Brasil

    Juíza decide que punição dos EUA à Anthropic foi ilegal após negociação frustrada com Pentágono

    Startup de IA foi classificada como

    UOL
    28 de agosto de 2026 às 13:00
    Juíza decide que punição dos EUA à Anthropic foi ilegal após negociação frustrada com Pentágono
    Ex-presidente dos EUA em terno azul e gravata rosa fala ao lado de dois militares da Força Aérea dos EUA em uniforme formal, em área externa com veículos ao fundo. — Foto: UOL

    Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

    Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

    Uma juíza federal decidiu nessa quinta-feira (27) que o governo Donald Trump agiu de forma ilegal ao classificar a Anthropic como um risco à segurança e impedir a startup de inteligência artificial de trabalhar com órgãos federais.

    Donald Trump fala com apoiadores ao desembarcar no aeroporto em Houston (EUA) - Win McNamee - 27.ago.26/Getty Images via AFP · Win McNamee - 27.ago.26/Getty Images via AFP
    Donald Trump fala com apoiadores ao desembarcar no aeroporto em Houston (EUA) - Win McNamee - 27.ago.26/Getty Images via AFP · Win McNamee - 27.ago.26/Getty Images via AFP — Foto: UOL · Fonte: UOL

    A juíza Rita Lin, do Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Norte da Califórnia, determinou que o governo retaliou ilegalmente contra a Anthropic "por atividades de expressão protegidas pela Constituição", depois que a empresa de IA se manifestou sobre como sua tecnologia deveria ser usada.

    "A invocação vazia da segurança nacional não é um cheque em branco para punir e retaliar contra críticos do governo", escreveu ela em uma decisão de 59 páginas. Em março, o Pentágono classificou a startup de IA como um risco à segurança nacional e impediu o uso de seus modelos pelos órgãos governamentais.

    "Recebemos com satisfação a decisão do tribunal de que essa classificação como risco à cadeia de suprimentos foi ilegal. Continuamos empenhados em trabalhar de forma produtiva com o governo para aproveitar a IA em prol de nossa segurança nacional, de modo que todos os americanos se beneficiem dessa tecnologia", afirmou a Anthropic.

    Imagem da matéria
    Foto: UOL · Fonte: UOL

    O governo Trump não respondeu de imediato a um pedido de comentário.

    A decisão encerra a primeira de duas ações judiciais apresentadas pela Anthropic em 9 de março , em resposta à medida do governo Trump. A segunda ação, ajuizada no Tribunal de Apelações dos Estados Unidos para o Circuito do Distrito de Columbia, continua em andamento. O governo Trump poderá recorrer da decisão de Lin ou aguardar uma decisão na segunda ação antes de tomar providências, segundo uma pessoa com conhecimento do assunto.

    A decisão da Califórnia é o capítulo mais recente do embate entre o governo Trump e a Anthropic, que caminha para o que pode ser a maior IPO (oferta pública inicial de ações) da história.

    (FILES) An illustration photograph taken on February 20, 2025 shows ChatGPT app and website are displayed on a phone and laptop screens, in a residential property in Guildford, south of London. The American company OpenAI announced on Septe
    (FILES) An illustration photograph taken on February 20, 2025 shows ChatGPT app and website are displayed on a phone and laptop screens, in a residential property in Guildford, south of London. The American company OpenAI announced on Septe — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Os dois lados entraram em confronto no início do ano por causa de um contrato de US$ 200 milhões para fornecer ao Pentágono tecnologia de IA destinada a sistemas sigilosos. A Anthropic insistiu que sua tecnologia não fosse usada na vigilância em massa de norte-americanos nem em armas letais autônomas . O Pentágono afirmou que uma empresa privada não poderia definir políticas para o governo dos Estados Unidos.

    As partes não conseguiram chegar a um acordo. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, anunciou então que a Anthropic representava um "risco à cadeia de suprimentos", uma classificação formal que antes havia sido usada contra empresas estrangeiras consideradas pelo governo uma ameaça à segurança nacional. A classificação significava que nenhum prestador de serviços ou fornecedor que trabalhasse com as Forças Armadas poderia fazer negócios com a Anthropic.

    Nas ações judiciais, a Anthropic argumentou que as disposições legais para classificá-la como risco à cadeia de suprimentos tinham alcance restrito e não se aplicavam a empresas norte-americanas. A companhia também afirmou que a classificação tinha motivação ideológica e visava puni-la, além de violar seus direitos garantidos pela Primeira Emenda.

    Antes da decisão, Lin havia afirmado que o argumento do Pentágono —de que as críticas públicas da Anthropic ao governo justificavam impedir a empresa de IA de prestar serviços ao governo federal— era "realmente preocupante". Ela também disse não ter visto provas que sustentassem as alegações do governo de que a Anthropic poderia "acionar uma espécie de interruptor de emergência" para potencialmente desativar ou alterar seus modelos de IA durante uma guerra.

    Em sua decisão final nesta quinta-feira, Lin afirmou que o governo Trump havia recuado de muitas de suas principais alegações de que a Anthropic poderia sabotar a própria tecnologia. Ela escreveu que a decisão do governo de impedir a empresa de atuar no setor federal se resumiu ao "desejo de fazer da Anthropic um exemplo público por sua ‘arrogância’ ao criticar o governo".

    Ela acrescentou que as negociações em andamento entre o governo Trump e a Anthropic sobre seu novo modelo de IA, Mythos , demonstravam que a empresa não era uma ameaça nacional.

    Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes.

    Em junho, o governo Trump ordenou que a Anthropic restringisse o acesso de seus clientes ao Mythos , citando preocupações de segurança nacional. Após duas semanas de negociações, o governo permitiu que a Anthropic restabelecesse o acesso para a maioria dos clientes depois de acrescentar algumas salvaguardas.

    Na ocasião, o secretário de Comércio, Howard Lutnick, agradeceu à Anthropic e acrescentou que a empresa havia se comprometido a trabalhar com o governo na elaboração de protocolos para futuros lançamentos de modelos de IA.

    Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!

    Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?

    Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.

    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/tec/2026/08/juiza-decide-que-punicao-dos-eua-a-anthropic-foi-ilegal-apos-negociacao-frustrada-com-pentagono.shtml.

    Imagem 1
    1 / 3

    Donald Trump fala com apoiadores ao desembarcar no aeroporto em Houston (EUA) - Win McNamee - 27.ago.26/Getty Images via AFP · Win McNamee - 27.ago.26/Getty Images via AFP — Foto: UOL

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)