Brasil

    Juros e endividamento pressionam futuro do PIB

    Crescimento da economia perde fôlego e juros são ponto mais criticado junto ao elevado endividamento

    Metrópoles
    7 de setembro de 2026 às 07:30
    Juros e endividamento pressionam futuro do PIB
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    O resultado do Produto Interno Bruto ( PIB ) do segundo trimestre deste ano, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ( IBGE ) na última terça-feira (1º/9), mostrou desaceleração da economia.

    O país cresceu 0,5% de abril a junho. Ao longo da semana, instituições públicas e agentes do mercado manifestaram preocupação com a situação atual dos juros e do endividamento, apontados por parte dos analistas como pontos importantes para a diminuição no ritmo da expansão econômica.

    A desaceleração foi verificada na comparação entre o primeiro e o segundo trimestre deste ano. De janeiro a março, a expansão do PIB foi de 1,1%. O último trimestre teve desempenho mais modesto, de 0,5%.

    Michael Melo/Metrópoles
    Michael Melo/Metrópoles — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Além do número, chamou a atenção a redução na demanda, puxada pelo item de consumo das famílias . Este tópico recuou 0,4% ante um crescimento de 0,8% no primeiro trimestre deste ano.

    O consumo das famílias é importante porque impacta diretamente o setor de serviços, que é o maior da economia, seguido por indústria e agropecuária. Veja o desempenho dos setores da economia no segundo trimestre:

    O Ministério da Fazenda creditou aos juros altos e ao endividamento elevado das famílias o resultado do PIB. A manifestação foi feita por meio de uma nota técnica editada pela Secretaria de Política Econômica (SPE) da pasta.

    Imagem colorida de moeda de real - Projeção do PIB aumentou, diz CNI
    Imagem colorida de moeda de real - Projeção do PIB aumentou, diz CNI — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    “O quadro é consistente com os efeitos ainda predominantes da política monetária restritiva sobre os vetores da absorção doméstica e sobre os setores mais cíclicos da economia, particularmente a indústria de transformação, a construção e o comércio, em um ambiente de endividamento elevado”, diz trecho do documento. Diante do cenário atual, a Fazenda realiza uma revisão na projeção para o PIB e anunciou que isto é feito com “viés de baixa”. A previsão atual de crescimento do PIB de 2026 da pasta está atualmente em 2,3%.

    “A projeção da SPE para o PIB de 2026 é atualmente de 2,3%, encontrando-se em revisão para o próximo Boletim Macrofiscal, com viés de baixa”, afirmou a SPE na nota de terça.

    Os juros da economia são influenciados pela taxa básica, a Selic, índice que está em 14% ao ano. No entanto, a Fazenda e o próprio mercado criticam o patamar vigente dos juros na economia.

    Juros e endividamento pressionam futuro do PIB - destaque galeria
    Juros e endividamento pressionam futuro do PIB - destaque galeria — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    “O dado que chama mais atenção é o consumo das famílias, que caiu 0,4% na comparação com o primeiro trimestre. É uma sinalização clara de que os juros ainda elevados estão pesando sobre a demanda”, considera o conselheiro da Ancord, Pablo Spyer.

    A Selic está em ciclo de queda. A última redução foi de 0,25 ponto percentual, quando o patamar era de 14,25% ao ano. O próximo encontro do Copom para deliberar sobre a Selic está marcado para realização nos dias 15 e 16 deste mês.

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    Fachada do Ministério da Fazenda
    Fachada do Ministério da Fazenda — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Hugo Motta acertou com ministros que proposta alternativa do governo irá direto para comissão especial do MEI

    Na última quarta-feira (2/9), Banco Central publicou, por meio do Comitê de Estabilidade Financeira (Comef), uma nota demonstrando preocupação com a situação dos juros ao consumidor. A instituição afirmou que prepara medidas para reduzir os riscos associados à elevada participação de crédito mais caro na composição da dívida das famílias.

    “O Banco Central prepara medidas voltadas à mitigação dos riscos associados a essa dinâmica, de forma a fortalecer a sustentabilidade do crédito e a resiliência do sistema financeiro”, diz a autoridade monetária.

    Hugo Motta acertou com ministros que proposta alternativa do governo irá direto para comissão especial do MEI
    Hugo Motta acertou com ministros que proposta alternativa do governo irá direto para comissão especial do MEI — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    O endividamento está elevado, perto do recorde histórico (49,9%). O índice apurado pelo Banco Central é de 49,8% para as famílias endividadas. Evidência da preocupação do governo federal com o endividamento e o compromento de renda das famílias foi o lançamento, em 4 de maio deste ano, do programa Novo Desenrola Brasil, o Desenrola 2.0.

    A iniciativa visa a facilitar a renegociação de dívidas com juros menores para a população.

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    Banco Central — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles
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    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/brasil/juros-endividamento-pressionam-pib.

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