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    Justiça concede habeas corpus a "contador do PCC", que seguirá preso

    O empresário Rodrigo Morgado recebeu um habeas corpus no âmbito da Operação Narco Bet, mas permanece detido por outros processos

    Metrópoles
    17 de agosto de 2026 às 19:32
    Justiça concede habeas corpus a "contador do PCC", que seguirá preso
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    A Justiça Federal concedeu, nesta terça-feira (17/8), um habeas corpus para o empresário Rodrigo Morgado , conhecido como “contador do PCC “ ou “CEO do Jeep” , que estava preso desde outubro de 2025 no âmbito da Operação Narco Bet , da Polícia Federal ( PF ).

    Apesar da decisão favorável, que também se estende ao influenciador Bruno Alexssander Souza Silva, o Buzeira , Morgado permanecerá preso , em função de desdobramentos da Operação Commodity , da qual também é alvo.

    O advogado Felipe Pires de Campos, que defende Morgado no processo decorrente da Operação Narco Bet, celebrou a decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região ( TRF-3 ) em nota enviada ao Metrópoles .

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    “A decisão representa um importante reconhecimento das teses apresentadas pela defesa, especialmente quanto à desnecessidade da manutenção da prisão preventiva. Rodrigo seguirá respondendo ao processo normalmente, cumprindo rigorosamente todas as determinações impostas pelo Tribunal”, diz a nota.

    “A defesa recebe a decisão com serenidade e respeito às instituições, reiterando sua confiança de que, ao longo da instrução processual, serão devidamente esclarecidos os fatos e demonstrada a posição jurídica sustentada desde o início”, conclui o comunicado.

    Segundo a investigação da PF , Rodrigo Morgado seria um “possível operador logístico-financeiro” do esquema e atuava como um “verdadeiro banco particular” de outros investigados, movimentando grandes valores em contas pessoais e de empresas sob seu controle, inclusive por meio de conversões em criptomoedas e repasses a terceiros, tudo de maneira ilegal.

    O empresário Rodrigo Morgado, o "contador do PCC"
    O empresário Rodrigo Morgado, o "contador do PCC" — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    As autoridades apontam que Rodrigo enriqueceu mais de R$ 7,5 milhões entre os anos de 2022 e 2023 e movimentou mais de R$ 313 milhões entre os anos de 2019 e 2024, realizando transações com criptoativos que se aproximam da cifra de R$ 100 milhões. Em algumas ações financeiras, a movimentação bancária envolveu valores muitos superiores aos declarados.

    Uma dessas movimentações foi um pagamento de quase R$ 20 milhões à empresa Buzeira Digital , do influenciador Buzeira.

    A PF também indica uma relação direta entre Morgado e uma embarcação chamada Veleiro Lobo IV, apreendida pela Marinha dos Estados Unidos entre o arquipélago de Cabo Verde e as Ilhas Canárias, por estar sendo usado para o transporte de mais de quatro toneladas de cocaína, fato que originou a Operação Narco Vela que, por sua vez, resultou na Operação Narco Bet .

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    Além disso, foi a partir do armazenamento em nuvem do iCloud de Morgado, acessado na época, que a PF colheu as informações necessárias para deflagrar a Operação Narco Fluxo , que prendeu o cantor MC Ryan e o dono da Choquei, Raphael Sousa , em abril deste ano. A ação investigava um grupo criminoso liderado pelo funkeiro , suspeito de lavar R$ 1,6 bilhão.

    A PF deflagrou, no final do mês de julho, a Operação Commodity para desarticular uma organização criminosa investigada por enviar cerca de 6,5 toneladas de cocaína para a Europa e movimentar valores bilionários por meio de um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro. A Justiça determinou o bloqueio de bens de pessoas físicas e jurídicas até o limite de R$ 1 bilhão.

    Ao todo, policiais federais e estaduais cumprem 13 mandados de prisão preventiva e 44 mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina e Espírito Santo.

    A operação integra a Missão Redentor II e conta com o apoio da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco) de São Paulo e Minas Gerais.

    As apurações apontam que, desde 2021, o grupo enviou aproximadamente 6,5 toneladas da droga para diferentes países do continente e mantinha vínculos operacionais com as duas maiores facções criminosas em atuação no Brasil.

    Para driblar a fiscalização aduaneira, os investigados utilizavam diferentes métodos para ocultar o entorpecente em cargas destinadas ao exterior. Entre eles estavam a camuflagem da cocaína em sacos de café, cimento e argamassa, além da adulteração química da droga, que chegava a ser diluída em garrafas de refrigerante.

    A Polícia Federal também identificou um complexo esquema de lavagem de dinheiro utilizado para ocultar o patrimônio obtido com o tráfico internacional.

    De acordo com a corporação, a organização movimentava valores bilionários por meio de empresas de fachada, empresas emissoras de notas fiscais frias, criptoativos, holdings, imóveis de alto padrão e bens de luxo.

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    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/sao-paulo/justica-concede-habeas-corpus-a-contador-do-pcc-que-seguira-preso.

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