Política

    Itamaraty vê organização da China como caminho para soberania digital

    Segundo embaixador, a adesão do Brasil à Waico, fundada em julho, não foi realizada por causa de "alinhamento político"

    Poder360
    2 de setembro de 2026 às 17:49
    Itamaraty vê organização da China como caminho para soberania digital
    Foto: Poder360

    Segundo embaixador, a adesão do Brasil à Waico, fundada em julho, não foi realizada por causa de “alinhamento político”

    O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) busca ampliar a cooperação tecnológica com a China por meio da integração à Waico (Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial), com sede em Pequim, mas reforça que a parceria não decorre de alinhamento político. O embaixador Eugênio Vargas Garcia , diretor do Departamento de Ciência, Tecnologia e Propriedade Intelectual do Itamaraty, disse nesta 4ª feira (2.set.2026) que a soberania digital do país é uma das prioridades do país.

    “O alinhamento [à China] não foi, não é, e não será o objetivo brasileiro ao aderir ao Waico […] Estamos colocando em prática o conceito de soberania digital que tem sido muito discutido, inclusive dentro do governo. O nosso entendimento é que é um processo contínuo de desenvolvimento de capacidades e diminuição de dependências para atingir níveis mais elevados de autonomia tecnológica” , afirmou durante participação em webinar do CEBC (Conselho Empresarial Brasil-China).

    Brasil é um dos 30 integrantes da Waico, junto de países como Rússia e África do Sul
    Brasil é um dos 30 integrantes da Waico, junto de países como Rússia e África do Sul — Foto: Poder360 · Fonte: Poder360

    Segundo Garcia, a estratégia brasileira é diversificar parceiros e fornecedores para reduzir dependências e aumentar a autonomia tecnológica do país. A aproximação com a China, de acordo com o diplomata, é parte da estratégia de soberania digital do Brasil, baseada no desenvolvimento de capacidades nacionais e na redução de vulnerabilidades tecnológicas.

    A cooperação internacional, nesse modelo, serviria para acelerar o acesso a tecnologias de ponta sem criar dependência de um único país ou fornecedor. A diversificação de parceiros é vista pelo Itamaraty como forma de reduzir riscos e vulnerabilidades.

    Um dos exemplos é o projeto de supercomputadores do governo. Um dos equipamentos deverá ser instalado no Rio, com participação chinesa. Outro ficará em Natal (RN) e deverá utilizar GPUs da Nvidia, embora o edital permita a livre concorrência entre fornecedores.

    Waico
    Waico — Foto: Poder360 · Fonte: Poder360

    A estratégia do Itamaraty também conta com contrapartidas para ampliar a capacidade tecnológica brasileira, como transferência de tecnologia, formação de profissionais e estímulo à indústria nacional. O edital do supercomputador exige, por exemplo, a formação de 3.000 especialistas em 3 anos e um plano para ampliar a capacidade produtiva do país.

    “Nós queremos produtos e serviços digitais que vêm do estrangeiro para acelerar o acesso à tecnologia de ponta, mas sem ficar aprisionados no fornecedor. Então essa alternativa de você fabricar localmente ou produzir com meios próprios, às vezes é irrealista ou muito difícil e vai demorar demais” , disse Garcia.

    O modelo, segundo o diplomata, pode envolver a compra de tecnologia estrangeira, a produção de parte dos componentes no Brasil e o aumento progressivo da participação nacional.

    A Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial (em inglês, World Artificial Intelligence Cooperation Organization) foi fundada em julho de 2026 pelo presidente da China, Xi Jinping (PCCh). O Brasil é um dos 30 Estados-membros, junto da Rússia e da África do Sul.

    Um dos objetivos da integração é o de compartilhamento de modelos abertos de IA. O governo chinês afirma querer disponibilizar a tecnologia para países que não estão tão avançados na infraestrutura e arquiteturas para inteligência artificial.

    A meta de Pequim ao fundar o grupo é reforçar a liderança chinesa sobre IA (inteligência artificial), principalmente entre os países do chamado “Sul Global” .

    Publicado originalmente por Poder360. Leia a matéria completa em https://www.poder360.com.br/poder-tech/itamaraty-ve-organizacao-da-china-como-caminho-para-soberania-digital/.

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    Brasil é um dos 30 integrantes da Waico, junto de países como Rússia e África do Sul — Foto: Poder360

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