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    Jurista Wálter Maierovitch defende fim das atribuições penais do STF

    No Roda Viva, desembargador aposentado cita mudanças que poderiam evitar crises na Corte

    UOL
    22 de setembro de 2026 às 05:00
    Jurista Wálter Maierovitch defende fim das atribuições penais do STF
    Foto: UOL

    O Roda Viva desta segunda-feira (22) recebe o jurista e professor Wálter Maierovitch.

    Durante a entrevista, o desembargador aposentado defende mudanças nas atribuições do Supremo Tribunal Federal (STF) como uma maneira de melhorar o funcionamento da Corte.

    Maierovitch sugere a aprovação de uma Emenda Constitucional para transformar o STF em uma Corte exclusivamente constitucional, retirando suas atribuições em questões penais . O jurista relembra as origens do modelo brasileiro, implementado em 1891 por Rui Barbosa após inspiração nos Estados Unidos, mas avalia que o formato atual permite distorções e "avacalhações". O estopim para as críticas recentes inclui práticas como o "habeas corpus canguru" concedido pelo ministro Gilmar Mendes a um banqueiro cuja prisão havia sido decretada por um juiz de primeiro grau.

    O que precisa mudar no STF? No #RodaViva , o jurista e professor Wálter Maierovitch cita medidas que poderiam melhorar o funcionamento do Supremo e evitar mais crises na corte. #TVCultura #SomosCultura pic.twitter.com/bB3i8nRRBq

    Para corrigir o sistema, o convidado defende a implementação de mandatos com prazo certo para os magistrados, a exemplo do que ocorre nas cortes constitucionais da Itália e da Alemanha, sem direito à recondução. Segundo Maierovitch, a alteração implicaria necessariamente no afastamento dos atuais integrantes da Corte para a transição institucional. " Esses ministros que estão lá não vieram para esse novo sistema. Então, são colocados em disponibilidade. Nós vamos ter como solução uma corte constitucional ", afirma.

    Durante a argumentação, o jurista esclarece que a colocação em disponibilidade não se trata de punição ou exoneração, mas de um instrumento do direito administrativo. Ele compara a situação à extinção de uma comarca de um juiz que, por ter garantias e ser inamovível, é colocado em disponibilidade caso não queira ser transferido para outro local.

    Reforma no Supremo e o papel do Congresso

    O jurista também aborda a dificuldade prática e política de realizar essa mudança, reconhecendo a atual inércia do Legislativo frente ao poder da Corte. Quando questionado sobre quem teria força para liderar essa alteração, visto que o Congresso Nacional tem sido alvo de diversas investigações autorizadas pelo próprio Supremo, Maierovitch reafirma seu compromisso institucional.

    " O Congresso está na mão do Supremo, com as investigações, das emendas. [...] mas nós temos que brigar pelo Estado de Direito ", pontua.

    Participam da bancada de entrevistadores: Fábio Zanini, editor do Painel da Folha de S.Paulo; Fausto Macedo, repórter de O Estado de S. Paulo e editor do blog Fausto Macedo no portal do Estadão; Luisa Moraes Abreu Ferreira, professora da FGV Direito SP; Luiz Megale, âncora da rádio BandNews FM; Michelle Asato, professora de Direito Constitucional e do programa de mestrado e doutorado em Direito Político e Econômico do Mackenzie; e Milton Jung, jornalista da CBN.

    Com apresentação de Ernesto Paglia, o Roda Viva vai ao ar na TV Cultura, com transmissão simultânea no YouTube e no site oficial da emissora.

    Vídeo: UOL · Fonte: UOL

    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://cultura.uol.com.br/noticias/74500_jurista-walter-maierovitch-defende-fim-das-atribuicoes-penais-do-stf.html.

    Foto: UOL

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