Brasil

    Itamaraty corre perigo se Flávio Bolsonaro subir a rampa

    De todas as propostas de Flávio Bolsonaro , a mais tóxica veio na semana passada: seu irmão Eduardo será o chanceler de seu eventual governo e fará "uma faxina" nos quadros da diplomacia brasileira . Leia mais (10/03/2026 - 23h00)

    Folha de S.Paulo
    4 de outubro de 2026 às 02:00
    Itamaraty corre perigo se Flávio Bolsonaro subir a rampa
    Dois homens de terno estão lado a lado em palco com fundo azul. Um deles está atrás de um púlpito com logo CPAC e o outro toca seu ombro direito segurando um celular. — Foto: Folha de S.Paulo

    Jornalista, autor de cinco volumes sobre a história do regime militar, entre eles "A Ditadura Encurralada"

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    O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o irmão Eduardo, ex-deputado federal - Daniel Cole/REUTERS · Daniel Cole/REUTERS
    O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o irmão Eduardo, ex-deputado federal - Daniel Cole/REUTERS · Daniel Cole/REUTERS — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    De todas as propostas de Flávio Bolsonaro , a mais tóxica veio na semana passada: seu irmão Eduardo será o chanceler de seu eventual governo e fará "uma faxina" nos quadros da diplomacia brasileira .

    Pindorama já provou esse veneno. Em 2019, seu pai nomeou o diplomata Ernesto Araújo para o cargo . Sua gestão foi desastrosa mesmo para os padrões do ex-capitão e ele teve que substituí-lo em 2021. Para o lugar foi o embaixador Carlos França, que restabeleceu o estilo da Casa .

    Veio a eleição, Bolsonaro foi derrotado e a tradição prevaleceu. França foi mandado para a embaixada no Canadá, onde exerce sua função como um profissional correto. O canibalismo é estranho à vida do Itamaraty .

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Em 1964, deposto João Goulart, seu chanceler, Araújo Castro, foi mandado para Atenas. Em 1985, terminada a ditadura, o chanceler Ramiro Guerreiro foi nomeado pelo presidente José Sarney para negociar a dívida externa.

    O Brasil tem uma diplomacia respeitada porque não tem lugar para canibais. O Barão do Rio Branco dava-se mal com o Visconde de Cabo Frio, diretor-geral do Ministério. Esperou que morresse, o que se deu em 1907.

    Os Bolsonaro deveriam ler "O Mundo em que Vivi", as memórias do embaixador Pio Corrêa (1918-2013), um verdadeiro e destemido conservador.

    Se o Judiciário brasileiro estivesse presente na semana da criação, ele obrigaria o padre eterno a:

    1º dia: Deus criaria a luz, mas manteria nas trevas os processos envolvendo magistrados;

    2º dia: Deus criaria o firmamento, separando uma área para os gabinetes e casas dos magistrados;

    3º dia: Deus criaria as plantas e os pomares dos magistrados que teriam safras contínuas;

    4º dia: Deus criaria os astros, com prioridade para familiares de magistrados e tribunais superiores e seus familiares;

    5º dia: Deus encheria os mares com peixes e as águas dos magistrados com salmões;

    6º dia: Deus criaria os animais e o ser humano, com imortalidade e juventude eterna para os magistrados;

    7º dia: Deus descansaria, com direito a férias retroativas.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/eliogaspari/2026/10/itamaraty-corre-perigo-se-flavio-bolsonaro-subir-a-rampa.shtml.

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    O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o irmão Eduardo, ex-deputado federal - Daniel Cole/REUTERS · Daniel Cole/REUTERS — Foto: Folha de S.Paulo

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