Brasil

    JPMorgan reduz recomendação para ações brasileiras e cita volatilidade eleitoral

    O banco JPMorgan reduziu nesta terça-feira (11) a recomendação para ações brasileiras de "overweight" (acima da média) para "neutra". O relatório indica que a queda mais lenta nos juros e um processo de desinflação também mais demorado devem pressionar o mercado acionário brasileiro durante o restante do ano. Leia mais (08/11/2026 - 17h11)

    Folha de S.Paulo
    11 de agosto de 2026 às 20:11
    JPMorgan reduz recomendação para ações brasileiras e cita volatilidade eleitoral
    Dois homens de costas, um apontando para tela grande que exibe gráfico em queda do índice IBOV, com valores em vermelho indicando perdas. Tela mostra variações de ações e dados financeiros em fundo preto. — Foto: Folha de S.Paulo

    Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

    Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

    O banco JPMorgan reduziu nesta terça-feira (11) a recomendação para ações brasileiras de "overweight" (acima da média) para "neutra". O relatório indica que a queda mais lenta nos juros e um processo de desinflação também mais demorado devem pressionar o mercado acionário brasileiro durante o restante do ano.

    Uma pessoa aponta para um painel eletrônico que exibe informações sobre flutuações recentes de índices de mercado na B3, em São Paulo - Amanda Perobelli - 4.abr.2025/Reuters · Amanda Perobelli - 4.abr.2025/Reuters
    Uma pessoa aponta para um painel eletrônico que exibe informações sobre flutuações recentes de índices de mercado na B3, em São Paulo - Amanda Perobelli - 4.abr.2025/Reuters · Amanda Perobelli - 4.abr.2025/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "Do ponto de vista doméstico, a forte queda dos juros que esperávamos no início do ano não se concretizou, e projetamos que a Selic encerre o ano em 13,75%, o que não deverá produzir um impacto significativo sobre as ações", diz a instituição em relatório assinado pelos analistas Rodolfo Angele, Emy Shayo Cherman, Adrian E. Huerta e Diego Celedon.

    O banco também menciona a volatilidade associada às eleições no Brasil. Segundo a instituição, em períodos eleitorais, a Bolsa brasileira tende a apresentar desempenho inferior.

    "As perspectivas para a política econômica continuam incertas, já que quem vencer as eleições de outubro terá de lidar com taxas de juros reais elevadas e com déficit fiscal. Do ponto de vista mais técnico, o Brasil costuma apresentar desempenho inferior nos seis meses que antecedem as eleições", afirma.

    Estreito de Hormuz: crise afeta petróleo, fertilizantes e exportações do Brasil
    Estreito de Hormuz: crise afeta petróleo, fertilizantes e exportações do Brasil — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O banco vê uma disputa eleitoral competitiva e de resultado incerto. No relatório, os analistas consideram improvável o surgimento de um terceiro candidato competitivo que possa se colocar entre "os candidatos polarizadores Lula e [Flávio] Bolsonaro". "Acreditamos que a eleição será um importante catalisador para a precificação dos ativos daqui para frente e preferimos manter uma posição neutra no período que a antecede."

    Para os analistas do banco, a economia brasileira tende a desacelerar nos próximos trimestres, com exceção do primeiro trimestre de 2027, quando a economia deverá ser beneficiada pela safra agrícola. A instituição também menciona um processo de desinflação mais lento do que o previsto, afetado pela alta dos preços do petróleo e pelos El Niño, além de uma possível piora no ciclo de crédito.

    "Além disso, a proposta de reforma da escala 6x1, com o objetivo de reduzir a jornada de trabalho, representa outro potencial risco de alta para o IPCA, ainda que o momento de implementação e o repasse para os preços permaneçam incertos."

    Imagem da matéria
    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O banco recomenda maior exposição a ações relacionadas a commodities, "pela maior visibilidade dos fluxos de caixa, pelo suporte dos preços e, em geral, pela menor sensibilidade às condições domésticas de crédito".

    "Evitamos ações domésticas cíclicas, nas quais os juros ainda elevados, uma desinflação mais lenta e uma possível piora do ciclo de crédito podem pressionar os resultados dos próximos trimestres", afirma.

    O banco também diz preferir ações com maior exposição internacional, em meio à volatilidade eleitoral e às incertezas macroeconômicas, além de empresas com melhora no desempenho dos lucros e um mix de produtos diferenciados, com itens de alta demanda. Entre as preferências, Embraer, WEG, Vale, Suzano, BTG e Itaú são citados como opções

    Ilustração para Economia - Governo vai implantar sistema de chamadas verificadas contra fraudes telefônicas - Ferramenta será capaz de indicar se ligação partiu ou não de origem confiável
    Ilustração para Economia - Governo vai implantar sistema de chamadas verificadas contra fraudes telefônicas - Ferramenta será capaz de indicar se ligação partiu ou não de origem confiável — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes.

    A perspectiva é de que o cenário macroeconômico continue pressionando as empresas no restante do ano, em contraste com o otimismo que predominava no início de 2026.

    Em janeiro , o Morgan Stanley projetava, em um cenário favorável, alta de até 46% para a Bolsa brasileira, o que levaria o Ibovespa aos 250 mil pontos. A projeção considerava, entre outros fatores, o fim do ciclo de alta dos juros.

    A guerra no Irã aumentou o temor de um repique inflacionário, especialmente por seus efeitos sobre os preços do petróleo, contribuindo para manter os juros em patamar elevado. Ao mesmo tempo, o alto endividamento das famílias tem freado o consumo.

    O cenário já tem pressionado diferentes setores, como bancário e varejista . Os bancos sinalizaram maior cautela na concessão de crédito para reduzir o risco de calotes, enquanto empresas do varejo revisaram suas projeções para o restante do ano.

    Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!

    Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?

    Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.

    De 2ª a 6ª pela manhã, receba o boletim gratuito com notícias e análises de economia

    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/08/jpmorgan-reduz-recomendacao-para-acoes-brasileiras-e-cita-volatilidade-eleitoral.shtml.

    Imagem 1
    1 / 4

    Uma pessoa aponta para um painel eletrônico que exibe informações sobre flutuações recentes de índices de mercado na B3, em São Paulo - Amanda Perobelli - 4.abr.2025/Reuters · Amanda Perobelli - 4.abr.2025/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)