Investidores enfrentam queda nos Treasuries para garantir os maiores rendimentos em décadas
Grandes investidores estão comprando títulos do Tesouro dos Estados Unidos para garantir os maiores rendimentos em décadas, apostando que os custos de financiamento não subirão muito mais antes que uma onda de vendas, que já dura meses, perca força.

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Grandes investidores estão comprando títulos do Tesouro dos Estados Unidos para garantir os maiores rendimentos em décadas, apostando que os custos de financiamento não subirão muito mais antes que uma onda de vendas, que já dura meses, perca força.

Os fundos de títulos públicos americanos receberam quase US$ 14 bilhões (R$ 70,2 bilhões) em aportes desde o início de outubro, após registrarem entradas líquidas recordes de US$ 59,3 bilhões (R$ 297 bilhões) no terceiro trimestre, segundo cálculos do Financial Times com base em dados da EPFR.
Embora esses fluxos representem apenas uma pequena parcela do mercado de títulos do Tesouro americano , avaliado em US$ 32 trilhões (R$ 160,4 trilhões), gestores afirmam que a alta de 1,06 ponto percentual nos rendimentos dos títulos de dez anos neste ano, para 5,24% ao ano, tornou os papéis mais atraentes.
"Esse é um nível elevado, que naturalmente atrai novos interessados", disse Vincent Mortier, diretor de investimentos da Amundi. Segundo ele, as equipes da gestora, que administra 2,6 trilhões de euros (R$ 14,6 trilhões) em ativos, estão agora "aumentando a exposição gradualmente" aos títulos do Tesouro americano nas carteiras denominadas em dólares.

A BlackRock, maior gestora de recursos do mundo , afirmou nesta semana que está comprando títulos do Tesouro de todos os prazos para "garantir rendimentos", argumentando que as expectativas de aumento dos juros pelo Fed (Federal Reserve) se tornaram "potencialmente excessivas".
O maior interesse dos investidores pelos títulos americanos ocorre após uma forte onda de vendas nos últimos meses , desencadeada pela alta dos custos de energia decorrente da guerra do presidente Donald Trump contra o Irã, pela emissão elevada de dívida por empresas de inteligência artificial e pelas expectativas de que a economia dos Estados Unidos cresça em ritmo acelerado nos próximos anos.
Embora muitos gestores relutem em afirmar que a onda de vendas chegou ao fim, eles também buscam oportunidades para garantir retornos fixos elevados por vários anos.

Os rendimentos mais altos levaram investidores a participar em massa dos leilões recentes de títulos do Tesouro americano.
A demanda foi forte pelos US$ 39 bilhões (R$ 195,5 bilhões) em títulos de dez anos oferecidos na última quarta-feira (7), vendidos poucas horas depois de os rendimentos atingirem o pico de 5,36%, o maior nível em 24 anos. Os primary dealers —grandes bancos responsáveis por absorver a parcela da oferta que não é comprada por outros investidores— registraram a menor participação desde 2003. Os leilões de títulos de três e 30 anos realizados na semana passada também tiveram demanda robusta.
A atratividade dos títulos de dez anos também é reforçada pelas expectativas do mercado de que a inflação média fique em torno de 2,35% ao ano na próxima década. Isso proporcionaria um retorno "real", descontada a inflação, de quase 3%, afirmou Mortier.
Dan Ivascyn, diretor de investimentos da Pimco, gestora de renda fixa com US$ 2,3 trilhões (R$ 11,53 trilhões) em ativos, disse que os títulos do Tesouro ainda podem sofrer novas quedas de preço, elevando seus rendimentos, mas parecem atraentes em comparação com ações negociadas perto de máximas históricas. Os títulos corporativos também oferecem uma compensação adicional pequena pelos riscos assumidos pelos investidores em relação à dívida do governo americano, considerada de risco muito baixo.
"Quando observamos o quanto as avaliações das ações estão esticadas e os spreads de crédito estão estreitos, estamos considerando esses juros muito mais atraentes", disse Ivascyn.
Greg Peters, codiretor de investimentos da PGIM Credit, afirmou que "um rendimento superior a 5% para um título americano de dez anos é uma boa opção para manter no médio e longo prazo. É um investimento bastante interessante".
Mortier acrescentou que o grupo de investimentos considera mais provável que os rendimentos dos títulos americanos caiam a partir dos níveis atuais do que continuem subindo. A avaliação leva em conta a expectativa de que a recente aceleração da inflação perca força no médio prazo.
Muitos investidores, porém, continuam preocupados com a compra de títulos de vencimento mais longo, mais vulneráveis ao risco de que o Fed inicie um ciclo de elevação dos juros para conter a inflação, após o aumento registrado no mês passado.
"Não tenho certeza se compraria títulos do Tesouro com prazo de 30 anos", disse Peters.
Na mesma linha, Vishal Khanduja, chefe de renda fixa de mercados amplos e gestor de portfólio da Morgan Stanley Investment Management, classificou os títulos com vencimento em até dez anos como "atraentes", enquanto afirmou ter "um nível de convicção menor" em relação aos papéis de 20 e 30 anos.
"Acreditamos —e é assim que nossas carteiras também estão posicionadas— que esses níveis de rendimento devem ser suficientemente atraentes para levar os investidores a sair de aplicações em dinheiro, de alguns títulos com juros flutuantes ou de carteiras nas quais vinham investindo, migrando para ativos de taxa fixa e garantindo parte desses rendimentos."
No entanto, "quanto mais longo o prazo dos títulos, mais os fatores técnicos de oferta e demanda interagem de forma bastante intensa", acrescentou Khanduja. Ele citou a decisão do secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, de ampliar as recompras de títulos da dívida pública dos Estados Unidos.
"Fica muito difícil estabelecer uma avaliação clara quando participantes que não agem por motivos econômicos entram no mercado e distorcem alguns dos fatores técnicos de oferta e demanda nessa parte da curva de juros", disse Khanduja.
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Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/10/investidores-enfrentam-queda-nos-treasuries-para-garantir-os-maiores-rendimentos-em-decadas.shtml.

Operador trabalha na Bolsa de Nova York enquanto telas exibem coletiva do presidente do Fed, Kevin Warsh - Brendan McDermid - 06.out.26/Reuters · Brendan McDermid - 06.out.26/Reuters — Foto: UOL
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