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    Julgamento expõe divisões no STF sem apontar solução para crise

    Discussão põe em xeque autoridade e procedimentos adotados por Fachin

    UOL
    16 de setembro de 2026 às 02:00
    Julgamento expõe divisões no STF sem apontar solução para crise
    Foto: UOL

    Contextualiza um acontecimento e aprofunda a compreensão de seus diversos ângulos

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    O ministro André Mendonça no STF, nesta terça-feira (15) - Gabriela Biló/Folhapress · Gabriela Biló/Folhapress
    O ministro André Mendonça no STF, nesta terça-feira (15) - Gabriela Biló/Folhapress · Gabriela Biló/Folhapress — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Jornalista, autor da newsletter Quatro Linhas, foi editor e repórter especial da Folha.

    Na véspera do julgamento realizado pelo Supremo Tribunal Federal nesta terça-feira (15), o ministro Edson Fachin anunciou o roteiro que seguiria na condução dos trabalhos como se estivesse se preparando para mais uma sessão rotineira da corte que preside. Ele se enganou.

    A confusão começou 45 minutos após o início da sessão, assim que ele concluiu a leitura do seu relatório. O ministro Flávio Dino pediu a palavra. Fachin sugeriu que esperasse um pouco e pediu que ministros que se julgassem impedidos de votar se manifestassem. Dois o fizeram.

    Sessão do STF analisa relação entre Moraes e Vorcaro, do Banco Master; veja fotos
    Sessão do STF analisa relação entre Moraes e Vorcaro, do Banco Master; veja fotos — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Dias Toffoli estava no meio das suas explicações quando Dino o interrompeu. Fachin o lembrou de esperar a vez, invocando sua autoridade como presidente do STF . Dino disse que ele não tinha poderes para impedi-lo de falar e seguiu em frente. Fachin protestou, mas logo silenciou.

    Nas horas que se seguiram, o roteiro proposto por Fachin foi posto de lado, e os aliados do ministro Alexandre de Moraes transformaram a sessão convocada para analisar as relações dele com o banqueiro Daniel Vorcaro num debate sobre a atuação do presidente do Supremo.

    Em vez de discutir as mensagens encontradas pela Polícia Federal no telefone de Vorcaro e o contrato milionário do Banco Master com o escritório de advocacia da mulher de Moraes, os ministros passaram o dia discutindo os procedimentos de Fachin para gerir a crise no tribunal.

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    Metade do plenário se alinhou com ele para analisar primeiro o caso de Moraes e depois as suspeitas sobre seu acusador, André Mendonça . A outra metade ficou com a alternativa sugerida por Gilmar Mendes , para julgar num único processo todos os citados no caso Master.

    A votação se aproximava do fim quando Dino, que já tinha votado para apoiar a proposta de Gilmar, pediu vistas para analisar melhor o caso. Luiz Fux e Cármen Lúcia , que ainda não tinham votado, seguiram Fachin e Mendonça, mas a manobra de Dino deixou tudo indefinido.

    Embora o placar pareça resolvido, fica tudo em suspenso até que Dino devolva o processo ao plenário. Pelas regras do tribunal, ele tem pelo menos 90 dias para fazê-lo. Votos poderão ser revistos quando ele o fizer. Haverá novos debates para decidir a quem o empate favorecerá.

    BRASILIA, DF,  BRASIL,  05-07-2024, 12h00: Fachada do Congresso Nacional, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER)
    BRASILIA, DF, BRASIL, 05-07-2024, 12h00: Fachada do Congresso Nacional, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER) — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Fachin marcou para o próximo dia 23 outro julgamento, em que deverão ser analisadas as suspeitas sobre a atuação de Mendonça, acusado por Moraes e seus aliados de agir com parcialidade, com o objetivo de tumultuar o processo eleitoral a semanas do primeiro turno.

    Se o julgamento de Mendonça for mantido, terá tudo para se transformar em palco para outro confronto entre as duas alas em que o tribunal se dividiu. Se for adiado, para esperar que Dino devolva o caso de Moraes ao plenário, ou por outra razão qualquer, o tumulto só aumentará.

    Vazamentos de mensagens com potencial para incriminar outros integrantes do STF, incluindo Fux e Kassio Nunes Marques, que se declarou impedido e se retirou da sessão desta terça, começaram a se multiplicar antes do julgamento e certamente se repetirão nos próximos dias.

    Ignorando os apelos de Fachin, que pediu serenidade ao abrir a sessão, a maioria preferiu tratar os adversários com ofensas e ironias. Interrupções se tornaram frequentes depois que Fachin reconheceu que Dino podia falar sem sua licença se outro colega lhe desse a palavra.

    O procurador-geral da República, Paulo Gonet , que defende a nulidade do relatório da PF que expôs as mensagens de Vorcaro e Moraes, onde o próprio Gonet também é citado, só rompeu o silêncio durante a sessão para trocar gentilezas com Mendonça, que o isentou de suspeitas.

    Uma das questões que o julgamento desta terça deixou em aberto é o destino do parecer do procurador. Para Moraes, o plenário da corte não pode abrir investigação sobre as suspeitas que pesam contra ele sem que exista um pedido do Ministério Público Federal .

    Único integrante do tribunal a pedir desculpas pelo espetáculo oferecido à arquibancada, Cármen Lúcia sugeriu que poderá devolver o parecer de Gonet com recomendação para que analise melhor os indícios reunidos pelo relatório da PF em vez de engavetá-lo sumariamente.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/09/julgamento-expoe-divisoes-no-stf-sem-apontar-solucao-para-crise.shtml.

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    O ministro André Mendonça no STF, nesta terça-feira (15) - Gabriela Biló/Folhapress · Gabriela Biló/Folhapress — Foto: UOL

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