Justiça da Bahia vai abrir processo contra juiz acusado de racismo religioso
Cesar Andrade teria determinado retirada de foto ligada ao candomblé de exposição em fórum

Editado por Fábio Zanini, espaço traz notícias e bastidores da política. Com Carlos Petrocilo e Gabriela Echenique
Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

Receba no seu email as informações exclusivas da coluna Painel
O Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) julga nesta sexta-feira (28) o caso de um juiz acusado de racismo religioso. O tribunal vai converter a sindicância aberta em Processo Administrativo Disciplinar (PAD).
A expectativa é que, após a decisão, o magistrado seja afastado temporariamente do cargo até que o PAD seja concluído.

O caso é de março deste ano, quando o juiz Cesar Augusto Borges de Andrade, da 1ª Vara da Fazenda Pública da Comarca de Camaçari, determinou a retirada de uma fotografia ligada ao candomblé de uma exposição instalada no Fórum de Camaçari.
A imagem retratava a chefe de cozinha Solange Borges, que desempenha o papel de Makota no Candomblé. Solange vestia trajes da religião de matriz africana.
Na época, o juiz pediu que o fórum retirasse o quadro sob o argumento de "incompatibilidade com a laicidade estatal". Outra foto, no entanto, em que uma mulher aparecia segurando uma imagem de Santo Antônio, foi mantida na exposição.

A apuração contra o magistrado deriva de um pedido feito pelo Idafro (Instituto de Defesa dos Direitos da Religões Afrobrasileiras) ao CNJ (Conselho Nacional de Justiça).
A entidade classificou a conduta do juiz como "discriminatória, preconceituosa, intolerante, degradante e vexatória".
Agora, o PAD vai apurar se houve racismo religioso institucional, quebra dos deveres de imparcialidade, desrespeito ao dever da igualdade e conduta incompatível com o cargo.

Entre as punições previstas estão advertência, suspensão e até a perda do cargo público . Se a pena mais grave for aplicada, será o primeiro caso de juiz punido pela prática de racismo.
Em manifestação à corregedoria do TJ da Bahia, o juiz afirmou que não determinou a retirada da fotografia da líder religiosa exposta no fórum.
Segundo ele, o ofício encaminhado ao órgão corregedor pedia a análise da legalidade da exposição, por entender que a ocupação do espaço público deveria observar os princípios da legalidade, impessoalidade e moralidade. A retirada da imagem, afirmou, foi uma decisão administrativa do então diretor do fórum.
LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!
Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?
Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.
Na página Colunas da Folha você encontra opinião e crônicas de colunistas como Mônica Bergamo , Elio Gaspari , Djamila Ribeiro , Tati Bernardi , Dora Kramer , Ruy Castro , Muniz Sodré , Txai Suruí , José Simão , Thiago Amparo , Antonio Prata e muito mais.
Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/colunas/painel/2026/08/justica-da-bahia-vai-abrir-processo-contra-juiz-acusado-de-racismo-religioso.shtml.

Foto de Solange Borges, escritora e makota do Candomblé, que foi retirada de exposição após decisão do juiz Cesar Augusto Borges de Andrade - Divulgação/Idafro · Divulgação/Idafro — Foto: UOL
Compartilhe
Espalhe essa notícia

