Juiz ordena que presidente da Colômbia oculte das redes vídeos ao lado de cadáveres
Abelardo de la Espriella é alvo de críticas por divulgar imagens de corpos após operações militares

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Um juiz da Colômbia ordenou na quarta-feira (9) que o presidente Abelardo De la Espriella oculte das redes sociais da Presidência vídeos em que ele aparece caminhando entre cadáveres de supostos criminosos mortos pelas forças de segurança.

A decisão foi divulgada pela agência AFP, que teve acesso ao processo judicial. O líder de ultradireita chegou ao poder há um mês com a promessa de combater com mão dura guerrilheiros e outras organizações criminosas que disputam o controle do narcotráfico no país.
Desde então, o Exército realizou três bombardeios que mataram ao menos 42 pessoas, entre elas 6 menores de idade, na Amazônia e na fronteira com a Venezuela.
Espriella recebeu críticas por vários vídeos publicados no perfil oficial da Presidência no início deste mês, nos quais aparece caminhando em meio a corpos envolvidos em sacos plásticos brancos após informar sobre o resultado das operações.

Um parlamentar do Partido Verde, de centro-esquerda, acionou a Justiça para solicitar a remoção do conteúdo. Um juiz de um tribunal de Bogotá aceitou o pedido e ordenou provisoriamente "a ocultação das publicações" feitas por Espriella "enquanto não houver uma decisão definitiva (...), sem que isso implique sua eliminação definitiva".
Espriella trava uma guerra aberta contra organizações ilegais com o apoio dos Estados Unidos . O chefe da diplomacia de Washington, Marco Rubio , se reuniu com Espriella na cidade costeira de Barranquilla, na Colômbia, durante a primeira parada de uma viagem pela América Latina .
Os EUA estão intensificando o envolvimento em segurança com a região em questões que incluem migração e tráfico de drogas, em meio a um esforço para reafirmar a influência de Washington em toda a América Latina. Rubio viajará ainda nesta semana para o Equador, onde se encontrará com o presidente Daniel Noboa, e depois para o Peru , para conversas com a presidente recém-eleita, Keiko Fujimori .

O governo de Espriella também anunciou que realizará testes para pulverizar plantações de drogas com o herbicida glufosinato de amônio, considerado perigoso pela OMS (Organização Mundial da Saúde).
A Colômbia, maior produtora mundial de cocaína, suspendeu em 2015 as fumigações com glifosato devido aos impactos sobre a saúde e o meio ambiente. Espriella chegou ao poder prometendo retomar a prática, mas com herbicidas diferentes do glifosato, acusado de provocar malformações em moradores de áreas isoladas.
A newsletter da Folha sobre América Latina, editada pela historiadora e jornalista Sylvia Colombo

Segundo documento publicado na quarta-feira no Diário Oficial, o governo fará uma "fase experimental" com glufosinato de amônio, classificado pela OMS como "moderadamente perigoso".
O documento não informa quando nem onde serão realizados os testes, que ficarão a cargo da polícia.
O uso do glifosato foi suspenso por decisão do ex-presidente Juan Manuel Santos, vencedor do Nobel da Paz. Durante as negociações de paz com as Farc, Santos acatou um alerta da OMS que classificava o herbicida como "possivelmente" cancerígeno.
A Justiça posteriormente condicionou a retomada das fumigações à elaboração de um plano acordado com as comunidades.
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Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/09/juiz-ordena-que-presidente-da-colombia-oculte-das-redes-videos-ao-lado-de-cadaveres.shtml.

O presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, anuncia operação militar com corpos no chão - Reprodução · Reprodução — Foto: UOL
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