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    Justiça condena ex-CFO do Itaú a pagar R$ 2,83 milhões ao banco

    O ex-diretor financeiro do Itaú Unibanco Alexandro Broedel foi condenado em primeira instância a pagar R$ 2,83 milhões à instituição em um caso de conflito de interesses envolvendo a contratação de pareceres contábeis. Leia mais (08/19/2026 - 18h15)

    Folha de S.Paulo
    19 de agosto de 2026 às 21:15
    Justiça condena ex-CFO do Itaú a pagar R$ 2,83 milhões ao banco
    A imagem mostra um homem sentado em uma mesa durante uma audiência pública. Ele está usando um terno escuro e tem uma expressão séria. Na mesa, há um nome em uma placa que diz 'ALEXANDRO BROEDEL LOPES' e 'CVM'. Ao fundo, são visíveis silhue — Foto: Folha de S.Paulo

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    O ex-diretor financeiro do Itaú Unibanco Alexandro Broedel foi condenado em primeira instância a pagar R$ 2,83 milhões à instituição em um caso de conflito de interesses envolvendo a contratação de pareceres contábeis.

    Alexsandro Broedel Lopes em sabatina no Senado para o cargo de diretor da CVM, em 2009. - Sergio Lima - 15.dez.2009/Folhapress · Sergio Lima - 15.dez.2009/Folhapress
    Alexsandro Broedel Lopes em sabatina no Senado para o cargo de diretor da CVM, em 2009. - Sergio Lima - 15.dez.2009/Folhapress · Sergio Lima - 15.dez.2009/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O banco acusa o executivo de desvio de poder e gestão abusiva, conflituosa e irregular por supostamente embolsar parte de pagamentos a serviços contratados para a instituição financeira.

    De acordo com o Itaú, Broedel, enquanto CFO do banco, contratava constantemente a consultoria de Eliseu Martins , reconhecido como um dos maiores contadores do país. No entanto, Broedel era sócio de Martins e, segundo o Itaú, ficava com 40% de todo o pagamento feito pela prestação de serviços.

    Em nota, a defesa do executivo afirma que vai recorrer da decisão e que ele "sempre se conduziu de maneira ética e transparente ao longo dos 12 anos em que trabalhou no Itaú Unibanco e seguirá tomando todas as medidas judiciais para provar isso".

    Novas agências do Itaú Unibanco
    Novas agências do Itaú Unibanco — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Em decisão protocolada nesta terça-feira (18), o juiz André Salomon Tudisco, da 1ª Vara Empresarial e Conflitos de Arbitragem também deliberou o pagamento das custas, despesas processuais e honorários advocatícios por Broedel ao Itaú.

    O juiz considera que o banco tinha ciência da existência da consultoria de Broedel, mas não há provas de que também tivesse conhecimento do arranjo associativo informal mantido entre Eliseu Martins e o ex-CFO.

    "Também ficou demonstrado que o réu Alexsandro (assim como a ré Broedel Consultores) se beneficiou diretamente das contratações, recebendo valores transferidos por Eliseu", diz a sentença.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Segundo cálculos do banco, foram R$ 13,2 milhões pagos para a consultoria, dos quais R$ 4,86 milhões teriam sido creditados em favor de Broedel. Como uma parte desses pagamentos já prescreveu, o banco pedia a devolução de R$ 3,35 milhões, com acréscimos legais e moratórios. Em outro processo, o banco pedia mais R$ 6,64 milhões.

    O juiz entendeu haver uma limitação de cobranças relativas a mais de três anos, com base na Lei das SAs. Dessa forma, o valor original pedido pelo Itaú, de R$ 3,35 milhões, caiu para o total de R$ 2,38 milhões.

    Em outro processo também julgado por Tudisco, a acusação do Itaú de que havia parecer pagos mas não prestados foi rechaçada.

    Ilustração para Economia - Governo vai implantar sistema de chamadas verificadas contra fraudes telefônicas - Ferramenta será capaz de indicar se ligação partiu ou não de origem confiável
    Ilustração para Economia - Governo vai implantar sistema de chamadas verificadas contra fraudes telefônicas - Ferramenta será capaz de indicar se ligação partiu ou não de origem confiável — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Segundo a alegação dos bancos, entre junho de 2019 e junho de 2024, foram contratados 40 pareceres contábeis, com pagamentos totais de R$ 13,25 milhões, mas metade não teria sido emitido ou entregue, daí o pedido de R$ 6,64 milhões do banco.

    "Em uma de duas ações cíveis movidas pelo Itaú Unibanco, Alexsandro Broedel teve vitória total, quando a Justiça reconheceu que o banco não provou que os serviços de consultoria não foram prestados, algo que a instituição alegou repetidamente", disse a defesa do executivo em nota.

    No processo sobre o conflito de interesses em que Broedel teve sua defesa acolhida parcialmente, ele irá recorrer da decisão. Também vai recorrer da decisão sobre a remuneração variável que não lhe foi paga pelo Itaú.

    O ex-diretor financeiro diz que o Itaú teria deixado de pagar ao executivo uma quantia em torno de R$ 15,5 milhões referentes à sua remuneração variável de 2024.

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    "O Itaú Unibanco recebe com tranquilidade a condenação de Alexsandro Broedel à restituição dos valores desviados da instituição, decisão que reforça a relevância da conduta ética no sistema financeiro.

    O banco recorrerá em relação aos pareceres não entregues por discordar da atribuição de ônus para apresentação de prova negativa. Reitera-se que o parecerista Eliseu Martins confessou o fato e devolveu sua parte dos valores, e que a defesa não apresentou os comprovantes dos serviços prestados, apesar de sucessivas oportunidades concedidas no processo."

    Em dezembro de 2024, o banco Itaú anunciou, em ata de assembleia-geral, que seu ex-diretor financeiro Alexsandro Broedel violou políticas internas e a legislação ao agir em "grave conflito de interesses e em benefício próprio" no relacionamento com um fornecedor de pareceres.

    Segundo a ata, a conduta do ex-diretor foi alvo de apurações internas concluídas naquele novembro. Em julho daquele ano, o executivo pediu demissão do banco para assumir um cargo no Santander na Espanha.

    O Itaú concluiu, a partir dessa investigação interna, que Broedel e Martins eram sócios desde 2012 em uma empresa cuja existência não foi informada à instituição financeira.

    O Itaú afirma que desde janeiro de 2019, as empresas Care (que tem como sócios Eliseu Martins e seu filho Eric) e Evam (cujos sócios são Eliseu e os filhos Eric e Vinicius) fizeram 56 transferências ao executivo e sua empresa Broedel Consultores, sendo que 23 destas transferências, no valor total de R$ 4,8 milhões, se referem aos pagamentos do Itaú.

    Em junho de 2025, o contador Eliseu Martins assinou um acordo com o Itaú para encerrar um imbróglio em que o banco o acusa de ter participado de uma fraude com o ex-CFO da instituição. Ele se comprometeu a pagar R$ 2,5 milhões para encerrar o caso.

    "Preferi devolver o que me era devido e encerrar, aos 80 anos, essa maluquice. Principalmente pelo envolvimento injusto dos meus filhos", disse Martins à Folha .

    Em agosto do ano passado, a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) abriu um processo para apurar a responsabilidade de Broedel na contratação de pareceres de Eliseu Martins e a acusação feita pelo banco de que ele receberia 40% dos pagamentos feitos à empresa de Martins.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/08/justica-condena-ex-cfo-do-itau-a-pagar-r-283-milhoes-ao-banco.shtml.

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    Alexsandro Broedel Lopes em sabatina no Senado para o cargo de diretor da CVM, em 2009. - Sergio Lima - 15.dez.2009/Folhapress · Sergio Lima - 15.dez.2009/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

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