Janja vira alvo no PT por participação excessiva em campanha de Lula
Há críticas à "onipresença" da primeira-dama e a interferências em ações do petista; jingle interpretado em tom gospel incomoda integrantes do partido

Há críticas à “onipresença” da primeira-dama e a interferências em ações do petista; jingle interpretado em tom gospel incomoda integrantes do partido
As críticas à primeira-dama Janja Lula da Silva se intensificaram no Partido dos Trabalhadores depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ter ficado atrás do candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro , no 1º turno. A avaliação é que a primeira-dama tem sido inconveniente em reuniões de campanha ao interromper participantes.
O mais recente dos exemplos foi a reunião de Lula com congressistas jovens do PT na manhã de 4ª feira (7.out.2026). Janja interveio em falas durante o encontro, organizado para dar uma energizada na campanha de 2º turno.

Na coordenação petista, também há críticas à “onipresença” de Janja e às interferências em ações de campanha. A participação da primeira-dama em comícios é vista de forma negativa . Os momentos em que canta o jingle “Tapete vermelho” , num tom gospel que exalta a trajetória política de Lula, incomodam parte do PT.
Entretanto, as críticas se mantêm em reserva para não desagradar Lula. A avaliação é de que o presidente trata o assunto como um tabu .
Ao mesmo tempo, Janja também é vista como uma barreira que dificulta a chegada de informações ao próprio Lula, em decorrência do controle excessivo.
Outro episódio lembrado pela campanha de Lula se deu durante uma reunião entre Lula e o presidente da China, Xi Jinping, em maio de 2025.
Na ocasião, Janja pediu a palavra e abordou possíveis danos causados pela plataforma chinesa TikTok contra mulheres e crianças. A situação causou constrangimento .
A ex-senadora e coordenadora de campanha de Lula no Tocantins, Kátia Abreu (PT), veio a público na 4ª feira (7.out) dizer que Janja “está ocupando um espaço maior” do que o do vice-presidente Geraldo Alckmin .
As críticas de Kátia ao papel de Janja na campanha haviam sido feitas 1 dia antes, na 3ª feira (6.out), durante uma reunião de Lula com aliados que disputaram governo e Senado , em Brasília, para discutir mudanças de estratégia para o 2º turno.
Em 4 de outubro, Lula reuniu alguns políticos mais próximos e amigos numa sala do hotel Renaissance , em São Paulo, para acompanhar a apuração dos votos do 1º turno.
Havia cerca de 40 pessoas junto com o petista no domingo passado. A sala tinha duas TVs disponíveis e algo chamou a atenção de todos: os 2 aparelhos ficaram o tempo todo desligados, mesmo quando passava de 17h e a apuração dos votos estava sendo transmitida por vários canais.
Alguns dos presentes saíam da sala para saber como estava a apuração dos votos. Outros, olhavam no celular, mas eram repreendidos por Lula, que demonstrava irritação quando conversava com alguém e o interlocutor checava alguma coisa no telefone. Janja não estava com o seu tom efusivo mais comum e havia um certo desânimo na sala VIP.
O Poder360 procurou a assessoria da primeira-dama por meio do WhatsApp para perguntar se gostaria de se manifestar a respeito das críticas feitas . Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.
Publicado originalmente por Poder360. Leia a matéria completa em https://www.poder360.com.br/poder-eleicoes-2026/janja-vira-alvo-no-pt-por-participacao-excessiva-em-campanha-de-lula/.

Janja é vista entre petistas como uma barreira que dificulta a chegada de informações ao próprio Lula, em decorrência do controle excessivo — Foto: Poder360
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