Itália aprova reforma eleitoral de Meloni que facilita maiorias e limita votos do exterior
A Câmara dos Deputados da Itália aprovou nesta quinta-feira (8) uma reforma na lei eleitoral proposta pelo governo de Giorgia Meloni . As mudanças acontecem meses antes das próximas eleições para o Parlamento, previstas para 2027, provavelmente no primeiro semestre. Leia mais (10/08/2026 - 12h37)

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A Câmara dos Deputados da Itália aprovou nesta quinta-feira (8) uma reforma na lei eleitoral proposta pelo governo de Giorgia Meloni . As mudanças acontecem meses antes das próximas eleições para o Parlamento, previstas para 2027, provavelmente no primeiro semestre.

O governo justifica sua iniciativa afirmando que a nova lei eleitoral promoverá estabilidade política ao favorecer a formação de coligações mais sólidas. Para a oposição, trata-se de mudar as regras para evitar uma eventual derrota da direita nas urnas.
Uma das principais mudanças é a eliminação do sistema majoritário no Parlamento para a adoção do chamado "proporcional puro", com as cadeiras distribuídas de acordo com o desempenho dos partidos nas urnas. As regras anteriores, em sistema misto, estavam em vigor desde 2017.
Com a intenção de garantir uma maioria nítida, o novo sistema prevê um prêmio, chamado de governabilidade. A coligação que obtiver ao menos 42% dos votos receberá 70 deputados e 35 senadores a mais, com teto de 220 deputados e 113 senadores. O Parlamento é formado por 400 deputados e 200 senadores.

A votação desta quinta aconteceu depois de meses de tensão dentro da coalizão e acusações de fogo amigo. Em julho, um trecho do projeto foi rejeitado com o voto secreto de parte dos deputados governistas. O texto foi então modificado e aprovado no Senado em setembro e agora, em via definitiva, pela Câmara. Foram 227 votos a favor e 164 contrários.
Segundo bastidores da imprensa italiana, Meloni teria ameaçado se demitir, provocando a queda do governo, caso o texto não fosse aprovado pelos deputados. Logo em seguida à votação, ela comemorou. "A quem esperava ver uma centro-direita dividida hoje respondemos com os fatos: estamos unidos, compactos e determinados", publicou nas redes sociais.
A primeira-ministra tem sido pressionada pelo crescimento nas pesquisas do ex-general Roberto Vannacci, que r ompeu com a aliança governista no começo do ano para lançar o próprio partido , ainda mais à direita.

Outra novidade da reforma são as chamadas preferências. O eleitor poderá indicar seus preferidos entre seis candidatos e candidatas, além do nome definido pelo partido, que aparece em primeiro lugar na cédula.
O candidato escolhido pela legenda pode ser eleito mesmo sem receber preferências, mas, se o partido tiver bom desempenho, as vagas adicionais ficam com os mais votados pelo eleitorado. O sistema de preferências é um dos pontos mais defendidos por Meloni.
Além disso, cada coligação deverá apontar antes da votação qual será o líder que poderá se tornar primeiro-ministro. Antes, a escolha do nome se dava geralmente após o resultado nas urnas, com a sigla com mais votos tendo maior poder de indicação.

A reforma também interfere no sistema de votação dos italianos que vivem fora do país. Atualmente 12 cadeiras no Parlamento (oito deputados e quatro senadores) são decididas em quatro colégios eleitorais: Europa , América do Sul , América do Norte e Central e uma que inclui África , Ásia , Oceania e Antártida . Com a nova lei, haverá apenas dois colégios para a eleição de deputados: Europa e resto do mundo. Para o Senado, será um único colégio eleitoral para todo o eleitorado no exterior.
Atualmente 5,7 milhões de cidadãos italianos estão aptos a votar no exterior, sendo 65% de fora da União Europeia . O risco com o novo sistema é que algumas áreas fiquem sem representantes no Legislativo.
A oposição criticou a reforma. "Votaremos convictos contra essa lei pensada não para os eleitores, mas para proteger os eleitos. Com a nossa aliança progressista vamos conseguir vencer com qualquer lei eleitoral e mudar a vida dos italianos", disse, antes do voto, Elly Schlein, líder do Partido Democrático (PD).
Segundo as últimas pesquisas, a coalizão que sustenta o governo Meloni tem 41,3% de intenções de voto, ante 39,4% de uma possível coligação de centro-esquerda. A oposição, no entanto, ainda não decidiu como se apresentará nas urnas, se unida sob um único nome. A sigla de Vannacci atrai 7,6%.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/10/italia-aprova-reforma-eleitoral-de-meloni-que-facilita-maiorias-e-limita-votos-do-exterior.shtml.

Membros do Parlamento da Itália exibem cartazes contra o governo de Giorgia Meloni durante sessão em Roma - Matteo Minnella/Reuters · Matteo Minnella/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo
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