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    Justiça bloqueia R$ 56 milhões de empresas investigadas por lavar dinheiro

    Suspeitas surgiram após autuação fiscal contra CNPJ de fachada em SP, destinatário de notas emitidas por empresa fictícia do DF

    Metrópoles
    11 de setembro de 2026 às 16:49
    Justiça bloqueia R$ 56 milhões de empresas investigadas por lavar dinheiro
    Foto: Metrópoles

    Uma complexa estrutura empresarial montada para esconder patrimônio, movimentar milhões de reais e dar aparência de legalidade a recursos ligados a um esquema de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro é investigado pela Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Ordem Tributária (DOT). O grupo teria usado holdings, empresas de locação de veículos, lojas de roupas femininas e outras pessoas jurídicas para pulverizar recursos, ocultar a verdadeira titularidade de bens e dificultar o rastreamento do dinheiro.

    As suspeitas começaram a partir de uma autuação fiscal envolvendo um CNPJ de fachada registrado em São Paulo, apontado como destinatário de notas fiscais emitidas por uma empresa fictícia do Distrito Federal .

    A análise dos investigadores revelou uma rede de empresas aparentemente independentes, mas com ligações entre sócios, endereços, telefones, e-mails e movimentações financeiras milionárias.

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    Reprodução / PCDF — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Deflagrada nessa quinta-feira (10/9), a Operação Circuito dos Metais cumpriu 11 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Espírito Santo.

    A ofensiva mira também o patrimônio que, segundo a investigação, pode estar relacionado ao esquema. A Justiça autorizou o sequestro de até R$ 56 milhões em bens, direitos e valores, incluindo recursos em instituições financeiras e investimentos, uma aeronave avaliada em aproximadamente R$ 8 milhões, seis veículos de luxo e um imóvel.

    De acordo com a PCDF, o esquema teria provocado prejuízo milionário aos cofres públicos do Distrito Federal e se apoiado em empresas de fachada para movimentar recursos, ocultar patrimônio e dificultar a identificação dos reais beneficiários.

    DF: empresas de sucatas são suspeitas de lavar milhões com carros e roupas
    DF: empresas de sucatas são suspeitas de lavar milhões com carros e roupas — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    A análise dos dados revelou indícios de uma estrutura empresarial utilizada para movimentar recursos entre pessoas físicas e jurídicas ligadas ao grupo investigado.

    Os investigadores identificaram transferências milionárias para empresas formalmente distintas, algumas delas vinculadas aos mesmos sócios ou responsáveis. Também foram constatadas coincidências de endereços, telefones e e-mails, além da ausência de empregados registrados e de estruturas empresariais aparentemente incompatíveis com o volume financeiro movimentado.

    Para a polícia, a rede de empresas pode ter sido utilizada para dispersar recursos, dificultar a identificação dos beneficiários finais e conferir aparência de legalidade a valores relacionados à suposta fraude fiscal.

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    A investigação também identificou movimentações financeiras relevantes envolvendo pessoas físicas ligadas aos responsáveis pelas empresas.

    Segundo a PCDF, os investigados teriam utilizado holdings, empresas de locação de veículos, de venda de roupas femininas e outras pessoas jurídicas para a titularidade e circulação de bens, com o objetivo de ocultar ou dissimular a origem dos valores.

    Entre os bens identificados estão veículos de luxo, um imóvel e uma aeronave.

    Segundo a investigação, a empresa fictícia sediada no Distrito Federal foi aberta em julho de 2020 e, menos de 20 dias depois, entre 6 e 24 de agosto daquele ano, emitiu 49 notas fiscais que totalizaram mais de R$ 7 milhões.

    Apesar do volume das operações, a suposta fornecedora não possuía conta bancária. Além disso, o responsável formal pela empresa não apresentou movimentações financeiras com a destinatária das notas fiscais nem com os demais investigados. Posteriormente, a empresa foi cancelada por inexistência de fato.

    As circunstâncias levantaram dúvidas sobre a efetiva realização das operações comerciais, a origem das mercadorias e o destino dos valores que supostamente teriam sido pagos.

    O aprofundamento das investigações apontou ainda que a empresa de fachada registrada em São Paulo, destinatária das notas fiscais emitidas no Distrito Federal, teria recebido R$ 100 milhões e repassado R$ 107 milhões entre 1º de julho de 2020 e 1º de julho de 2024.

    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/distrito-federal/na-mira/justica-bloqueia-r-56-milhoes-de-empresas-investigados-por-lavar-dinheiro.

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