Justiça determina prisão temporária de donos do prédio que desabou na zona leste de SP
A Justiça determinou a prisão temporária de três pessoas apontadas pela Polícia Civil como responsáveis pela construtora do prédio que desabou sobre uma casa na Penha , zona leste da capital, deixando seis mortos neste sábado (12). Segundo a Prefeitura de São Paulo, o prédio estava irregular. Leia mais (09/13/2026 - 18h12)

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A Justiça determinou a prisão temporária de três pessoas apontadas pela Polícia Civil como responsáveis pela construtora do prédio que desabou sobre uma casa na Penha , zona leste da capital, deixando seis mortos neste sábado (12). Segundo a Prefeitura de São Paulo, o prédio estava irregular.

Ronaldo Vivacqua foi preso na manhã deste domingo (13). Segundo a polícia, ele seria um "sócio oculto" da New Home Construtora.
A polícia investiga ainda o engenheiro Cristiano Vivacqua, filho de Ronaldo e responsável legal pela empresa, e Isis Brandão, sua mulher e também proprietária da construtora. O casal é considerado foragido.
Adelmo Silva, advogado da empresa New Home e dos três investigados, afirma que uma decisão judicial autorizava as obras da edificação. Ele ainda diz que Cristiano e Isis vão se apresentar à polícia nos próximos dias.

"Eles não estavam em São Paulo e, por isso, não se entregaram."
A polícia afirma que a construtora não cumpriu um alvará da prefeitura que previa a demolição do prédio para a construção de uma nova edificação no local.
"Ao longo da diligência, analisamos documentos e o histórico da construção. Isso nos levou à desconfiança de que não foi um imprevisto e que os responsáveis poderiam ter conhecimento da fragilidade da obra", diz a delegada Deidiene Fialho Eboli Prado, do 24º DP (Ponte Rasa).

Segundo ela, as causas do desabamento ainda serão investigadas a partir da perícia.
A delegada Safira Borges Pereira Parente, que ouviu testemunhas neste fim de semana, apontou que vizinhos da obra apontaram que as casas da região passaram a apresentar rachaduras nos últimos meses.
"Nós percebemos que existia uma tentativa de ocultação de documentos da obra por parte da empresa. Por isso, pedimos a prisão temporária", disse.

Segundo a prefeitura, a construção começou em 2019 e foi interditada, após a gestão municipal detectar problemas na estrutura. Como a construtora não interrompeu a obra, mesmo após diversas multas, a Procuradoria Geral do Município entrou com uma ação judicial, em 2021, para suspensão imediata dos trabalhos no local.
A construtora apresentou um novo projeto em 2022 e um alvará foi emitido em 2023, com a determinação de que a estrutura existente fosse demolida para a construção de uma nova.
"Quando esse alvará foi dado pela prefeitura, o prédio tinha cinco andares, e não nove andares como estava antes de desabar. Havia um processo judicial que pediu a demolição e, nesse alvará, havia essa condicionante de demolição para a construção de um novo prédio", diz a delegada Deidiene Prado.
O advogado da construtora afirma que uma decisão judicial de março de 2025 autorizava a continuidade das obras no prédio que desabou e que vai apresentar a decisão à polícia.
"Após vistoria da prefeitura, houve uma decisão da Justiça autorizando a obra", disse.
Silva afirma que a obra do prédio estava parada por falta de recursos financeiros e que o desabamento pode estar relacionada a uma outra obra que ocorria na rua de trás ao prédio. "As investigações e perícias vão esclarecer o que aconteceu."
A Subprefeitura da Penha afastou por 30 dias, para apuração dos fatos, a servidora que vistoriou a obra em 2024 e atestou que a demolição do prédio havia sido feita.
"Ela não pode continuar no cargo nesse momento para não atrapalhar a nossa investigação interna. Nós também já estamos com a Polícia Civil para haver uma investigação criminal a respeito disso e entendermos o que aconteceu", disse o controlador-geral do Município, Daniel Falcão, na noite de sábado.
Segundo o prefeito Ricardo Nunes (MDB), técnicos da prefeitura verificaram, junto a vizinhos e por meio de imagens de satélite, que a demolição da edificação não foi feita. O nome da servidora não foi divulgado.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/09/justica-determina-prisao-temporaria-de-donos-do-predio-que-desabou-na-zona-leste-de-sp.shtml.

Destroços do prédio que desabou sobre uma residência e matou seis pessoas na rua Tequici, na Penha, zona leste de São Paulo - Allison Sales - 12.set.26/Folhapress · Allison Sales - 12.set.26/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo
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