Juros mudam de patamar no mundo e no Brasil
O custo do dinheiro mudou de patamar, definitivamente. Na semana passada, o título de dez anos do Tesouro americano chegou a 5,3% anuais, o maior nível desde 2002 , e o de 30 anos superou 5,7%. Como esses papéis são a referência do mercado global, o movimento encarece a dívida de governos e empresas no mundo todo. Leia mais (10/12/2026 - 22h00)

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O custo do dinheiro mudou de patamar, definitivamente. Na semana passada, o título de dez anos do Tesouro americano chegou a 5,3% anuais, o maior nível desde 2002 , e o de 30 anos superou 5,7%. Como esses papéis são a referência do mercado global, o movimento encarece a dívida de governos e empresas no mundo todo.
Na ata de setembro, o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos , registrou apoio unânime à primeira alta de seus juros desde 2023, e a maioria dos dirigentes vê novo aumento até dezembro. O mercado já projeta uma sequência mais duradoura.
A expectativa de inflação para 12 meses subiu a 3,9%, a maior desde 2023. O dilema é clássico: combater o avanço dos preços sem asfixiar a atividade.

As causas vão além do efeito da guerra sobre o petróleo . Energia mais cara, tarifas comerciais e a corrida de investimentos em inteligência artificial também estão em ação. Porém, apesar da contribuição de todos esses elementos, a raiz mais profunda é fiscal.
Governos acumularam déficits elevados por anos e agora precisam rolar dívidas gigantescas sem perspectiva de contenção, enquanto os gastos com defesa crescem nos EUA e na Europa . Mais dívida exige juros mais altos para atrair compradores.
A França é um bom exemplo do que está acontecendo. O país não equilibra o Orçamento há décadas, enfrenta fragmentação política e protestos e hoje paga juros de dez anos superiores aos da Itália e da Grécia , protagonistas da crise da dívida europeia de 2009. Nem riqueza, nem moeda forte, nem o Banco Central Europeu impediram o mercado de cobrar o preço da indisciplina.

Há quem veja exagero, como o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, lembrando que a inflação subjacente (sem efeitos transitórios) se aproxima da meta. Ainda assim, mesmo um recuo parcial não devolveria o mundo à era do dinheiro barato.
Para o Brasil, a lição é direta. Com a Selic em 13,75% e a dívida perto de 83% do PIB , diminui o espaço para o Banco Central cortar juros e aumenta o custo de financiar o governo. Isso explica por que o mercado atribui tanto valor a qualquer sinal de um ajuste capaz de sustentar as contas.
O próximo governo assumirá em um mundo menos complacente. Promessas sem lastro e ajustes lentos serão precificados mais rápido, e a lua de mel com os investidores tende a ser curta.
No mundo de juros baixos, a indisciplina fiscal custava muito menos. Esse mundo acabou e precisamos nos preparar para um novo padrão global.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/10/juros-mudam-de-patamar-no-mundo-e-no-brasil.shtml.

Detalhe da fachada da sede do Federal Reserve (Fed), em Washington (EUA) - Jason Reed/Reuters · Jason Reed/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo
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