Irmãs cariocas, recordistas do Guinness como o trio mais longevo do mundo, são escolhidas para estudo científico
Moradoras do Rio foram reconhecidas pelo Guinness e têm outros relatos de longevidade na família, além de despertarem o interesse de pesquisadores da USP

Três irmãs brasileiras, todas com mais de 100 anos, foram reconhecidas pelo Guinness World Records como o trio de irmãs vivas mais longevo do mundo. Levita de Deus Nunes, 109, Zoraide de Deus Mota, 104, e Zulina de Deus Nunes, 103, vivem no Rio de Janeiro.
O interesse científico pelo trio, porém, vai além do recorde. A mãe das três também chegou aos 100 anos, enquanto uma tia viveu até os 101, um histórico familiar que chamou a atenção de pesquisadores que estudam os fatores relacionados ao envelhecimento saudável.
O caso faz parte do interesse do Projeto DNA Longevo , da Universidade de São Paulo (USP), que busca compreender por que algumas pessoas conseguem chegar a idades avançadas preservando melhor a saúde e as capacidades física e cognitiva.

Levita, Zoraide e Zulina nasceram em Cedro de São João, em Sergipe, e cresceram em uma família de oito irmãos. Mais tarde, as três se estabeleceram no Rio de Janeiro e construíram trajetórias diferentes.
Levita nasceu em 1917. Ao longo da vida, trabalhou como artesã e também passou 12 anos na Rede Globo. Ela nunca se casou nem teve filhos. Zoraide, nascida em 1921, foi professora e depois enfermeira. Ela teve cinco filhos e, ao longo da vida, também se dedicou à família. Zulina nasceu em 1923, teve seis filhos e dedicou parte da vida aos cuidados com a casa e a família.
Para validar o recorde, documentos das três foram analisados para confirmar as datas de nascimento. O Guinness World Records oficializou o reconhecimento em 23 de junho de 2026.

Na data da verificação, as três tinham, juntas, 316 anos e 302 dias , o que garantiu o título de trio de irmãs vivas mais longevo do mundo.
Além de as três terem ultrapassado os 100 anos, existe outro ponto que chama atenção: a longevidade aparece em diferentes integrantes da família. A mãe das irmãs, Jovelina de Deus Nunes, também viveu até os 100 anos. Uma das tias chegou aos 101.
Esse tipo de histórico é especialmente relevante para estudos sobre longevidade porque permite investigar se características compartilhadas entre familiares podem ter relação com a capacidade de envelhecer de forma saudável.

A genética é uma das possibilidades analisadas, mas não é a única explicação. Ambiente, hábitos de vida e condições sociais também podem influenciar a maneira como uma pessoa envelhece.
O Projeto DNA Longevo é coordenado pela geneticista Mayana Zatz, da USP, e investiga pessoas que chegam a idades avançadas mantendo boa saúde e independência.
Os pesquisadores comparam centenários saudáveis com pessoas da mesma faixa etária que desenvolveram fragilidade, doenças crônicas ou declínio cognitivo, buscando entender por que alguns organismos resistem melhor ao envelhecimento .

Para isso, analisam dados genéticos, epigenéticos e moleculares, além de amostras de sangue e outros marcadores biológicos. Em casos selecionados, também estudam células em laboratório.
Por serem irmãs e terem um histórico familiar de longevidade, Levita, Zoraide e Zulina são especialmente interessantes para a pesquisa. Isso, porém, não significa que já exista um gene específico associado à capacidade de viver mais de 100 anos.
As próprias irmãs associam a longevidade a hábitos que fizeram parte de suas vidas, como uma infância ativa, alimentação com alimentos frescos, trabalho e convivência familiar.

Zulina, por exemplo, contou que costumava nadar e participar de pescarias na infância. Ela também lembra que a família consumia alimentos frescos em uma época em que não havia geladeira em casa.
Esses relatos, porém, não comprovam uma fórmula para viver mais. A longevidade envolve diferentes fatores, incluindo genética, ambiente e estilo de vida . O Projeto DNA Longevo tem como meta chegar a 500 centenários para ampliar as comparações entre pessoas que envelheceram de maneiras diferentes.
No caso das três irmãs, a combinação de idade excepcional, parentesco e histórico familiar de longevidade oferece aos cientistas uma oportunidade rara de investigar o envelhecimento saudável.


Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/curiosidades/irmas-cariocas-recordistas-do-guinness-como-o-trio-mais-longevo-do-mundo-sao-escolhidas-para-estudo-cientifico/.

Zoraide, Zulina e Levita construíram trajetórias diferentes ao longo de mais de um século. • Reuters · • Reuters — Foto: CNN Brasil
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