Itália: pais são alvo de investigação após morte de filha não vacinada
Causa da morte foi difteria, doença para qual a vacina é obrigatória na Itália. Outros três filhos do casal foram vacinados após o caso

O Ministério Público de Palermo, cidade na região da Sicília, na Itália , investiga dois pais por homicídio culposo por omissão após uma filha do casal morrer em decorrência de um diagnóstico de difteria . A menina tinha quatro anos e não havia sido vacinada contra a doença , para qual a vacina na Itália é obrigatória desde 1939 .
A difteria é uma doença transmissível grave causada por uma bactéria que atinge as amígdalas, faringe, laringe, nariz e, ocasionalmente, outras partes do corpo, como pele e mucosas. A melhor forma de prevenção da doença, de acordo com o Ministério da Saúde, é a vacina — no Brasil ela está prevista no calendário vacinal oferecido pelo SUS.
Um primo da menina também testou positivo para difteria nesse sábado (22/08) e permanece internado no Hospital Cívico da capital siciliana. Ele está fora de perigo e evolui favoravelmente – a criança havia recebido as três primeiras doses do esquema de vacinação, segundo confirmou o diretor médico Domenico Cipolla.

No caso da menina italiana, a imprensa noticiou que os pais alegaram não ter vacinado os filhos sob a justificativa de que uma vacina teria sido a causa do diagnóstico de autismo em uma pessoa da família. O Ministério da Saúde ressaltou que não existe qualquer evidência científica ou relação entre a administração de vacinas e o autismo .
Após a morte, as autoridades sanitárias imunizaram os três irmãos da vítima . A Promotoria de Menores de Palermo também abriu uma investigação para entender o nível de evasão da vacinação obrigatória na Zona Expansione Nord (ZEN), um bairro da periferia da capital siciliana.
A autoridade também ordenou uma inspeção urgente em creches e escolas do ensino fundamental para verificar se há menores não vacinados frequentando as aulas.

Até o início do século passado, a Itália registrava cerca de 30 mil casos de difteria infantil e 1.500 mortes por ano em decorrência da difteria. Após a introdução da vacinação, foi observada uma queda drástica no número de infecções: entre 1990 e 2009 foram notificados apenas cinco casos.
A vacina é obrigatória na Itália desde 1939 e a última morte causada pela doença havia sido registrada em 1991. A obrigatoriedade foi estabelecida originalmente em 1939 para todas as crianças do país. Mais recentemente, a exigência foi reforçada com a aprovação da chamada Lei Lorenzin, em 2017, que incluiu a difteria em um grupo de 10 vacinas obrigatórias para a frequência escolar de menores de 16 anos.
Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/mundo/italia-pais-sao-alvo-de-investigacao-apos-morte-de-filha-nao-vacinada.

Magnific — Foto: Metrópoles
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