Jovens leitores saem do TikTok e criam clube de livro presencial
Quando a advogada Nathalia Aragão se deparou com um vídeo no TikTok que convidava a um clube de leitura viu ali uma oportunidade de encontrar outras mulheres de São Paulo que gostassem de ler e discutir livros . Ela deixou um comentário e, em pouco tempo, recebeu diversas respostas. Uma delas veio da jornalista Aline Silva. Leia mais (09/11/2026 - 04h00)

Mídias sociais e a vida em rede, editado pela equipe de Interação
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Quando a advogada Nathalia Aragão se deparou com um vídeo no TikTok que convidava a um clube de leitura viu ali uma oportunidade de encontrar outras mulheres de São Paulo que gostassem de ler e discutir livros . Ela deixou um comentário e, em pouco tempo, recebeu diversas respostas. Uma delas veio da jornalista Aline Silva.
Da interação surgiu o primeiro encontro presencial em janeiro de 2024. Juntas, elas fundaram o Alouettes , clube que hoje conta com 12 integrantes. "O nome foi inspirado na personagem da primeira obra que lemos, "Divinos Rivais", de Rebecca Ross, à época um sucesso no TikTok", diz Nathalia.
Desde então, o grupo se reúne mensalmente e já devorou mais de 30 livros. Entre eles, "A Natureza da Mordida", de Carla Madeira , "Noiva", de Ali Hazelwood, e " Carrie, a Estranha ", de Stephen King .

O encontro de agosto aconteceu em uma cafeteria da capital paulista, e o livro da vez foi "O Rouxinol", de Kristin Hannah, romance ambientado na França durante a Segunda Guerra Mundial .
À mesa, as jovens, que têm entre 19 e 35 anos, abrem a discussão da tarde de sábado com um dilema: estamos na França de 1940. Uma mulher vive em um país ocupado por nazistas e cada decisão é questão de sobrevivência. Sob o mesmo teto, ela abriga —sem escolha— um soldado alemão e adota uma criança judia órfã cuja identidade deve ser escondida. No lugar da protagonista, o que você faria diferente?
A pergunta, sorteada entre vários papéis num potinho de vidro, é o ponto de partida para o debate sobre as escolhas da personagem Vianne. "Ela foi bem negligente em adotar uma criança judia, colocou a família em risco", destaca a participante Débora Brito.

"Mas ela não tinha nada a perder. Tudo que conhecia como vida já havia sido levado pela guerra. O marido foi lutar, ela está passando fome. O que ela tinha a perder?", reflete Bruna Mauricio. "Acho ela corajosa, mas eu não teria coragem", salienta Thamiris Tales, enquanto todas riem.
Elas não estão sozinhas na busca pela leitura compartilhada . Dados do TikTok mostram este movimento das telas para os encontros presenciais. A hashtag #clubedelivros reúne mais de 39 mil publicações, enquanto #bookclub ultrapassa 3,8 milhões. No Brasil, as buscas por "clube do livro" cresceram 1.800% nos últimos três meses.
O fenômeno dá nova roupagem a uma tradição antiga: algoritmos ampliam a possibilidade de encontrar pessoas com interesses literários semelhantes. No Alouettes, o TikTok leva novas usuárias ao perfil do clube @alouettesbookclub.
A dinâmica combina encontros presenciais com hábitos digitais. Sobre a mesa da cafeteria, por exemplo, predominam os Kindles. "O mercado editorial está muito caro, é uma facada pagar R$ 70 em um livro. Por isso, preferimos ler pelo Kindle", avalia Julia Lourençoni. "Ou então ouvir pelo audiobook, ótimo para o transporte lotado de SP."
As obras selecionadas, muitas vezes, figuram entre os sucessos do TikTok. No início ou ao fim do encontro, as participantes avaliam o livro com plaquinhas "instagramáveis", de uma a cinco estrelas. O resultado vira um vídeo para o perfil do clube na plataforma.
"O Rouxinol" recebeu média de quatro estrelas, mas nem todo sucesso do TikTok agrada. "‘O Clube do Crime das Quintas-Feiras’ teve o maior índice de abandono", lembra Isabelle Canavezzi.
O compromisso com o clube também mudou a relação das jovens com a leitura. Algumas resgataram um hábito perdido com a correria da vida adulta; outras descobriram novos gêneros. "Eu tinha uma aversão muito grande à fantasia, mas, depois de ‘Quarta Asa’, isso mudou", conta Aline.
Além dos encontros mensais, elas compartilham festas temáticas, idas ao cinema e a shows no perfil do TikTok. "No final, o clube foi além da literatura , é um espaço de amizade e confidências", resume Rafaela Ramos, tesoureira do grupo que organiza os encontros.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/blogs/hashtag/2026/09/jovens-leitores-saem-do-tiktok-e-criam-clube-de-livro-presencial.shtml.

As enfermeiras brasileiras da 2ª Guerra Mundial — Foto: Folha de S.Paulo
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