Jones Manoel mira Presidência pensando nas crises da geração Z
"Não tem essa de já ganhou" diz o historiador comunista Jones Manoel , candidato a deputado federal por Pernambuco que se tornou um dos maiores nomes da esquerda brasileira nas redes sociais. Seu perfil no Instagram conta com mais de 2 milhões de seguidores, e já recebeu mais de R$ 600 mil em doações de seus apoiadores. Leia mais (09/29/2026 - 14h37)

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"Não tem essa de já ganhou" diz o historiador comunista Jones Manoel , candidato a deputado federal por Pernambuco que se tornou um dos maiores nomes da esquerda brasileira nas redes sociais. Seu perfil no Instagram conta com mais de 2 milhões de seguidores, e já recebeu mais de R$ 600 mil em doações de seus apoiadores.

Ele ganhou fama por vídeos de análise política e participação em debates contra figuras da direita. A uma semana da eleição, o candidato do PSOL afirma que, se eleito, será o primeiro deputado comunista do estado.
Veja a seguir entrevista que ele concedeu ao Folhateen.
O senhor chegou a defender uma candidatura sua à Presidência, mas vai disputar uma vaga de deputado federal. O que aconteceu? A gente deveria ter uma candidatura presidencial comunista revolucionária , capaz de apresentar um programa de revolução brasileira, de perspectiva antineoliberal, e de arrastar essa juventude para não deixar que a nova geração vá para o campo da direita e da extrema direita. Infelizmente, não tivemos espaço partidário.

As pesquisas de opinião já mostram que Lula tem pouca penetração na juventude. O discurso dele é muito voltado a um público de 40 anos para cima do que para quem tem de 15 a 25. Dá para contar nos dedos quantas figuras de esquerda vêm conseguindo dialogar com a juventude e ter bases sociais nela. E disputar a juventude é disputar o futuro. Sair candidato a deputado federal foi um caminho escolhido coletivamente para acumular forças para o campo revolucionário.
Como avalia a importância da estratégia digital para esta campanha? A gente não está conseguindo ter uma estratégia digital eficiente pois somos vítimas de uma série de coisas estranhas. Até 27 de agosto, meus perfis na Meta estavam restritos. Eu estava proibido de fazer anúncios. Tivemos que entrar na Justiça para retirar essa restrição. O grau de entrega da nossa rede está muito baixo e sofremos uma restrição não justificada.
Muitos jovens hoje vivem entre bicos, informalidade e falta de perspectiva. O que está por trás disso? O projeto econômico vigente no Brasil. Temos uma economia de capitalismo dependente e neoliberal, que tem como premissa o fortalecimento das atividades primárias exportadoras: soja, carne, minério bruto, petróleo bruto. De outro lado, uma acumulação rentista, financeirizada, que se expressa no poder dos bancos e dos fundos de investimento. E o capital estrangeiro é o terceiro pé desse tripé que domina a economia brasileira: agroexportação, rentismo e capital estrangeiro.

É uma economia que se desindustrializa cada vez mais, que depende da importação de tecnologia e ocupa um papel subordinado na divisão internacional do trabalho. Para fazer uma grande plantation de soja de exportação, basta um ou outro profissional, uma faculdadezinha aqui, outra ali. É uma cadeia que não demanda emprego em massa, nem emprego complexo.
E o dado de jovens que nem estudam nem trabalham, como o senhor vê? É gravíssimo, mas eu diria que um dado mais grave ainda é o endividamento das famílias. Temos 90 milhões de famílias endividadas. Saiu um dado mostrando que 9,1 milhões de empresas estão inadimplentes no Brasil. A economia brasileira está sendo asfixiada pelo rentismo.
Enquanto não se oferecem alternativas para questões como essa, a tendência é a juventude cair cada vez mais na desesperança. O jovem passa a achar que o caminho para o sucesso e a prosperidade é virar influencer, abrir uma conta no TikTok, virar youtuber, abrir uma conta no OnlyFans ou Privacy.
Pernambuco aparece há anos entre os estados com maior desemprego do país. Por quê? A industrialização e consequentemente, os serviços complexos se concentraram muito mais no Sudeste e no Sul do que no Nordeste. A economia pernambucana é pouco diversificada, sem aplicação de tecnologia.
Nos últimos tempos, aconteceu um certo "mini boom" de emprego no estado, mas a partir de obras de construção civil do programa de recuperação de estradas do governo estadual, o PE na Estrada. Muito bom: recupera a estrada e gera emprego imediato. Mas é emprego sazonal. Quando acabarem as obras, esses empregos vão embora. Mesmo com o programa, Pernambuco continua com o segundo maior desemprego do Brasil.
O senhor tem projeção nacional, mas vai disputar uma vaga por Pernambuco. Se eleito, o seu mandato vai ser pernambucano ou nacional? Vai ser um mandato comunista, uma novidade. A ideia é um mandato participativo, em que o planejamento e a destinação das emendas sejam decididos em plenárias deliberativas nos territórios, no agreste, no sertão, na zona da mata. Mas, atuando como parlamentar, nossos projetos de lei vão necessariamente tratar de temas nacionais.
Um exemplo: defendemos uma lei de teto de juros, que limite a taxa a no máximo 10% ao ano para toda e qualquer modalidade de financiamento. Também defendemos uma política nacional de mobilidade estudantil intermunicipal , com recursos federais para garantir que estudantes de universidades públicas não abandonem o curso por não ter dinheiro para o transporte.
Temos feito o debate sobre retomar setores estratégicos que foram privatizados, Aqui em Pernambuco, vamos lutar muito para reverter a privatização da Compesa, a companhia de saneamento e distribuição de água. Isso vai ter impacto nacional, porque essa privatização não acontece só aqui, acontece no Brasil inteiro.
Os problemas de Pernambuco têm especificidades, mas não são só de Pernambuco. São problemas nacionais
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/folhateen/2026/09/jones-manoel-mira-presidencia-pensando-nas-crises-da-geracao-z.shtml.

O historiador e comunicador Jones Manoel - Rebecca Buzato/Divulgação · Rebecca Buzato/Divulgação — Foto: Folha de S.Paulo
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