Brasil

    Invenção e reinvenção do futebol

    Não existe um único caminho para obter ótimos desempenhos e resultados

    UOL
    15 de setembro de 2026 às 22:00
    Invenção e reinvenção do futebol
    Foto: UOL

    Cronista esportivo, participou como jogador das Copas de 1966 e 1970. É formado em medicina

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    Veja fotos da final da Copa do Mundo 2026
    Veja fotos da final da Copa do Mundo 2026 — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Ancelotti , pela primeira vez, reconheceu que existe uma carência de grandes meio-campistas no futebol brasileiro. Disse ainda que a Espanha joga com muita posse de bola, muita troca de passes e associações no meio-campo porque tem a sorte de possuir jogadores excepcionais no setor.

    A Espanha forma um grande número de excelentes meio-campistas por convicção. No Brasil, os jogadores hábeis e criativos são deslocados para atuarem mais na frente, centralizados, no ataque ou pelas pontas.

    Aqui persiste ainda a antiga divisão no meio-campo entre os volantes que marcam e os meias que atacam, embora nos últimos anos tenham surgido bons meio-campistas que atuam de uma intermediária à outra. Porém não há, com exceção de Bruno Guimarães, outro meio-campista de talento para o nível de uma seleção brasileira. Existem promessas.

    Veja lances de Espanha 4 x 0 Arábia Saudita na Copa do Mundo 2026
    Veja lances de Espanha 4 x 0 Arábia Saudita na Copa do Mundo 2026 — Foto: UOL · Fonte: UOL

    A Espanha, campeã do mundo , bastante aplaudida, poderia ter jogado melhor se Pedri tivesse brilhado, como faz habitualmente, e se Lamine Yamal estivesse em forma, pois se recuperava de uma contusão durante o Mundial.

    Há décadas os espanhóis priorizam o meio-campo. Uns 20 anos atrás, o Barcelona encantou o mundo e revolucionou o futebol, sob o comando de Guardiola, com um trio de craques meio-campistas formado por Busquets, Xavi e Iniesta. No mesmo modelo, a Espanha foi campeã do mundo em 2010 e bi da Europa em 2008 e 2012.

    O time atual do Barcelona, com a contratação de Rodri, maestro e condutor do meio-campo da seleção, ficou ainda mais forte com a presença de outros campeões do mundo: Pedri, Olmo, o zagueiro Cubarsi, além de Raphinha .

    Este é Raphinha
    Este é Raphinha — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Evidentemente, a maneira de jogar da Espanha não é a única eficiente. O ideal é unir, em um mesmo jogo, a posse de bola e a troca curta de passes, com as transições rápidas da defesa para o ataque, de acordo com o momento. Para isso, é necessário saber o instante certo de pausar, ficar com a bola, e o de acelerar em direção ao gol.

    O futebol brasileiro vive um impasse. Não sabe se aposta no passado, como querem muitos saudosistas, priorizando o drible, a improvisação e as jogadas de efeito, ou se adota uma postura mais cientifica, pragmática, racional, como se tivesse um GPS para mostrar o caminho em direção ao gol.

    Após o encantador futebol dos anos 60 e 70 —época de esplendor também nas artes, com o magistral "Grande Sertão: Veredas", de Guimarães Rosa , e o surgimento de artistas geniais, como Chico Buarque , Caetano Veloso e tantos outros— houve, a partir dos anos 80, progressivamente, uma grande transformação no futebol por causa da evolução cientifica. O jogo ficou mais estratégico, previsível e ruim.

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    Foto: UOL · Fonte: UOL

    Nos últimos 20 anos ocorreu uma reação, especialmente na Europa, com a união entre o jogo inventivo dos anos 60 e o pragmatismo e a disciplina tática. O futebol renasceu, voltou a ser bonito e eficiente, uma maneira de jogar que ainda não foi bem assimilada pelo futebol brasileiro e é uma das razões dos fracassos nos últimos seis Mundiais.

    Seja qual for a época, não existe um único caminho para obter ótimos desempenhos e resultados. No instante do lance, os grandes craques inventam e reinventam o futebol.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/colunas/tostao/2026/09/invencao-e-reinvencao-do-futebol.shtml.

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