Irã propõe plano de 7 dias aos EUA para abrir Hormuz e encerrar guerra
O ministro das Relações Exteriores do Irã afirmou nesta quinta-feira (24) que Teerã propôs a Washington um plano de sete dias para cessar as hostilidades, reabrir o estreito de Hormuz e, em seguida, iniciar negociações abrangentes sobre o programa nuclear do país. Leia mais (09/25/2026 - 10h38)

Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.
O ministro das Relações Exteriores do Irã afirmou nesta quinta-feira (24) que Teerã propôs a Washington um plano de sete dias para cessar as hostilidades, reabrir o estreito de Hormuz e, em seguida, iniciar negociações abrangentes sobre o programa nuclear do país.

Abbas Araghchi, o ministro das Relações Exteriores, disse a jornalistas durante uma entrevista na Assembleia Geral das ONU , em Nova York, que a proposta refletia de perto os compromissos estabelecidos em um memorando de entendimento firmado entre Estados Unidos e Irã em junho, que rapidamente fracassou.
Ele afirmou que o Irã estava pronto para começar a implementar o plano assim que Washington o aceitasse.
"Apresentamos aos Estados Unidos, por meio dos mediadores, um plano segundo o qual, se certas condições forem atendidas, o estreito de Hormuz seria aberto ao fim do sétimo dia e as negociações seriam retomadas", disse Araghchi.

Ele afirmou que "seria melhor" se um acordo fosse alcançado antes das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos.
Uma autoridade americana a par das negociações disse que o governo vinha mantendo conversas positivas e construtivas por meio de mediadores, mas que os Estados Unidos não se precipitariam para fechar um acordo.
A proposta iraniana surgiu mesmo com o presidente Donald Trump e o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, fazendo discursos mutuamente hostis nas Nações Unidas . Trump ameaçou o Irã com a "aniquilação" caso não chegasse a um acordo, enquanto um desafiador Pezeshkian disse aos líderes mundiais que seu país não se deixaria intimidar.

Embora a proposta do Irã contenha muitas das mesmas condições do acordo que fracassou, a diplomacia conduzida nos bastidores indicou que ambos os lados podem enxergar grandes vantagens em encontrar uma saída para a guerra.
Autoridades iranianas disseram que, embora a proposta fosse, na prática, a mesma do memorando de entendimento firmado em junho, ela foi concebida para avançar em um ritmo muito mais acelerado. No acordo anterior, havia sido estabelecido um prazo de 60 dias para chegar às negociações nucleares.
Segundo as condições estabelecidas pelo Irã para o acordo, de acordo com Araghchi, durante os sete dias cessariam todas as hostilidades, inclusive no Líbano; os EUA liberariam os ativos congelados do Irã, estimados em pelo menos US$ 12 bilhões (R$ 62,2 bilhões); suspenderiam as sanções ao petróleo iraniano; e encerrariam o bloqueio naval ao Irã. Então, no último dia, o estreito de Hormuz seria aberto.

Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo
À tarde, o Bahrein liderou 80 países na condenação dos ataques do Irã no estreito e das ações dos houthis no Iêmen, bem como de seus ataques na Arábia Saudita e no mar Vermelho. Os países pediram ainda a reabertura imediata do estreito , sem a cobrança de pedágios.
Após os sete dias, disse Araghchi, começariam imediatamente negociações abrangentes sobre o programa nuclear do Irã. Trump afirmou que seu principal objetivo é impedir que o Irã tenha uma arma nuclear e que alcançaria isso por meio de um acordo diplomático ou de novos ataques.

Estados Unidos e Irã estão em guerra há quase sete meses. O conflito começou no fim de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel lançaram ataques aéreos que mataram o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei , e integrantes da cadeia de comando militar. Inicialmente, Trump disse que a guerra duraria apenas algumas semanas.
A guerra teve amplas repercussões globais, inclusive nos preços do petróleo, da energia e dos alimentos.
A proposta iraniana surgiu no momento em que negociadores americanos tentam reativar a diplomacia com o Irã em torno de seu programa nuclear, por meio de conversas paralelas à Assembleia da ONU .
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio , disse que uma reunião de três horas entre autoridades americanas e iranianas, mediada pelo Qatar, terminou sem avanços decisivos.
Araghchi, que permanecerá em Nova York até a próxima segunda-feira (28), reuniu-se na terça-feira (22) com o enviado americano Steve Witkoff e Jared Kushner, genro de Trump.
O encontro foi mediado por catarianos, que transmitiam mensagens entre os dois lados. Araghchi o descreveu como "produtivo" e disse que a troca de mensagens continuava.
Ismaeil Baghaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, que também está em Nova York, afirmou ser possível que ocorram outras reuniões mediadas nos próximos dias.
A economia iraniana está sob forte pressão, e os iranianos sofrem com a disparada da inflação dos alimentos básicos, a escassez de medicamentos e as perturbações no comércio.
Analistas disseram que Trump teria de ponderar os benefícios de chegar a um acordo com o Irã antes das eleições de meio de mandato , as chamadas midterms, diante da alternativa de manter a economia do país sob forte pressão, na esperança de obter mais concessões de Teerã.
"Esta é uma jogada inteligente", disse Ali Vaez, diretor para o Irã do International Crisis Group.
"Eles sabem que isso é muito tentador para o presidente Trump porque encerra uma guerra impopular e reduz os preços da energia na reta final para as eleições de meio de mandato. Mas também restabelece um acordo que era amplamente favorável aos iranianos. Um cronograma acelerado para chegar à questão nuclear deve ser atraente para um presidente impaciente."
Este texto foi publicado originalmente, em inglês, no The New York Times.
Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!
Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?
Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.
Semanalmente, os principais fatos do globo, explicados de forma leve e interessante
Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/09/ira-propoe-plano-de-7-dias-aos-eua-para-abrir-hormuz-e-encerrar-guerra.shtml.

Embarcações no estreito de Hormuz, vistas de Musandam, em Omã - 23.set.26/Reuters · 23.set.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo
Compartilhe
Espalhe essa notícia

