Iser/Quaest: oito em cada dez religiosos rejeitam política em igrejas
Levantamentou ouviu 15.000 eleitores de todo o país por entrevistas presenciais; margem de erro é de um ponto percentual, para mais ou para menos

A expressiva maioria do eleitorado brasileiro demonstra resistência à mistura entre religião e política institucional.
Segundo a pesquisa Religião e Vida Pública no Brasil , realizada pelo Iser (Instituto de Estudos da Religião) em parceria com a Quaest , divulgada neste domingo (20), oito em cada dez entrevistados são contrários à discussão política dentro de espaços religiosos.
O levantamento também indica que nove a cada dez brasileiros rejeitam que suas lideranças religiosas permitam a presença de candidatos na igreja para fins eleitorais . A pesquisa aponta que esse índice de rejeição se mantém em patamares numericamente similares entre o eleitorado católico, evangélico e em outras religiões.

O levantamento analisou a mesma pergunta por segmento religioso. Confira os resultados nos gráficos abaixo:
Apesar da forte rejeição geral ao tema, o estudo mediu o impacto das indicações de pastores e líderes religiosos no pleito de 2022.
Os dados mostram que 11% dos entrevistados foram orientados por suas lideranças a votar no ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) , enquanto 5% receberam indicação direta para escolher o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) .

Entre o segmento evangélico protestante , como batistas e presbiterianos, a orientação a favor de Bolsonaro atingiu 20% .
Já no grupo pentecostal , que engloba denominações como Assembleia de Deus , Igreja Quadrangular e Igreja Universal, 23% afirmam ter recebido indicação de seu pastor para votar no candidato do PL na última disputa ao Planalto. Confira as respostas por segmento a seguir:
O comportamento do eleitorado religioso apresenta variações expressivas a depender da igreja frequentada.

Na Igreja Universal , os números superam a média nacional: 27% relatam recomendação de voto em Jair Bolsonaro e 12% em Lula .
Além disso, 26% dos fiéis da Universal concordam que o pastor indique em quem votar, o dobro da média geral. Confira os recortes entre as igrejas pentecostais:
A pesquisa também evidencia divisões regionais que equilibram a correlação de forças. Na região Nordeste , durante o segundo turno de 2022, o atual presidente Lula obteve 35% do apoio evangélico .

O desempenho do petista ficou estatisticamente próximo ao de seu adversário, que registrou 38% neste segmento demográfico naquela região.
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O levantamento do Iser e da Quaest também mapeou a politização do eleitorado nos meios digitais.

Apenas um a cada cinco entrevistados participa de grupos ou comunidades religiosas em redes sociais . Contudo, entre os que integram esses espaços virtuais, a circulação de pautas políticas é constante.
Nesse recorte específico, 48% veem “sempre” ou “frequentemente” conteúdos políticos sendo compartilhados por outros participantes em grupos do Facebook . No aplicativo WhatsApp , 34% relatam o mesmo comportamento, com maior incidência de circulação desse material entre católicos praticantes, pentecostais e protestantes.
A pesquisa Iser/ Quaest entrevistou 15.000 eleitores em todo o país, entre os dias 14 de janeiro e 10 de fevereiro , por meio de entrevistas presenciais . A margem de erro do levantamento é de um ponto percentual , para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95% .

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Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/eleicoes/iser-quaest-oito-em-cada-dez-religiosos-rejeitam-politica-em-igrejas/.

Pesquisa mostra que maioria é contra misturar religião com política • Reprodução · • Reprodução — Foto: CNN Brasil
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