Iraque defende soberania depois de retirada de militares dos EUA
Após mais de uma década, a coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos concluiu sua missão no Iraque , onde ajudou a liberar o país do grupo Estado Islâmico , ao mesmo tempo em que provocou constantes atritos. Leia mais (09/30/2026 - 20h26)

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Após mais de uma década, a coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos concluiu sua missão no Iraque , onde ajudou a liberar o país do grupo Estado Islâmico , ao mesmo tempo em que provocou constantes atritos.

O primeiro-ministro iraquiano, Ali al-Zaidi , celebrou nesta quarta-feira (30) o fim da missão e falou de um novo capítulo na história do país.
"Começou uma nova etapa, definida pela soberania do Iraque , pela força de suas instituições, pela preparação de suas forças, pela unidade na tomada de decisões e por alianças equilibradas com seus amigos", afirmou durante uma cerimônia.
O Departamento de Defesa dos Estados Unidos anunciou em um comunicado o fim oficial da operação "Resolução Inerente". As forças da coalizão foram mobilizadas no Iraque e na Síria para combater o Estado Islâmico, que em 2014 tomou o controle de grandes faixas de território nos dois países.

Os extremistas cometeram vários massacres , dizimaram a minoria yazidi e escravizaram mulheres e crianças nos dois países.
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Com a ajuda indispensável dos combatentes curdos e de milícias iraquianas alinhadas ao Irã , o movimento foi derrotado em 2017 no Iraque e em 2019 na Síria. As forças da coalizão, no entanto, permaneceram na região para enfrentar seus remanescentes.

Bagdá e Washington concordaram em 2024 em acabar com a missão. Os soldados iniciaram uma retirada gradual das bases no Iraque, limitando-se, no final, à região autônoma do Curdistão (norte do país).
Para o governo iraquiano, a saída da coalizão significa que as milícias pró-Irã não têm mais desculpas para manter seus arsenais. Zaidi declarou 1º de outubro, o primeiro dia após a retirada da coalizão, como Dia da Soberania.
Na segunda-feira, os líderes dos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário elogiaram o momento como um marco que " consolida a presença do Estado e de suas instituições".

Mas advertiram que agora "é necessário enfrentar a presença de armas fora da autoridade estatal (...) de acordo com os prazos estabelecidos pelo governo".
Zaidi, que chegou ao poder neste ano com apoio dos Estados Unidos, prometeu reforçar o controle estatal sobre as armas e garantir que as facções pró-Irã entreguem as armas ao Estado.
Inicialmente, o governo estabeleceu 30 de setembro como prazo final para o desarmamento das facções, mas depois retirou a data limite para dar espaço às negociações políticas sobre a "regulamentação" das armas, uma questão que levará tempo para ser resolvida.

Vários grupos rejeitam o desarmamento e estabeleceram como condição não apenas a retirada das tropas estrangeiras, mas também o fim da interferência política e econômica dos Estados Unidos.
O Kataib Hezbollah —milícia iraquiana que atua como representante da Guarda Revolucionária do Irã— afirmou na segunda-feira (28), em um comunicado, que a saída "das forças de ocupação é um primeiro passo para alcançar a plena soberania". Ao mesmo tempo, ameaçou o governo de Zaidi. "Um governo que não trabalha pelo bem de seu povo será deposto por todos os meios possíveis", afirmou o grupo.
Durante a batalha contra o Estado Islâmico, a coalizão internacional e as facções pró-iranianas enfrentaram os jihadistas, seu inimigo comum.

Após a derrota do Estado Islâmico, um grupo sunita ultrarradical, a presença da coalizão virou um foco de disputa entre as autoridades iraquianas e as facções ligadas ao Irã, a grande potência xiita do Oriente Médio .
Durante a guerra no Oriente Médio, o Irã e suas milícias aliadas intensificaram os ataques contra as forças americanas na região do Curdistão. Os grupos exigiram a retirada das tropas dos Estados Unidos e atacaram os militares com drones e mísseis, o que provocou bombardeios de represália.
Os curdos de Erbil, capital da região do Curdistão, disseram à agência AFP que estão preocupados e querem saber quem vai proteger a área dos drones após a retirada dos aparelhos de interceptação da coalizão.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/09/iraque-defende-soberania-depois-de-retirada-de-militares-dos-eua.shtml.

Combatente curdo na montanha Qarachogh, no Iraque; a coalizão liderada pelos EUA há mais de uma década para combater jihadistas, encerrou sua missão - Safin Hamid/AFP · Safin Hamid/AFP — Foto: Folha de S.Paulo
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