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    Jamaica pede a rei Charles que avalie pagamento de reparações pela escravidão

    Governo britânico rejeita obrigação legal por passado colonial, enquanto campanha ganha apoio internacional

    UOL
    8 de setembro de 2026 às 16:00
    Jamaica pede a rei Charles que avalie pagamento de reparações pela escravidão
    Homem usando máscara segura cartaz escrito 'WE DEMAND APOLOGIES REPARATION' e duas bandeiras, uma com as cores da Etiópia e outra com símbolo de Biafra, em calçada à beira de rua com veículos passando. — Foto: UOL

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    O governo da Jamaica pediu formalmente nesta segunda-feira (7) ao rei Charles 3º que avalie se o Reino Unido tem obrigação de pagar reparações financeiras pela escravidão . A ministra da Cultura, Olivia Grange, disse estar "encorajada" pelo envolvimento do Palácio de Buckingham no processo.

    Manifestante participa de ato em Kingston, na Jamaica, em 2022, para exigir que o Reino Unido pague reparações pela escravidão - Gilbert Bellamy -22.mar.22/Reuters · Gilbert Bellamy -22.mar.22/Reuters
    Manifestante participa de ato em Kingston, na Jamaica, em 2022, para exigir que o Reino Unido pague reparações pela escravidão - Gilbert Bellamy -22.mar.22/Reuters · Gilbert Bellamy -22.mar.22/Reuters — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Grange lidera uma delegação jamaicana em Londres que apresentou uma petição pedindo que Charles encaminhe três questões sobre a escravidão transatlântica ao Comitê Judicial do Conselho Privado (JCPC, na sigla em inglês).

    A Jamaica quer que o JCPC, última instância de apelação para os territórios britânicos ultramarinos e alguns países da Commonwealth, avalie se o transporte de africanos escravizados para a Jamaica e sua escravização foram algum dia legais e se o Reino Unido tem obrigação jurídica de oferecer reparações.

    Charles — que continua sendo chefe de Estado da Jamaica, embora o país tenha tomado medidas para retirar o monarca desse papel — afirmou sentir "profunda tristeza" pela escravidão em um discurso a líderes da Commonwealth, em 2022.

    Cemitério de escravizados descoberto no Tocantins
    Cemitério de escravizados descoberto no Tocantins — Foto: UOL · Fonte: UOL

    O Reino Unido, assim como outras antigas potências coloniais, rejeitou até agora os pedidos de reparação.

    Grange, porém, disse ver sinais positivos na forma como o Palácio de Buckingham contribuiu para o processo de apresentação da petição jamaicana. "Não estamos nos antecipando ao processo, mas estamos encorajados", disse ela à Reuters pouco antes da apresentação formal da petição.

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    Foto: UOL · Fonte: UOL

    Um porta-voz do Palácio de Buckingham afirmou que Charles "em diversas ocasiões expressou seu compromisso pessoal e integral com a promoção de uma maior compreensão sobre a questão da escravidão e com a busca de formas de enfrentar injustiças históricas em benefício das comunidades atuais".

    Um porta-voz do primeiro-ministro Andy Burnham afirmou na segunda (7) que "o Reino Unido não paga e não pagará reparações", embora tenha reconhecido que o comércio transatlântico de escravizados foi "abominável".

    Pelo menos 12,5 milhões de africano s foram sequestrados, transportados à força por navios europeus e vendidos como escravizados entre os séculos 15 e 19. Há décadas, defensores das reparações pedem medidas para enfrentar o legado da escravidão, como o subdesenvolvimento econômico e a desigualdade social.

    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background.
Foto:  Mario / adobe stock
    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background. Foto: Mario / adobe stock — Foto: UOL · Fonte: UOL

    "Há tantas coisas que tiveram um impacto negativo sobre a Jamaica como resultado da escravização de nossos ancestrais", disse Grange. "Consideramos importante que, daqui para frente, haja algum tipo de apoio que nos ajude a reconstruir de forma mais forte."

    A petição jamaicana, apoiada pela Comunidade do Caribe (Caricom) e pelo presidente de Gana, John Dramani Mahama, foi apresentada depois de um comitê da ONU afirmar, no mês passado, que os países tinham obrigação jurídica de considerar reparações e adotar outras medidas relacionadas ao comércio transatlântico de escravizados para enfrentar seu legado duradouro.

    Muitos líderes europeus, no entanto, se opuseram até mesmo à discussão sobre o tema, enquanto críticos argumentam que os Estados e instituições atuais não deveriam ser responsabilizados pela escravidão.

    Também cresceu a reação contrária à ideia de reparações. Em abril, o partido populista de direita britânico Reform UK, liderado por Nigel Farage, propôs negar vistos a pessoas de países que reivindicam reparações, entre eles a Jamaica.

    Grange, porém, afirmou que a campanha está ganhando força: "Há uma tendência global de maior apoio à justiça reparatória. Sempre haverá algumas reações negativas, mas continuamos focados".

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/09/jamaica-pede-a-rei-charles-que-avalie-pagamento-de-reparacoes-pela-escravidao.shtml.

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    Manifestante participa de ato em Kingston, na Jamaica, em 2022, para exigir que o Reino Unido pague reparações pela escravidão - Gilbert Bellamy -22.mar.22/Reuters · Gilbert Bellamy -22.mar.22/Reuters — Foto: UOL

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