de revender jogos digitais adquiridos pela Steam . A decisão foi tomada em setembro de 2019 após uma ação movida pela organização francesa de defesa do consumidor UFC-Que Choisir.
O caso questionava diferentes cláusulas presentes nos termos de uso da plataforma, incluindo aquela que estabelecia que as compras realizadas na Steam eram pessoais e impedia usuários de vender ou transferir a terceiros o direito de uso de jogos e outros conteúdos associados às contas.
Um dos principais pontos da disputa estava na interpretação sobre o que o consumidor realmente adquire ao comprar um jogo digital.

Segundo a decisão do Tribunal Regional de Paris, quando um usuário paga uma única vez por um jogo e recebe o direito de utilizá-lo por tempo indeterminado, a operação poderia ser considerada a venda de uma cópia do videogame , e não apenas a concessão de uma assinatura.
A interpretação abriu caminho para a aplicação do princípio europeu de esgotamento dos direitos de distribuição. Na prática, depois da primeira venda de uma cópia, determinados direitos do detentor sobre a posterior revenda daquele exemplar deixam de ser aplicáveis.
Por isso, o tribunal considerou inválida a cláusula utilizada pela Valve para impedir que consumidores franceses revendessem os jogos digitais adquiridos pela plataforma.

Apesar da vitória da UFC-Que Choisir, a decisão de 2019 não significava que os jogadores poderiam imediatamente começar a vender jogos usados pela Steam .
Na época, a Valve informou que recorreria da sentença. Portanto, o caso ainda estava sujeito a novas decisões judiciais antes que pudesse provocar uma mudança definitiva no funcionamento da plataforma.
A decisão também tinha alcance francês e não significava automaticamente que usuários de outros países passariam a ter o mesmo direito dentro da Steam.

O processo, porém, colocou novamente em discussão uma questão que acompanha o crescimento da distribuição digital: comprar um jogo digital significa realmente possuir aquela cópia da mesma maneira que um jogo físico?
Essa diferença se torna particularmente importante em plataformas como a Steam, nas quais jogos permanecem associados às contas dos usuários e não podem ser livremente transferidos como uma mídia física usada.
O caso ganha um paralelo interessante com uma discussão mais recente envolvendo a Sony e a propriedade de jogos digitais . A empresa já defendeu, em seus termos e comunicações sobre a PlayStation Store, que a aquisição de conteúdo digital não representa necessariamente a compra da propriedade daquele produto, mas sim de uma licença de uso sujeita aos termos da plataforma.
Essa diferença de definição é justamente um dos pontos centrais da discussão sobre a revenda de games digitais. Se o consumidor compra apenas uma licença pessoal e intransferível, empresas podem argumentar que ela não poderia ser revendida como acontece com um disco usado. No processo francês contra a Valve, porém, o tribunal adotou outra interpretação: o pagamento único que garante acesso ao jogo por tempo ilimitado poderia caracterizar a venda de uma cópia, mesmo quando ela é distribuída digitalmente.
Os dois casos mostram como a migração das mídias físicas para as bibliotecas digitais criou uma questão que ainda acompanha a indústria: quando alguém aperta o botão “comprar” em uma loja digital, está comprando um jogo ou apenas o direito de acessá-lo? A resposta pode determinar não apenas a possibilidade de revenda, mas também quais direitos o jogador mantém sobre aquilo pelo qual pagou.
Rachele Victoria é formada em Letras, MBA em Inovação e atua há 10 anos com comunicação e conteúdo gamer.
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Publicado originalmente por Olhar Digital. Leia a matéria completa em https://olhardigital.com.br/2026/09/30/games-e-consoles/jogos-digitais-sao-seus-caso-steam-e-sony-reacende-debate-sobre-propriedade/.

Imagem: Sony/ Divulgação — Foto: Olhar Digital
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