Iprev Maceió previa 0% em ativos bancários; Master concentrou quase 20%
A política de investimentos do Iprev de Maceió estabelecia uma meta de 0% para aplicações em ativos de emissão bancária em 2023. Apesar da diretriz, o instituto aplicou R$ 80 milhões em letras financeiras do Banco Master no mesmo ano e ampliou a exposição em 2024, chegando a um patamar próximo de 20% dos recursos previdenciários.A discrepância aparece como um dos principais indícios analisados pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, para autorizar as buscas realizadas pela Polícia Federal nesta segunda-feira (10). A operação alcançou seis investigados, além das sedes do Ipre

Diferença entre política aprovada e investimentos realizados foi um dos principais indícios apontados por André Mendonça
A política de investimentos do Iprev de Maceió estabelecia uma meta de 0% para aplicações em ativos de emissão bancária em 2023. Apesar da diretriz, o instituto aplicou R$ 80 milhões em letras financeiras do Banco Master no mesmo ano e ampliou a exposição em 2024, chegando a um patamar próximo de 20% dos recursos previdenciários.
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A discrepância aparece como um dos principais indícios analisados pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, para autorizar as buscas realizadas pela Polícia Federal nesta segunda-feira (10). A operação alcançou seis investigados, além das sedes do Iprev e da consultoria Crédito & Mercado.
O primeiro aporte foi realizado em 6 de dezembro de 2023, no valor de R$ 80 milhões, com remuneração de IPCA mais 7,60% ao ano. Em 13 de maio de 2024, o instituto aplicou outros R$ 17 milhões, com taxa de IPCA mais 7,30%. O total nominal investigado pelo STF é de R$ 97 milhões.
Para 2024, a política do Iprev passou a admitir até 5% de exposição a ativos bancários. Segundo a investigação, porém, os gestores mantiveram e ampliaram a concentração no Master até um patamar quatro vezes superior ao limite previsto.

As letras financeiras adquiridas eram subordinadas, tinham liquidez restrita e colocavam o Iprev em posição desfavorável na ordem de pagamento aos credores. A PF também apontou justificativas genéricas nos documentos de autorização e ausência de estudos suficientes sobre risco de crédito, solvência do banco, liquidez e alternativas de investimento.
Outro ponto levantado é que o Banco Master não integraria a lista do Ministério da Previdência de instituições habilitadas para receber recursos de regimes próprios na data do primeiro aporte. A inclusão teria ocorrido apenas em 2024. A investigação busca identificar quem conhecia essa limitação e como foram produzidos os documentos utilizados para justificar as operações.
André Mendonça ressaltou que a diferença entre a política aprovada e os investimentos realizados não comprova fraude por si só, mas exige uma explicação técnica documentada, considerada até agora “inexistente ou insuficiente”. O ministro autorizou buscas e determinou o bloqueio de bens de seis investigados até o limite global de R$ 97 milhões.

O Iprev nega irregularidades e afirma que as aplicações seguiram as normas vigentes. O instituto também sustenta que os recursos não representam uma perda definitiva, mas um crédito habilitado no processo de liquidação do Banco Master.






Publicado originalmente por Gazeta de Alagoas. Leia a matéria completa em https://www.gazetaweb.com/noticias/politica/iprev-maceio-previa-0-em-ativos-bancarios-master-concentrou-quase-20-928288.

Foto: Gazeta de Alagoas
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