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    Juros podem voltar a 6%? Economista explica o que teria de acontecer

    Mapa de Risco – Reprodução " data-large-file="https://www.infomoney.com.br/wp-content/uploads/2026/08/imagem-11.jpg?fit=1280%2C716&quality=70&strip=all" />Tiago Sbardelotto, da XP, afirma que uma redução mais profunda da taxa dependeria antes de reformas fiscais e melhora da trajetória da dívida The post Juros podem voltar a 6%? Economista explica o que teria de acontecer appeared first on InfoMoney .

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    28 de agosto de 2026 às 17:00
    Juros podem voltar a 6%? Economista explica o que teria de acontecer
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    Na semana passada, durante o debate presidencial da Band , o candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD), prometeu reduzir a taxa básica de juros “a patamares de 6% com uma inflação em torno de 3% a 4%”, caso seja eleito.

    Levar os juros brasileiros novamente para perto de 6% é possível, mas exigiria mudanças nas contas públicas antes de uma redução mais profunda da taxa. A avaliação é do economista da XP Tiago Sbardelotto, durante o Mapa de Risco , programa de política do InfoMoney , desta sexta-feira (27).

    Ao analisar a proposta do ex-governador de Goiás, Sbardelotto afirmou que o país já conviveu com juros nesse patamar e que seria possível retornar a ele. O economista, porém, relaciona essa possibilidade a uma melhora prévia das condições fiscais.

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    “É possível, sim, você chegar naquele 6%. A gente já chegou no 6% na época do teto de gastos. Por quê? Porque o teto de gastos era uma regra bastante restritiva que segurou o gasto por muito tempo e permitiu, de fato, que você tivesse ali espaço para essa taxa de juros neutra cair e, consequentemente, o Banco Central cortar”, afirmou.

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    Segundo o economista, o atual nível de endividamento público limita a possibilidade de uma redução mais acentuada. Com uma necessidade elevada de financiamento do setor público, o governo disputa recursos disponíveis na economia, pressionando o custo do dinheiro.

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    “Como o custo para o governo se financiar é cada vez maior, essa taxa de juros neutra tende a subir e o espaço que o Banco Central tem para cortar juros cai, se reduz. Então ele não consegue cortar para 6%, como antes”, explicou.

    Para Sbardelotto, uma queda mais expressiva dos juros dependeria primeiro de reformas capazes de reduzir o crescimento das despesas obrigatórias.

    “Primeiro você precisa criar condições. Primeiro você precisa fazer grandes reformas, reformas que são duras. Eu acho que tem poucos candidatos falando nisso, e realmente é uma pauta que para a política é difícil, ninguém compra essa pauta”, afirmou.

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    Entre as medidas citadas pelo economista estão uma nova reforma da Previdência, mudanças nas vinculações ao salário mínimo e o combate aos supersalários.

    “A gente precisa falar, por exemplo, de uma desvinculação do salário mínimo, a gente precisa falar de uma nova reforma da Previdência, o combate aos supersalários, que, por mais que o efeito seja pequeno, é um efeito. Quando a gente fala em cortar gastos, a gente tem que cortar todos os gastos, sem exceção”, disse.

    O ajuste, segundo Sbardelotto, poderia melhorar as expectativas para a dívida pública e reduzir a taxa de juros considerada compatível com uma inflação estável.

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    “Se a gente fizer essa reforma fiscal, reduzir o ritmo de crescimento da despesa, de fato a perspectiva para o endividamento público começa a melhorar. E aí essa taxa de juros neutra tende a cair e o Banco Central começa a ter mais espaço para cortar juros”, afirmou.

    O economista ponderou, porém, que uma redução dos juros apenas por decisão política, sem que as condições fiscais e inflacionárias permitam o movimento, poderia produzir o efeito contrário.

    “Não adianta eu botar alguém lá para falar: ‘essa pessoa aqui vai cortar para 6% na marra’, porque no dia seguinte desse corte para 6%, a inflação vai explodir, vai chegar ali em dois dígitos, como a gente já teve no passado. Não adianta cortar na marra”, afirmou.

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    Publicado originalmente por InfoMoney. Leia a matéria completa em https://www.infomoney.com.br/politica/juros-podem-voltar-a-6-economista-explica-o-que-teria-de-acontecer/.

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