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    Juros altos desestimulam a expansão planejada, diz professora

    Vera Bermudo, da FGV, analisa, ao CNN Prime Time, o pedido de recuperação judicial da varejista e aponta descolamento no capital circulante como problema central

    CNN Brasil
    18 de agosto de 2026 às 06:55
    Juros altos desestimulam a expansão planejada, diz professora
    Foto: CNN Brasil

    As Casas Bahia apresentaram pedido de recuperação judicial, via fato relevante, no domingo (16). A situação da companhia, segundo Vera Bermudo, professora de finanças da FGV, ao CNN Prime Time é resultado de um somatório de fatores que se agravaram ao longo do tempo, especialmente após a recuperação extrajudicial realizada em 2024.

    O principal problema identificado por Bermudo é o grave descolamento no capital circulante líquido da empresa.

    "Os ativos circulantes que ela tem são menores do que o passivo circulante que ela tem", explicou. Na prática, isso significa que, mesmo que a companhia vendesse todos os seus bens e direitos de curto prazo, ainda assim não conseguiria quitar suas dívidas de curto prazo.

    Análise: Juro alto é golpe final em crise de anos da Casas Bahia
    Análise: Juro alto é golpe final em crise de anos da Casas Bahia — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Bermudo destacou que essa situação tem raízes na recuperação extrajudicial de 2024, quando as dívidas foram alongadas para o longo prazo a fim de dar tempo à empresa para se reorganizar.

    "Não feito isso, o que acontece agora é que as dívidas viram para o curto prazo", afirmou. As medidas estruturais necessárias para sanear a companhia — como o fechamento de lojas e a redução de custos — não foram adotadas naquele momento, o que agravou progressivamente a situação.

    Entre as consequências já anunciadas, estão o fechamento de aproximadamente 300 lojas e a demissão de cerca de 3 mil funcionários. Bermudo reconheceu o impacto humano dessas medidas, mas ponderou que tais ações já eram esperadas desde 2024 e que a ausência delas contribuiu para o aprofundamento da crise.

    Ações das Casas Bahia desabam 30% após pedido de recuperação judicial
    Ações das Casas Bahia desabam 30% após pedido de recuperação judicial — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    "Dado o cenário que se encontra as Casas Bahia, isso era algo já esperado há dois anos atrás, quando da recuperação extrajudicial e que não foi feita", disse.

    Sobre as prioridades de pagamento durante o processo de recuperação judicial, Bermudo explicou que o regramento legal estabelece uma ordem clara: dívidas trabalhistas, impostos e fornecedores têm precedência, enquanto os acionistas são os últimos a receber.

    A empresa, por sua vez, continua em funcionamento durante o processo .

    Ações das Casas Bahia desabam 30% após pedido de recuperação judicial
    Ações das Casas Bahia desabam 30% após pedido de recuperação judicial — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Questionada sobre os fatores estruturais que levaram a companhia a essa situação, Bermudo apontou a combinação entre o ambiente de juros elevados e decisões de gestão inadequadas. "Os juros altos não ajudam o varejo, isso é fato", afirmou.

    No entanto, ressaltou que as empresas precisam ter parcimônia ao se endividar em cenários de juros altos e que planos de expansão devem ser muito assertivos. Além disso, destacou que a eficiência operacional — gastar menos do que se arrecada — é um princípio fundamental que deve estar sempre presente na gestão empresarial.

    "Foi um somatório de elementos que levaram as Casas Bahia até esse momento, infelizmente", concluiu.

    Análise: Juro alto é golpe final em crise de anos da Casas Bahia
    Análise: Juro alto é golpe final em crise de anos da Casas Bahia — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/economia/juros-altos-desestimulam-a-expansao-planejada-diz-professora/.

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