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    Irã avalia atacar bases dos EUA na Europa se Trump ampliar guerra, diz jornal

    Resposta depende de ação de Washington; ala radical ganha espaço no comando da defesa iraniana

    UOL
    19 de agosto de 2026 às 16:00
    Irã avalia atacar bases dos EUA na Europa se Trump ampliar guerra, diz jornal
    Foto: UOL

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    O Irã avalia atacar alvos militares dos Estados Unidos na Europa caso Donald Trump intensifique a guerra, segundo pessoas próximas ao regime, enquanto Teerã considera suas opções para elevar os custos do conflito.

    Porta-aviões USS George Washington, da Marinha dos EUA, atravessa o estreito de Malaca - Marinha dos EUA/via Reuters · Marinha dos EUA/via Reuters
    Porta-aviões USS George Washington, da Marinha dos EUA, atravessa o estreito de Malaca - Marinha dos EUA/via Reuters · Marinha dos EUA/via Reuters — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Dois integrantes do regime disseram ao Financial Times que as forças iranianas avaliaram atingir ativos dos EUA em países do sudeste europeu, como a Bulgária, que no mês passado aprovou o uso de sua base aérea de Bezmer por aeronaves americanas de reabastecimento.

    Uma das fontes acrescentou que Chipre, onde uma base aérea britânica foi atingida por um drone em março , também estava entre os possíveis alvos de retaliação em caso de uma nova ofensiva dos EUA.

    As fontes disseram que as forças iranianas também analisaram a possibilidade de atacar cabos submarinos de fibra óptica no estreito de Hormuz em caso de escalada.

    Estreito de Hormuz: crise afeta petróleo, fertilizantes e exportações do Brasil
    Estreito de Hormuz: crise afeta petróleo, fertilizantes e exportações do Brasil — Foto: UOL · Fonte: UOL

    As ameaças refletem o clima de desafio em Teerã, onde cada vez mais integrantes do regime veem a retomada da guerra como uma questão de quando, e não de se ocorrerá.

    As negociações para reabrir o estreito estão paralisadas, e o líder supremo do Irã, aiatolá Mojtaba Khamenei , promoveu na semana passada integrantes da ala mais radical a cargos de alto escalão nas áreas de segurança e defesa. Na terça-feira (18), Trump afirmou que não havia "nenhuma negociação ou conversa em andamento ou programada" com Teerã.

    O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica e outros comandantes militares advertiram que, em um novo conflito de grande escala, o Irã iria além de sua estratégia anterior de atacar instalações militares americanas, estruturas de energia e outras infraestruturas no Oriente Médio , passando a atingir alvos mais distantes.

    EUA e Irã retomam ataques após fim de cessar-fogo
    EUA e Irã retomam ataques após fim de cessar-fogo — Foto: UOL · Fonte: UOL

    No mês passado, a Guarda ameaçou o Reino Unido devido ao uso de bases militares britânicas pelos americanos, afirmando que "qualquer base usada para lançar um ataque contra o território iraniano será considerada um alvo legítimo".

    Sidharth Kaushal, pesquisador do think tank Royal United Services Institute, em Londres, descreveu a ameaça representada pelos mísseis iranianos a alvos na Europa e em outros lugares como "real, mas limitada".

    O Irã poderia empregar mísseis balísticos de médio alcance, como os da série Shahab, contra instalações dos EUA no sul e no sudeste da Europa, mas Kaushal afirmou que eles teriam dificuldade para causar danos a distâncias maiores.

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    Segundo as fontes, a retaliação do Irã dependeria das ações de Washington.

    Uma delas afirmou que o regime preparava um plano para ampliar ainda mais o conflito caso Trump concretizasse ameaças anteriores de atacar a infraestrutura iraniana. No mês passado, o presidente dos EUA disse que Washington destruiria uma ponte ou usina elétrica iraniana toda vez que a República Islâmica atacasse um navio no estreito.

    A segunda fonte afirmou que o Irã não imporia "limite algum" à sua resposta em caso de agressão dos EUA. "Se os EUA forem longe demais, o Irã se defenderá a qualquer custo, irá além da região e atingirá também a Europa", disse a pessoa.

    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background.
Foto:  Mario / adobe stock
    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background. Foto: Mario / adobe stock — Foto: UOL · Fonte: UOL

    O Irã já demonstrou sua disposição de atacar alvos distantes. Nas semanas seguintes ao início da guerra pelos EUA e por Israel , em fevereiro, Washington acusou Teerã de disparar vários mísseis —nenhum dos quais alcançou o alvo— contra Diego Garcia, uma base militar conjunta dos EUA e do Reino Unido no Oceano Índico, a cerca de 4.000 km de distância.

    Em março, a Turquia afirmou que as defesas aéreas da Otan haviam interceptado vários mísseis balísticos lançados do Irã, enquanto a base aérea britânica de Akrotiri, em Chipre, foi atingida por um drone no mesmo mês. Autoridades ocidentais disseram na ocasião suspeitar que se tratava de um drone iraniano lançado por forças aliadas na região, e não pela própria Teerã.

    As fontes afirmaram que um ataque iraniano no mês passado contra a base dos EUA na Jordânia , que matou três militares americanos, foi o ataque de longo alcance mais preciso já realizado pela República Islâmica e demonstrou sua capacidade de atingir alvos a distâncias maiores.

    "Essa também foi uma mensagem à Europa: ela pode receber mísseis, portanto deve saber de que lado ficar nesta guerra", disse a primeira fonte. "Um erro muito grave, como atingir nossa infraestrutura, poderia fazer a guerra ultrapassar os limites da região e chegar à Europa."

    Um memorando de entendimento firmado em junho entre os EUA e o Irã desmoronou no mês passado, depois que Teerã atacou embarcações no estreito e os dois lados se acusaram mutuamente de violar o acordo provisório, provocando rodadas de ataques e um novo bloqueio americano aos portos iranianos.

    Semanas de esforços diplomáticos não conseguiram produzir um avanço que permitisse reabrir a via marítima e retomar as negociações sobre um acordo mais amplo para encerrar a guerra, e Trump tem se mostrado cada vez mais frustrado com o impasse.

    Kaushal, pesquisador do Royal United Services Institute, afirmou que mísseis de maior alcance também poderiam ser usados, mas teriam de transportar uma carga mais leve para alcançar a distância necessária —o que significaria danos mínimos.

    Ele sugeriu que "seria mais proveitoso para eles agir por meio de grupos aliados", entre os quais estão organizações como as milícias xiitas no Iraque, o Hezbollah no Líbano e os houthis no Iêmen.

    Douglas Barrie, do International Institute for Strategic Studies, afirmou: "Os ataques que eles tentaram realizar contra Diego Garcia neste ano são um indicativo de que possuem armas com alcance superior a 2.000 km".

    "Quantas dessas armas eles realmente possuem é outra questão, assim como permanece em aberto se estariam dispostos a usar ao menos algumas delas para fazer algum tipo de demonstração de força."

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    "O risco é que os mísseis falhem ou sejam abatidos; nesse caso, que benefício teriam? Quanto maior o alcance, mais difícil é obter uma precisão realmente elevada."

    Alguns integrantes do regime iraniano temem que Teerã esteja forçando demais a situação. Muitos membros da linha-dura acreditam que não se pode confiar nos EUA para implementar qualquer acordo e que o Irã precisa impor um custo maior a Washington para garantir que cumpra suas obrigações em qualquer acordo definitivo.

    Entre eles está Mohsen Rezaei, ex-comandante da Guarda que Khamenei nomeou na semana passada como a principal autoridade de segurança do país.

    Analistas iranianos interpretaram a medida como um sinal de que figuras como Mohammad Bagher Ghalibaf, o principal negociador do país, foram deixadas de lado por enquanto, à medida que as perspectivas de um acordo duradouro parecem cada vez mais remotas.

    O Irã "está enviando uma mensagem clara de que, se vocês não chegarem a um acordo com Ghalibaf, terão de lidar com Rezaei", disse a segunda fonte. "A mensagem é: ‘Não fique louco, porque eu sou mais louco do que você.’"

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/08/ira-avalia-atacar-bases-dos-eua-na-europa-se-trump-ampliar-guerra-diz-jornal.shtml.

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    Porta-aviões USS George Washington, da Marinha dos EUA, atravessa o estreito de Malaca - Marinha dos EUA/via Reuters · Marinha dos EUA/via Reuters — Foto: UOL

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