Política

    Irã destruir cidades na Califórnia é “preço pequeno”, diz Trump

    Declaração do presidente dos EUA provocou críticas do governador da Califórnia e de opositores

    Poder360
    6 de outubro de 2026 às 19:07
    Irã destruir cidades na Califórnia é “preço pequeno”, diz Trump
    Donald Trump disse que Los Angeles e San Diego poderiam ser atingidas pelo Irã durante a guerra | Reprodução/X/@Acyn-5.ou.2026 — Foto: Poder360

    Declaração do presidente dos EUA provocou críticas do governador da Califórnia e de opositores

    O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), em um comício em Grand Island, Nebraska, na 2ª feira (5.out.2026), disse que o Irã poderia “destruir” Los Angeles e San Diego durante o conflito com o país: “Deixem que destruam”. A declaração provocou críticas de autoridades da Califórnia e de um republicano que disputa uma vaga no Congresso. As informações são da Reuters .

    “Eles podem destruir uma cidade. Deixem que destruam Los Angeles, deixem que destruam Diego. Este é um preço muito pequeno a pagar, e isso vai acabar muito em breve” , disse o presidente.

    Donald Trump disse que Los Angeles e San Diego poderiam ser atingidas pelo Irã durante a guerra
    Donald Trump disse que Los Angeles e San Diego poderiam ser atingidas pelo Irã durante a guerra — Foto: Poder360 · Fonte: Poder360

    O governador da Califórnia, Gavin Newsom (Partido Democrata), criticou a declaração. Em publicação nas redes sociais, chamou Trump de “desequilibrado e perigoso” e disse que o presidente estava incentivando inimigos estrangeiros a atacar Los Angeles e San Diego.

    “Depois de enviar a Guarda Nacional e o Corpo de Fuzileiros Navais (State Marine Corps) para ocupar a California, Donald Trump diz que nossos inimigos estrangeiros podem “destruir” Los Angeles e San Diego. Ele é perigoso e desequilibrado”, diz o post.

    Newsom já havia tido divergências com Trump durante o envio da Guarda Nacional para Los Angeles, em junho de 2025. O presidente mobilizou as tropas para conter protestos contra a política migratória do governo, sem o pedido do governador. Newsom contestou a decisão e entrou com uma ação judicial contra a administração federal.

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    A prefeita de Los Angeles, Karen Bass (Partido Democrata), também criticou a fala. Disse que Trump sugeriu que um governo estrangeiro atacasse a cidade e que as declarações poderiam comprometer a segurança dos moradores.

    “O presidente dos Estados Unidos sugeriu que um país estrangeiro atacasse Los Angeles. Seu discurso contra nossa cidade é perigoso e pode comprometer a nossa seguraça. O papel de um presidente é proteger o país, não ameaçá-lo e encorajar ataques contra a vida de americanos. Diante dessas ameaças irresponsáveis, nós Angelenos, sabemos como permanecer unidos e proteger a nossa cidade”, escreveu.

    Bass também havia criticado a atuação do governo federal em Los Angeles durante as operações migratórias de 2025. As ações mobilizaram a Guarda Nacional e os Marines na cidade por mais de 1 mês.

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    O prefeito de San Diego, Todd Gloria (Partido Democrata), também reagiu à declaração. Disse que a cidade não deveria ser tratada como “dano colateral” ou como algo “descartável”.

    “San Diego não é um dano colateral. Nós não somos descartáveis. E não somos um ‘pequeno preço a pagar’. Mantenha a nossa cidade fora do seu discurso de guerra irresponsável”, diz a publicação.

    A declaração também provocou reação entre republicanos. O deputado Jim Desmond, que disputa uma vaga no Congresso, disse discordar “ veementemente ” dos comentários de Trump. Veterano da Marinha dos Estados Unidos, escreveu que a principal responsabilidade do presidente é proteger os norte-americanos e o território do país.

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    “Nenhuma cidade americana é descartável, e nenhuma família americana deveria ser tratada como dano colateral” , escreveu Desmond.

    “ Discordo veementemente dos comentários do presidente Trump. Os Estados Unidos devem enfrentar o Irã e defender nossos interesses, mas a principal responsabilidade do nosso Comandante-em-Chefe (presidente dos Estados Unidos) é proteger o povo americano e a nossa pátria.

    “Como veterano da Marinha, servi para proteger os americanos, e não para descartar cidades americanas como um preço aceitável da guerra. Nossa missão é manter os americanos em segurança, enfrentar nossos inimigos e garantir que uma ameaça como essa jamais se torne realidade. Nenhuma cidade americana é descartável, e nenhuma família americana deve jamais ser tratada como dano colateral”.

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    Steven Cheung, diretor de comunicação da Casa Branca, defendeu Trump. Disse que a repercussão dos comentários não está baseada na realidade e que o presidente se referia à possibilidade de cidades norte-americanas serem ameaçadas caso o Irã tivesse desenvolvido uma arma nuclear.

    “A América está mais segura por causa do presidente” , escreveu Cheung.

    “O alvoroço da mídia em torno dos comentários do presidente Trump não se baseia na realidade. Ele estava deixando claro que cidades dos EUA teriam sido ameaçadas se o Irã não tivesse sido contido. A América está mais segura graças ao presidente. O Irã não possui armas nucleares, nem marinha, nem força aérea e nem dinheiro”, escreveu.

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    A guerra entre Estados Unidos e Irã começou em 28 de fevereiro de 2026 , quando Estados Unidos e Israel iniciaram uma campanha militar contra o regime iraniano. Trump disse que o objetivo era encerrar o programa nuclear do país.

    Em junho, Estados Unidos e Irã haviam firmado um acordo de cessar-fogo por 60 dias, com previsão de negociações sobre o programa nuclear iraniano e outros pontos do conflito. Os governos dos 2 países assinaram um memorando de entendimento com bases para um acordo destinado a encerrar o conflito. O documento estabeleceu diretrizes para uma negociação de até 60 dias e incluiu temas como o programa nuclear iraniano e a suspensão de sanções econômicas.

    A trégua, no entanto, foi encerrada em julho, depois de uma nova escalada militar . Em setembro, o Irã apresentou uma proposta de cessar-fogo e reabertura do estreito de Ormuz, mas Trump rejeitou a oferta.

    A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou uma resolução para limitar os poderes de Trump na guerra contra o Irã. A medida teve 220 votos a favor e 204 contra, com apoio de todos os democratas presentes e de 7 republicanos.

    Publicado originalmente por Poder360. Leia a matéria completa em https://www.poder360.com.br/poder-internacional/ira-destruir-cidades-na-california-e-preco-pequeno-diz-trump/.

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    Donald Trump disse que Los Angeles e San Diego poderiam ser atingidas pelo Irã durante a guerra — Foto: Poder360

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