Brasil

    Justiça condena João de Deus e centro espírita a pagarem R$ 20 milhões por dano moral coletivo

    A Justiça de Goiás condenou nesta terça-feira (6) João Teixeira de Faria, o João de Deus , e o Centro Espírita Dom Inácio de Loyola a pagarem R$ 20 milhões por dano moral coletivo em razão dos abusos sexuais , segundo a investigação, praticados ao longo de décadas pelo ex-líder espiritual durante atendimentos em Abadiânia (GO). Leia mais (10/07/2026 - 15h44)

    Folha de S.Paulo
    7 de outubro de 2026 às 18:44
    Justiça condena João de Deus e centro espírita a pagarem R$ 20 milhões por dano moral coletivo
    Foto: Folha de S.Paulo

    Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

    Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

    A Justiça de Goiás condenou nesta terça-feira (6) João Teixeira de Faria, o João de Deus , e o Centro Espírita Dom Inácio de Loyola a pagarem R$ 20 milhões por dano moral coletivo em razão dos abusos sexuais , segundo a investigação, praticados ao longo de décadas pelo ex-líder espiritual durante atendimentos em Abadiânia (GO).

    O autoproclamado médium João de Deus, durante atendimento no Centro Espírita Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia (GO) - Alan Marques - 5.abr.12/Folhapress · Alan Marques - 5.abr.12/Folhapress
    O autoproclamado médium João de Deus, durante atendimento no Centro Espírita Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia (GO) - Alan Marques - 5.abr.12/Folhapress · Alan Marques - 5.abr.12/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A defesa de João de Deus diz que "a decisão não reflete a realidade dos fatos" e afirma que vai recorrer.

    "Realidade esta que foi desconstruída pelas inúmeras absolvições proferidas ao longo destes oito anos, bem como pelo conjunto de provas apresentado nos autos e, sobretudo, pela desproporção alarmante da condenação", diz a nota assinada pelos advogados Anderson Van Gualberto de Mendonça e Marcos Maciel Lara.

    "O acervo probatório é robusto", afirma a sentença assinada pelo juiz André Luiz Figueiredo Ligório. A decisão é resultado de uma ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público de Goiás em 2018.

    Cidade onde atuava João de Deus perde turistas e movimento
    Cidade onde atuava João de Deus perde turistas e movimento — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O órgão afirma que a força-tarefa instituída para investigar o caso recebeu mais de 300 relatos após as denúncias ganharem repercussão nacional, posteriormente consolidados em 355 atendimentos de pessoas de diferentes estados e do exterior.

    Na ação, a Promotoria cita a "conduta reiterada consistente" de João de Deus a "induzir frequentadoras, muitas delas em situação de acentuada vulnerabilidade física, emocional ou de saúde, à prática de atos libidinosos sob o pretexto de tratamentos de 'cura espiritual', 'limpezas energéticas' ou 'cirurgias mediúnicas'".

    A decisão da Justiça também reconhece o direito das vítimas que comprovarem ter sofrido abusos no local a buscar indenizações individuais por danos morais e materiais, sem determinar um valor previamente fixado.

    Imagem da matéria
    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Segundo o juiz, as liquidações devem observar o procedimento comum no Juízo do município de Abadiânia ou no local de domicílio das vítimas, considerando o prazo de cinco anos a partir do trânsito em julgado.

    Para receber a indenização individual, cada vítima terá de apresentar elementos que demonstrem o abuso, sua condição de vítima e a relação da ocorrência com as atividades do Centro Espírita, entre outros pontos.

    Por sua vez, o valor da condenação de R$ 20 milhões por dano moral coletivo deve, conforme a sentença e após o trânsito em julgado, ser destinado a políticas de prevenção e enfrentamento da violência sexual contra mulheres , com preferência ao município de Abadiânia.

    Trilili Urna Eletrônica
    Trilili Urna Eletrônica — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A newsletter sobre o mundo jurídico exclusiva para assinantes da Folha

    A sentença ainda mantém o bloqueio da Fazenda Agropastoril Dom Inácio, propriedade de João de Deus avaliada em cerca de R$ 41 milhões, como garantia para o cumprimento das obrigações determinadas no processo.

    Um dos principais pontos da decisão é a responsabilização do Centro Espírita Dom Inácio de Loyola. Durante o processo, a entidade chegou a alegar "ilegitimidade passiva", negando responsabilidade pelos abusos atribuídos a João de Deus.

    A tese foi rejeitada pela sentença, sob a justificativa de que a estrutura institucional da entidade, fundada e comandada pelo ex-líder religioso, forneceu a logística física, humana e de legitimação para a prática dos abusos.

    Foi estabelecida assim a responsabilidade solidária entre João de Deus e o centro, com a determinação de que ambos arquem com a reparação determinada.

    As denúncias contra João de Deus vieram a público em dezembro de 2018 no Conversa com Bial, da TV Globo . Novos relatos surgiram após a exibição do programa.

    O autoproclamado médium teria obrigado as vítimas a masturbá-lo ou a fazer sexo oral, com o pretexto de que os atos configuravam um trabalho de cura. Outras vítimas afirmam que tiveram partes íntimas do corpo tocadas pelo médium durante atendimentos espirituais.

    João de Deus foi preso preventivamente em dezembro de 2018. Somadas, as 18 ações penais contra o ex-líder religioso resultaram em uma pena de 489 anos pelos crimes de estupro, violação sexual mediante fraude e estupro de vulnerável. A pena total foi reduzida para 214 anos e um mês, após o julgamento de recursos.

    João de Deus foi preso preventivamente ainda em 2018. Deixou o presídio em março de 2020 para cumprir prisão domiciliar , em razão do agravamento da pandemia de Covid-19.

    Até maio passado, pouco mais de seis anos após a primeira condenação por abuso sexual , em dezembro de 2019, as penas de João de Deus foram reduzidas para menos da metade após uma série de recursos.

    Somadas, as 18 ações resultaram em uma pena de 489 anos e quatro meses de prisão por estupro, estupro de vulnerável e violação sexual mediante fraude. Entretanto, o julgamento de recursos em 15 delas derrubou o número para 214 anos e um mês.

    Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!

    Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?

    Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.

    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/10/justica-condena-joao-de-deus-e-centro-espirita-a-pagarem-r-20-milhoes-por-dano-moral-coletivo.shtml.

    Imagem 1
    1 / 4

    O autoproclamado médium João de Deus, durante atendimento no Centro Espírita Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia (GO) - Alan Marques - 5.abr.12/Folhapress · Alan Marques - 5.abr.12/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)