Justiça condena Samarco e três ex-gerentes por tragédia em Mariana (MG)
O TRF-6 (Tribunal Regional Federal da 6ª Região) reformou parcialmente nesta quinta-feira (3) uma decisão de primeiro grau da Justiça Federal de Minas Gerais e condenou a Samarco Mineração e três ex-gerentes da empresa pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana , no final de 2015. A tragédia matou 19 pessoas. Leia mais (09/04/2026 - 15h19)

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O TRF-6 (Tribunal Regional Federal da 6ª Região) reformou parcialmente nesta quinta-feira (3) uma decisão de primeiro grau da Justiça Federal de Minas Gerais e condenou a Samarco Mineração e três ex-gerentes da empresa pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana , no final de 2015. A tragédia matou 19 pessoas.

Trata-se da primeira condenação na esfera criminal envolvendo o caso, considerado o maior desastre ambiental do país.
A decisão é da 2ª Turma Criminal e atendeu a recursos do MPF (Ministério Público Federal) e também de familiares de vítimas para condenar a mineradora e os ex-executivos Germano Silva Lopes, Wagner Milagres Alves e Daviély Rodrigues Silva, que tinham sido absolvidos na primeira decisão, de novembro de 2024. Eles foram responsabilizados pelo crime de provocar inundação com resultado morte, além de condenação por crimes ambientais.
Foram mantidas as absolvições das empresas Vale, BHP Billiton e VOGBR Recursos Hídricos e Geotecnia Ltda e de outros três denunciados: Ricardo Vescovi de Aragão, então diretor-presidente da Samarco; Kleber Luiz de Mendonça Terra, à época diretor de Operações e Infraestrutura da Samarco; e Samuel Santana Paes Loures, engenheiro sênior da VOGBR.

A Procuradoria Regional da República da 6ª Região afirmou à reportagem nesta sexta-feira (4) que ainda vai analisar o inteiro teor da decisão para saber se irá recorrer.
Germano, ex-gerente de Projetos Estruturantes, e Daviély, ex-gerente de Geotecnia, foram condenados a 8 anos e 9 meses de reclusão em regime inicial fechado. Wagner, ex-gerente de Operações de Mina, foi condenado a 7 anos e 3 meses e 15 dias de reclusão em regime inicial semiaberto.
A reportagem fez contato às 12h40 com o escritório de advocacia Maurício Campos & Brasileiro, responsável pelas defesas dos três condenados e foi orientada a encaminhar um email. Até a publicação deste texto, não houve resposta.

A Samarco foi condenada à proibição de fazer contrato com o poder público pelo prazo de dez anos e ao pagamento de R$ 1 milhão, destinado ao Fundo Nacional do Meio Ambiente. Também foi condenada ao pagamento de 768 dias-multa no valor unitário de cinco salários mínimos, o equivalente a cerca de R$ 6 milhões.
A empresa afirmou em nota que ainda irá analisar a decisão para definir as medidas jurídicas cabíveis e que segue "confiante nos fatos e argumentos apresentados ao longo do processo que fundamentam sua defesa, no sentido de que sempre agiu em conformidade com a legislação vigente, sempre adotou as melhores práticas de engenharia e nunca teve conhecimento ou foi informada de risco de ruptura da barragem de Fundão".
"Reiteramos nosso profundo pesar pelo rompimento da barragem de Fundão. Seguimos empenhados no cumprimento integral das obrigações assumidas no âmbito do Novo Acordo do Rio Doce, com o compromisso permanente de avançar na reparação das pessoas, comunidades e territórios impactados", continua a nota.

Em 2024, a juíza Patrícia Alencar Teixeira de Carvalho havia absolvido 21 executivos e técnicos da Samarco e também a própria empresa, sob o argumento de que faltava a comprovação de atos individuais que determinassem a responsabilidade criminal direta pelo desastre.
O julgamento das apelações contra a decisão de 2024 teve início em março deste ano, com a manifestação do relator do caso, o juiz federal Pedro Felipe Santos.
Em 5 de novembro de 2015, cerca de 40 milhões de metros cúbicos de lama foram derramados após o rompimento de uma barragem em Mariana com rejeitos da mineradora Samarco, controlada pelas gigantes Vale e a anglo-australiana BHP Billiton.
O "tsunami", que também tinha rejeitos de uma mina da Vale, destruiu vilarejos, percorreu a bacia do rio Doce, matou peixes e chegou ao mar no Espírito Santo.
Dezenove pessoas morreram, sendo que uma estava grávida. Nos distritos de Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo, a lama atingiu casas, animais, lembranças e os modos de vida históricos das famílias.
Em 2024, um acordo assinado com a União, os estados de Minas Gerais e do Espírito Santo e representantes das comunidades estabeleceu que as empresas envolvidas pagassem R$ 170 bilhões em reparação .
Além das ações na Justiça brasileira, um processo corre na Inglaterra , país de origem da BHP.
O rompimento em Mariana não ficou como exemplo único no país. Outra barragem da Vale, em Brumadinho (MG), estourou em janeiro de 2019 , matando 270 pessoas, sendo duas grávidas.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/09/justica-condena-samarco-e-tres-ex-gerentes-por-tragedia-em-mariana-mg.shtml.

Pilha de rejeito seco na região de Ouro Preto e Mariana, agora usada como alternativa à barragem líquida de rejeitos para evitar rompimentos e derramamentos - Pedro Ladeira - 17.out.25/Folhapress · Pedro Ladeira - 17.out.25/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo
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