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    Justiça de Hong Kong condena organizadores de vigília em memória de Tiananmen por subversão

    O Tribunal Superior de Hong Kong condenou nesta sexta-feira (21) dois ativistas pró-democracia por incitação à subversão. Segundo a decisão, os dois, que organizavam atos anuais em memória de Tiananmen, usaram repetidamente a expressão "acabar com a ditadura de partido único" em suas atividades. Leia mais (08/21/2026 - 10h33)

    Folha de S.Paulo
    21 de agosto de 2026 às 13:33
    Justiça de Hong Kong condena organizadores de vigília em memória de Tiananmen por subversão
    Foto: Folha de S.Paulo

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    O Tribunal Superior de Hong Kong condenou nesta sexta-feira (21) dois ativistas pró-democracia por incitação à subversão. Segundo a decisão, os dois, que organizavam atos anuais em memória de Tiananmen, usaram repetidamente a expressão "acabar com a ditadura de partido único" em suas atividades.

    Os ativistas Lee Cheuk-yan e Chow Hang-tung - Peter Parks /AFP · Peter Parks /AFP
    Os ativistas Lee Cheuk-yan e Chow Hang-tung - Peter Parks /AFP · Peter Parks /AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Lee Cheuk-yan, 69, e Chow Hang-tung, 41, faziam parte de um grupo conhecido por organizar vigílias anuais em memória da repressão aos protestos pró-democracia na Praça Tiananmen, também conhecida como Praça da Paz Celestial, em Pequim , em 1989.

    Ex-presidente e ex-vice-presidente, respectivamente, da extinta Aliança de Hong Kong em Apoio aos Movimentos Democráticos Patrióticos da China , eles podem ser condenados a até dez anos de prisão pela Lei de Segurança Nacional , imposta por Pequim em 2020.

    A legislação foi criada pelo regime chinês em resposta aos protestos pró-democracia que ocorreram em Hong Kong, em 2019 , e criminaliza atos de secessão, subversão, terrorismo e conluio com forças estrangeiras. Na época, Pequim afirmou que os direitos e liberdades dos cidadãos do território autônomo seriam respeitados.

    Protestos em Hong Kong após aprovação de nova lei de segurança nacional
    Protestos em Hong Kong após aprovação de nova lei de segurança nacional — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A decisão, emitida por três juízes de segurança nacional aprovados pelo governo de Hong Kong, afirmou que foi o uso reiterado, ainda que pacífico, da expressão "acabar com a ditadura de partido único" pelos réus que violou a lei.

    "Os réus pretendiam fazer com que outras pessoas perdessem a confiança no Partido Comunista Chinês, incitando a hostilidade e provocando divisões, a fim de alcançar o objetivo de enfraquecer o sistema fundamental básico", afirmaram os magistrados na decisão.

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    "Embora acreditassem e previssem que os atos de resistência não necessariamente envolveriam o uso de violência ou ameaça de violência, esses atos violariam a Lei de Segurança Nacional e representariam um risco de prisão de longo prazo."

    As manifestações em memória dos protestos de 1989 na Praça da Paz Celestial costumavam ser legais e toleradas em Hong Kong e eram vistas como um símbolo da relativa liberdade do território em comparação com a China continental. Elas foram efetivamente proibidas com a promulgação da Lei de Segurança Nacional em 2020.

    Os juízes rejeitaram a alegação da defesa de que os réus acreditavam estar agindo dentro da lei, considerando as liberdades de expressão de Hong Kong. "Eles simplesmente se recusaram a recuar à beira do precipício e estavam determinados a seguir até o fim", disseram os juízes.

    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background.
Foto:  Mario / adobe stock
    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background. Foto: Mario / adobe stock — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Diplomatas estrangeiros acompanharam o julgamento, que gerou repercussão internacional. A França , a Alemanha e a União Europeia condenaram a decisão do tribunal. "A defesa pacífica dos direitos humanos não constitui crime", afirmaram os ministérios das Relações Exteriores da França e da Alemanha.

    A União Europeia alertou que a decisão "confirma a contínua deterioração das liberdades de expressão e de reunião e uma nova redução do espaço para uma sociedade civil independente em Hong Kong".

    A Lei de Segurança Nacional ampliou os poderes do regime no território após meses de protestos pró-democracia, alguns deles violentos, que abalaram Hong Kong em 2019.

    Lee e Chow estão detidos desde 2021 e haviam se declarado inocentes. Albert Ho, 74, outro ex-presidente da Aliança e ex-presidente do Partido Democrático, o maior partido de oposição da cidade, declarou-se culpado da mesma acusação.

    As audiências para definir a pena de Lee e Chow devem começar ainda neste mês. Chow, advogada, era uma das principais representantes da nova geração de ativistas pró-democracia de Hong Kong. Ela começou a participar das vigílias da Praça da Paz Celestial ainda no ensino fundamental.

    Após o veredicto, a mulher de Lee, Elizabeth Tang, afirmou do lado de fora do tribunal que a decisão foi "extremamente injusta".

    "É claro que não há surpresa, mas ainda estou decepcionada e com raiva porque não acho que ele tenha cometido nenhum ato ilegal", disse.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/08/justica-de-hong-kong-condena-organizadores-de-vigilia-em-memoria-de-tiananmen-por-subversao.shtml.

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    Os ativistas Lee Cheuk-yan e Chow Hang-tung - Peter Parks /AFP · Peter Parks /AFP — Foto: Folha de S.Paulo

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