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    Jesus coach de Augusto Cury

    Na sabatina feita na TV Globo , Augusto Cury falou em Jesus antes mesmo de se apresentar e dar boa noite aos telespectadores. A pressa das análises poderia nos levar à conclusão de que se trata de mais um candidato que apela a valores religiosos em busca do voto evangélico e da atenção de pastores poderosos. Não é o caso. O Jesus de Augusto Cury é de outra estirpe. Leia mais (09/07/2026 - 23h00)

    Folha de S.Paulo
    8 de setembro de 2026 às 02:00
    Jesus coach de Augusto Cury
    Homem de terno escuro e camisa branca sentado à mesa em estúdio com fundo azul que exibe a palavra 'ELEIÇÕES' em letras grandes. Há um copo de água sobre a mesa à sua frente. — Foto: Folha de S.Paulo

    Professor de antropologia da UFRJ, é membro da Academia Brasileira de Ciências

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    Augusto Cury (Avante) durante sabatina na Globo - Manoella Mello - 29.ago.26/Globo · Manoella Mello - 29.ago.26/Globo
    Augusto Cury (Avante) durante sabatina na Globo - Manoella Mello - 29.ago.26/Globo · Manoella Mello - 29.ago.26/Globo — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Na sabatina feita na TV Globo , Augusto Cury falou em Jesus antes mesmo de se apresentar e dar boa noite aos telespectadores. A pressa das análises poderia nos levar à conclusão de que se trata de mais um candidato que apela a valores religiosos em busca do voto evangélico e da atenção de pastores poderosos. Não é o caso. O Jesus de Augusto Cury é de outra estirpe.

    Cury se apresenta como um ex-ateu. Seu testemunho de conversão não tem nada de místico, de arrebatamento espiritual ou de iluminação divina.

    O candidato diz que deixou de ser ateu porque se convenceu de que Jesus foi o homem mais inteligente da história. Não é ao Jesus religioso que ele se remete, mas à figura histórica de Jesus.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Numa gramática próxima à do universo dos coaches contemporâneos, o Jesus de Augusto Cury é frequentemente descrito como psicólogo e educador, gestor de emoções e referência em inteligência emocional. É daí que surge o que ele chama de cristianismo sem fronteiras .

    A falta de fronteiras, neste caso, diria respeito ao fato de este Jesus coach carregar três características fundamentais.

    Em primeiro lugar, a relação com o Jesus histórico ocorre sem a mediação de líderes religiosos. Em segundo lugar, não há sacramentos, liturgia, ortodoxia, dízimos, ritual, culto ou missa que promovam esse encontro com Jesus em sua plenitude. Por fim, a aproximação com Jesus não tem como horizonte principal a adesão a uma comunidade religiosa ou a uma tradição institucional, mas sim um meio a partir do qual se alcançam melhores níveis de gestão de si e de autoaperfeiçoamento.

    Definitivamente, não se trata de um esvaziamento do conteúdo religioso da disputa política, mas figuras como Augusto Cury fazem com que essa disputa ocorra em um plano que extrapola os muros das igrejas e, por isso mesmo, desidratam a importância de seus líderes. O Jesus de Cury é pós-religioso.

    O antropólogo Taylor Aguiar vem há anos apontando para este fenômeno de crescimento do uso político de elementos cristãos por meio de uma linguagem do coaching e lógica de inteligência emocional.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/rodrigo-toniol/2026/09/o-jesus-coach-de-augusto-cury.shtml.

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    Augusto Cury (Avante) durante sabatina na Globo - Manoella Mello - 29.ago.26/Globo · Manoella Mello - 29.ago.26/Globo — Foto: Folha de S.Paulo

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