Irã adverte contra cooperação de países com os EUA e promete combater sanções
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Porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei (Reprodução: Wikipedia)
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, afirmou nesta segunda-feira (24) que “qualquer cumplicidade” em ajudar os Estados Unidos a executar seu bloqueio econômico contra a República Islâmica “certamente terá consequências”, e enfatizou que a campanha de pressão econômica de Washington fracassará.
Em coletiva de imprensa, Baghaei disse que Teerã atacará bases americanas em países europeus caso a União Europeia participe de agressões contra o Irã. Ele também afirmou que a visita do ministro das Relações Exteriores de Omã ao país não está relacionada à do chefe do Exército do Paquistão, ressaltando que as duas agendas apenas coincidiram no tempo.

As ameaças de retaliação ocorrem no momento em que o governo Trump se prepara para anunciar novas sanções que, segundo autoridades americanas, serão um “Dia D econômico”.
A moeda do Irã renovou a mínima recorde nesta segunda-feira, enquanto Washington se prepara para anunciar novas sanções que, segundo autoridades americanas, serão um “Dia D econômico” e devem ampliar a pressão sobre uma economia já castigada por medidas anteriores e por um bloqueio naval dos EUA.
O rial caiu para 2,02 milhões por dólar na abertura das negociações em mercados informais de câmbio. A cotação oficial do Banco Central do Irã estava em cerca de 1,5 milhão de riais por dólar, mas é a taxa informal que a maioria dos iranianos paga.

A moeda já vinha sob pressão antes do ataque de EUA e Israel ao Irã, em 28 de fevereiro, em um cenário de inflação de dois dígitos e crescimento negativo. Desde então, vem renovando sucessivas mínimas históricas, à medida que quase seis meses de guerra cobram um custo ainda maior.
Apesar disso, o presidente dos EUA, Donald Trump, não conseguiu obter concessões do Irã, que mantém forte controle sobre a navegação no Estreito de Ormuz, a via estratégica por onde, antes do início da guerra, transitava livremente um quinto do petróleo negociado no mundo. Durante o conflito, ataques e ameaças iranianas têm prejudicado severamente esse fluxo.
Irã e Omã, país do outro lado do estreito, estariam nas etapas finais de um acordo para um plano de gestão conjunta da hidrovia. Segundo autoridades regionais, a proposta incluiria a entrada de navios no Golfo Pérsico por uma rota sob controle iraniano e a saída por uma rota controlada por Omã.
Trump tem sido duro com Omã, aliado dos EUA, e chegou a ameaçar bombardear o país se ele “atrapalhar”.
O ministro das Relações Exteriores de Omã deverá visitar o Irã na terça-feira para novas conversas.
Na tentativa de romper o impasse com o Irã, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, prometeu anunciar sanções ainda mais duras do que as já em vigor, incluindo sanções secundárias contra países que continuem a fazer negócios com o Irã.
“O presidente Trump devastou a economia do Irã a um ponto em que o rial nunca esteve tão fraco e a inflação raramente foi tão alta”, escreveu Bessent no domingo, em artigo de opinião no Financial Times . “O último refúgio do regime agora está no autoengano de nações temerosas que ainda acreditam que acomodar a agressão pode garantir uma paz duradoura.”
Na semana passada, os Emirados Árabes Unidos anunciaram que vão suspender todo o comércio com o Irã. Trump havia telefonado para o líder do país, o xeque Mohammed bin Zayed Al Nahyan, no dia anterior ao anúncio.
Os Emirados são, há muito, um dos maiores parceiros comerciais do Irã e sua principal fonte de importações, além de um importante centro de reexportação e financeiro para empresas iranianas.
Após as declarações de Bessent, Mohsen Rezaei, líder linha-dura do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, disse, em publicação no X, que o apoio de qualquer país a novas medidas econômicas americanas seria visto como um “ato de guerra”. Fonte: Associated Press.
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Publicado originalmente por InfoMoney. Leia a matéria completa em https://www.infomoney.com.br/mundo/ira-adverte-contra-cooperacao-de-paises-com-os-eua-e-promete-combater-sancoes/.

Foto: InfoMoney
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