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    Jiraiya das bombas: quem é o líder de esquema ilegal de anabolizantes

    Roberto Carlos Pereira é apontado como um dos maiores traficantes de anabolizantes do país. Ele foi preso na última 4ª feira (12/8)

    Metrópoles
    17 de agosto de 2026 às 02:29
    Jiraiya das bombas: quem é o líder de esquema ilegal de anabolizantes
    Foto: Metrópoles

    Conhecido no submundo das academias como “Jiraiya”, Roberto Carlos Pereira de Carvalho (foto em destaque) é apontado pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) como um dos maiores traficantes de anabolizantes e medicamentos proibidos do país.

    Conhecido no submundo das academias como “Jiraiya”, Roberto Carlos Pereira de Carvalho

    Apontado pela PCDF como um dos maiores traficantes de anabolizantes e medicamentos proibidos do país.

    Material obtido pelo Metrópoles
    Material obtido pelo Metrópoles — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Segundo as investigações, o esquema movimentava cerca de R$ 500 mil líquidos por mês

    Apontado pelos investigadores como o “mafioso das bombas”, Jiraiya evitava permanecer por muito tempo no mesmo endereço

    A Justiça expediu 43 mandados de prisão (preventivas e temporárias) e 64 mandados de busca e apreensão

    Jiraiya das bombas: quem é o líder de esquema ilegal de anabolizantes
    Jiraiya das bombas: quem é o líder de esquema ilegal de anabolizantes — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Sem colocar a mão na massa, o criminoso comandava uma estrutura milionária de produção e distribuição clandestina. Segundo as investigações, o esquema movimentava cerca de R$ 500 mil líquidos por mês e mantinha laboratórios espalhados por São Paulo, Paraíba, Distrito Federal, Foz do Iguaçu (PR) e Paraguai.

    Apontado pelos investigadores como o “mafioso das bombas”, Jiraiya evitava permanecer por muito tempo no mesmo endereço. P ara dificultar o trabalho da polícia, ele alugava mansões de alto padrão em diferentes estados e usava os imóveis para instalar laboratórios clandestinos.

    A fabricação dos produtos ficava a cargo de funcionários contratados por ele. A logística também era terceirizada, com distribuição feita por motoboys e serviços de delivery. Dessa forma, Jiraiya mantinha distância da produção e da entrega dos anabolizantes.

    Jiraiya das bombas: quem é o líder de esquema ilegal de anabolizantes - destaque galeria
    Jiraiya das bombas: quem é o líder de esquema ilegal de anabolizantes - destaque galeria — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    A ostentação fazia parte da rotina. Segundo a PCDF, o investigado frequentava hotéis de luxo no Chile e mantinha um bunker em Ciudad del Este, no Paraguai, usado como parte da estrutura do esquema.

    Além da produção e distribuição, as investigações apontam que Jiraiya utilizava o laboratório New Science para patrocinar nutricionistas e atletas, que prescreviam e divulgavam os produtos comercializados pelo grupo.

    A Justiça chegou a determinar o bloqueio de até R$ 5 milhões ligados ao investigado. Elefoi preso pela PCDF na última quarta-feira (12/8).

    Apontado pela PCDF como um dos maiores traficantes de anabolizantes e medicamentos proibidos do país.
    Apontado pela PCDF como um dos maiores traficantes de anabolizantes e medicamentos proibidos do país. — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    A engrenagem do criminoso ruiu nas primeiras horas desta quarta-feira (12/8), com a deflagração da Operação Narciso pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) , por meio da Corf, ação que desarticulou a complexa teia que ligava insumos asiáticos a ampolas letais vendidas no mercado nacional.

    Ao todo, a Justiça expediu 43 mandados de prisão (preventivas e temporárias) e 64 mandados de busca e apreensão, além de determinar o bloqueio e sequestro de R$ 32 milhões em ativos financeiros e a quebra de sigilo bancário de 58 alvos.

    O esquema contava com conexões em oito estados, além do DF, e uma ponte direta com a fabricação clandestina no Paraguai. As ações ocorrem nos seguintes estados: Santa Catarina, Acre, São Paulo, Goiás, Rio Grande do Norte, Paraíba, Paraná e Minas Gerais.

    Segundo as investigações, o esquema movimentava cerca de R$ 500 mil líquidos por mês
    Segundo as investigações, o esquema movimentava cerca de R$ 500 mil líquidos por mês — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Dinheiro que estava na casa de um dos investigados

    Megaoperação da PCDF contra comércio clandestino de

    A investigação revelou uma complexa engrenagem criminosa voltada à fabricação caseira, ao fornecimento de insumos, à rotulagem, à divulgação e à comercialização de anabolizantes, medicamentos controlados, produtos veterinários e suplementos com substâncias ocultas.

    Apontado pelos investigadores como o “mafioso das bombas”, Jiraiya evitava permanecer por muito tempo no mesmo endereço
    Apontado pelos investigadores como o “mafioso das bombas”, Jiraiya evitava permanecer por muito tempo no mesmo endereço — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Mais de 20 estabelecimentos comerciais foram lacrados, 10 veículos de luxo apreendidos e mais de 30 sites de venda ilegal acabaram sendo tirados do ar. A organização criminosa contava com a participação de nutricionistas, biomédicos, veterinários, personal trainers e influenciadores digitais .

    A apuração teve origem na Operação Béquer , desencadeada em fevereiro do ano passado, após busca no apartamento de Carlos Henrique Rodrigues de Abreu. No local, foram apreendidos anabolizantes, insumos, cápsulas, rótulos e dois celulares.

    A análise dos aparelhos revelou a fabricação residencial de produtos associados a Fellipe Dias e Felipe Semani, criadores das marcas clandestinas AlphaLabs, Mega Burner e Libid Up, além de expor uma teia de fornecedores, gráficas, motoboys e laboratórios undergrounds como HydraPharmace, Skullredlab, Sypharma, Eurolabs, New Science, GC e Yellow B. Todos os laboratórios são alvos de mandados de busca, e seus proprietários possuem mandado de prisão preventiva ou temporária expedidos pela Justiça.

    A Justiça expediu 43 mandados de prisão (preventivas e temporárias) e 64 mandados de busca e apreensão
    A Justiça expediu 43 mandados de prisão (preventivas e temporárias) e 64 mandados de busca e apreensão — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    De acordo com as investigações conduzidas pelo delegado Rodrigo Carbone , o coração do esquema operava sob o termo “cozimento”: a fabricação artesanal de substâncias injetáveis e orais em fundos de quintal, cozinhas residenciais, depósitos e locais improvisados, em fogo alto e sem qualquer assepsia ou controle sanitário.

    Para aumentar o rendimento dos produtos e maximizar os lucros, os criminosos misturavam insumos importados da Índia, da China e do Paraguai a ingredientes altamente perigosos:

    Roberto Carlos Pereira de Carvalho, o Jiraiya

    Jiraiya das bombas: quem é o líder de esquema ilegal de anabolizantes - destaque galeria
    Jiraiya das bombas: quem é o líder de esquema ilegal de anabolizantes - destaque galeria — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Função : apontado como um dos maiores traficantes de anabolizantes do país. Dono de laboratórios clandestinos espalhados por São Paulo, Paraíba, DF, Foz do Iguaçu (PR) e Paraguai.

    Atuação : faturava R$ 500 mil líquidos por mês. Nunca “colocava a mão na massa”: contratava funcionários para fabricação e logística em mansões alugadas. Patrocinava nutricionistas e atletas (através do laboratório New Science) para prescreverem e divulgarem seus produtos. Vivia entre o Brasil e um bunker em Ciudad del Este, no Paraguai. Teve R$ 5 milhões bloqueados pela Justiça.

    Função : cabeça da organização responsável pelo produto conhecido como “Yellow B” e dominador das técnicas de “cozimento” nos laboratórios undergrounds de São Paulo, Goiás e DF. Atuava também como DJ.

    Carro de um dos investigados
    Carro de um dos investigados — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Atuação : com mais de 15 anos no mercado ilícito, mantinha forte ligação com gráficas para produção das embalagens falsas. Operava a lavagem de dinheiro por meio de fracionamento de Pix em casas de apostas (bets).

    Residia em condomínio de luxo em Águas Claras e ostentava veículos Porsche, Audi e Mercedes.

    Ana Luiza de Nazaré Lima e Alam Manoel Lima

    Estojo com pulseiras
    Estojo com pulseiras — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Função : influenciadora digital com mais de 150 mil seguidores e seu ex-marido, ambos responsáveis pela divulgação, venda e logística do Yellow B e de produtos à base de testosterona.

    Atuação : utilizavam as redes sociais para iludir clientes com promessas de emagrecimento rápido (até 7 kg em uma semana). Comercializavam os produtos em site próprio, enviavam pelos Correios ou entregavam no restaurante japonês do casal, em Ceilândia, usado como ponto de apoio.

    Ostentavam carros importados e viagens internacionais.

    Celulares apreendidos
    Celulares apreendidos — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Eduardo Vieira Euzébio, o “Gigante da estética”

    Função : biomédico, proprietário de clínica na Asa Norte e ministrante de cursos de estética.

    Atuação : atuava como intermediário dos laboratórios clandestinos. Adquiria anabolizantes, fazia a propaganda direta, negociava e aplicava as substâncias em suas clientes (em sua maioria, mulheres), mesmo ciente da procedência ilegal. Nas redes, afirmava cursar medicina na Bolívia.

    Dinheiro que estava na casa de um dos investigados
    Dinheiro que estava na casa de um dos investigados — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Elisangela Pereira Acosta e Jorge Luiz Roa

    Função : principais fornecedores de insumos e matérias-primas importadas. Sócios clandestinos de loja especializada em anabolizantes no Paraguai.

    Atuação : moradores de Foz do Iguaçu/Paraguai, ocultavam as substâncias dentro de peças de motocicletas para envio a todo o Brasil via Correios, e-commerce ou “freteiros”. Utilizavam rede de doleiros e contas de laranjas para movimentar o capital. Jorge foi preso no Paraguai em ação conjunta da PCDF, Polícia Federal e Polícia Paraguaia.

    Relógios apreendidos
    Relógios apreendidos — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Função : empréstimo de nomes e contas bancárias para ocultação do fluxo financeiro do tráfico.

    Atuação : grupo composto por um casal dono de uma casa lotérica em Foz do Iguaçu, o proprietário de uma loja de materiais de construção, um engenheiro agrônomo e dois trabalhadores autônomos. Todos tiveram a prisão preventiva decretada por lavagem de dinheiro e organização criminosa.

    Além de toda a estrutura ostentada pelos líderes, as investigações detalhadas no processo revelam como o esquema utilizava uma engenharia complexa para se consolidar, ligando a origem da apuração até rotas internacionais. O estopim da Operação Narciso ocorreu em 4 de fevereiro de 2025, durante a Operação Béquer, quando a polícia cumpriu um mandado de busca no apartamento de Carlos Henrique Rodrigues de Abreu.

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    Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    No local, os agentes encontraram um laboratório clandestino abarrotado de equipamentos, cápsulas, insumos e embalagens. A perícia nos dois celulares apreendidos expôs que Carlos fabricava os anabolizantes em sua própria residência e havia se associado a Fellipe Dias e Felipe Semani para criar a marca clandestina AlphaLabs, além de formularem os perigosos produtos Mega Burner e Libid Up.

    Os telefones também mapearam uma extensa rede com fornecedores de matéria-prima, depósitos, motoboys, gráficas e outros laboratórios undergrounds como HydraPharmace, Skullredlab, Sypharma, Eurolabs, New Science, GC e Yellow B.

    Para manter o fluxo do mercado ilícito, a organização contava com a cumplicidade de profissionais de diversos setores que conferiam aparência de legalidade ao negócio. A loja Performance Nutrição Esportiva, de propriedade de Wesley Dias Magalhães, servia como ponto físico de estocagem e revenda de anabolizantes da Alpha e do termogênico adulterado Mega Burner.

    Jiraiya das bombas: quem é o líder de esquema ilegal de anabolizantes - destaque galeria
    Jiraiya das bombas: quem é o líder de esquema ilegal de anabolizantes - destaque galeria — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    A rede contava ainda com a participação de médico veterinário para o fornecimento de compostos como o clembuterol, donos de farmácias de manipulação e até nutricionistas cooptados, que recebiam patrocínios para prescreverem os produtos clandestinos diretamente aos clientes. A engrenagem era complementada por donos de gráficas que criavam rótulos refinados para iludir o consumidor, funcionários dos Correios e freteiros, que aceleravam as entregas, e parentes ou empresários que cediam suas contas para movimentações financeiras.

    O marketing do esquema era impulsionado por redes sociais e patrocínios estratégicos. O laboratório underground New Science, gerenciado por Roberto Carlos, o “Jiraya” , financiava atletas em todo o país para validar suas substâncias. Entre os nomes ligados às suas marcas estavam o personal trainer Eduardo Alves , que surrou o “mendigo” Givaldo Alves , o ex-sem-teto que ganhou notoriedade nacional ao ser flagrado por Eduardo fazendo sexo com sua então esposa .

    Influenciadores digitais usavam a imagem de corpos esculturais para vender a ilusão do padrão estético perfeito, omitindo conscientemente os graves efeitos colaterais dos produtos, como arritmias, acidentes vasculares cerebrais, paradas cardíacas, deformações por abscessos e impotência sexual.

    Jiraiya das bombas: quem é o líder de esquema ilegal de anabolizantes - imagem 2
    Jiraiya das bombas: quem é o líder de esquema ilegal de anabolizantes - imagem 2 — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Por trás dessa vitrine, operava uma rota internacional de suprimentos altamente rentável. As matérias-primas importadas de países como China, Índia e Paraguai chegavam à fronteira em Foz do Iguaçu, onde a dupla Elisangela Acosta e Jorge Luiz Roa ocultava os insumos e frascos dentro de peças mecânicas de motocicletas para burlar a fiscalização e despachar as encomendas por e-commerce ou Correios.

    Enquanto gerenciava as operações a partir de um bunker em Ciudad del Este, Jiraya mantinha um faturamento mensal de R$ 500 mil líquidos e ostentava uma vida de alto luxo no exterior, acumulando hospedagens em hotéis de alto padrão no Chile — frequentando inclusive o resort que abriga a maior piscina do mundo — enquanto o veneno caseiro era distribuído por todo o território nacional.

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    Jiraiya das bombas: quem é o líder de esquema ilegal de anabolizantes - imagem 3 — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles
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    Jiraiya das bombas: quem é o líder de esquema ilegal de anabolizantes - imagem 6 — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles
    homem de barba sem camisa
    homem de barba sem camisa — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles
    homem fazendo selfie
    homem fazendo selfie — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles
    casal na praia sorrindo
    casal na praia sorrindo — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles
    homem de boné e camisa laranja fazendo caminhada
    homem de boné e camisa laranja fazendo caminhada — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles
    homem e mulher em loja de suplementos
    homem e mulher em loja de suplementos — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/distrito-federal/na-mira/jiraiya-das-bombas-quem-e-o-lider-de-esquema-ilegal-de-anabolizantes.

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