Japão mira micropigmentação capilar e ameaça profissionais que não sejam médicos
Remy, profissional de micropigmentação, insere meticulosamente minúsculos pontos de pigmento no couro cabeludo de pessoas calvas para simular a presença de cabelo, uma técnica cosmética que está na mira das autoridades de saúde do Japão . Leia mais (08/14/2026 - 18h00)

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Remy, profissional de micropigmentação, insere meticulosamente minúsculos pontos de pigmento no couro cabeludo de pessoas calvas para simular a presença de cabelo, uma técnica cosmética que está na mira das autoridades de saúde do Japão .

Enquanto em grande parte do mundo a "micropigmentação" é considerada um procedimento estético, o Japão tomou outra direção.
As autoridades entendem que as práticas pertencem ao âmbito médico e multiplicaram os alertas e até as ameaças de ações penais contra quem as realiza sem licença sanitária, como é o caso de Remy, um morador de Okinawa de 44 anos.
Os profissionais do setor defendem que seu trabalho consiste em criar uma ilusão estética, seja reproduzindo o aspecto de uma cabeleira, redesenhando sobrancelhas ou dando cor aos lábios.

No entanto, as medidas de higiene e segurança aplicadas por esses profissionais não bastam para dissipar as dúvidas das autoridades.
"É um completo mistério para mim por que eles continuam afirmando que constitui uma prática médica", explica Remy (seu nome profissional).
A técnica que ele pratica, conhecida como micropigmentação capilar, é, segundo ele, um procedimento "pouco invasivo" e "tão indolor que alguns clientes chegam a dormir durante a sessão".

Para muitos clientes, o benefício vai muito além da aparência física. Koki Hatanaka, de 28 anos, lembra que uma alopecia repentina o mergulhou em uma profunda depressão.
"Eu não queria sair de casa", conta à AFP. Agora, graças ao tratamento, sua cabeça parece como se usasse um corte de cabelo bem curto.
Em 2020, a Suprema Corte japonesa decidiu que as tradicionais tatuagens não constituem um ato médico.

No entanto, a decisão deixou de fora a micropigmentação capilar, que "historicamente envolve médicos", segundo um funcionário do Ministério da Saúde.
O uso de agulhas implica riscos suficientes para "causar danos físicos caso o procedimento seja realizado sem a devida formação médica", acrescenta.
No Brasil, basta fazer um curso livre profissionalizante para trabalhar com micropigmentação. Isso significa que qualquer pessoa maior de idade com ensino fundamental pode realizar os cursos e atuar como micropigmentador, sem a exigência de uma faculdade específica
As sanções para quem exerce a profissão sem licença médica podem chegar até mesmo à prisão, explica Akihiro Saotome, especialista em direito da saúde. Apesar disso, muitos micropigmentadores continuam trabalhando abertamente.
Em julho, uma convenção em Okinawa reuniu profissionais de países como Coreia do Sul , Vietnã e Suécia.
"Não faço nada do que eu deva me envergonhar", afirma Tatsuki Miyahira, que oferece esse serviço mesmo sem ter credenciais médicas.
O Japão é o único país onde a micropigmentação realizada por pessoas sem formação médica pode ser punida.
Alguns profissionais consideram que a situação está relacionada com a complexa relação histórica do Japão com as tatuagens. Antigamente, eram usadas para marcar criminosos e, posteriormente, foram adotadas por grupos mafiosos.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/equilibrio/2026/08/japao-mira-micropigmentacao-capilar-e-ameaca-profissionais-que-nao-sejam-medicos.shtml.

Artista especializada em tatuagem capilar faz demonstração durante um concurso de tatuagem e maquiagem permanente em Naha, na província de Okinawa - Philip Fong/AFP · Philip Fong/AFP — Foto: Folha de S.Paulo
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