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    Intervenção de secretário de Trump em títulos coloca Tesouro dos EUA em colisão com Fed

    A intervenção do secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, no mercado de títulos está seguindo em direção oposta à batalha do Fed (Federal Reserve) contra a inflação, alertaram grandes investidores antes do discurso do presidente do Fed, Kevin Warsh, em Jackson Hole, no estado de Wyoming.

    UOL
    26 de agosto de 2026 às 16:00
    Intervenção de secretário de Trump em títulos coloca Tesouro dos EUA em colisão com Fed
    Homem de terno azul fala em púlpito de madeira com selo do Departamento do Tesouro dos EUA. Três bandeiras americanas e uma bandeira verde estão ao fundo em ambiente interno. — Foto: UOL

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    A intervenção do secretário do Tesouro dos Estados Unidos , Scott Bessent, no mercado de títulos está seguindo em direção oposta à batalha do Fed (Federal Reserve) contra a inflação, alertaram grandes investidores antes do discurso do presidente do Fed, Kevin Warsh, em Jackson Hole, no estado de Wyoming.

    Bessent quer reduzir custos de empréstimos enquanto Fed mira inflação - Evelyn Hockstein/- 24.ago.26/Reuters · Evelyn Hockstein/- 24.ago.26/Reuters
    Bessent quer reduzir custos de empréstimos enquanto Fed mira inflação - Evelyn Hockstein/- 24.ago.26/Reuters · Evelyn Hockstein/- 24.ago.26/Reuters — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Wall Street criticou amplamente a decisão surpresa de Bessent, anunciada na semana passada, de "pelo menos dobrar" as compras de títulos de longo prazo do governo americano. Investidores afirmam que a medida pode tanto prejudicar a credibilidade do Tesouro quanto dificultar a capacidade do Fed de conter a alta da inflação neste ano.

    A estratégia de Bessent para sustentar o mercado de títulos de US$ 32 trilhões (R$ 164,8 trilhões), depois que os custos de empréstimos de longo prazo atingiram o maior nível em 19 anos, elevou a pressão sobre Warsh antes de seu discurso na conferência econômica do Fed de Kansas City, na sexta-feira (21).

    "Tenho uma visão muito negativa sobre a justificativa do Tesouro e sua interferência. Acho que é uma estratégia autolimitada e autodestrutiva", disse Greg Peters, co-diretor de investimentos da PGIM Credit. "Os mercados esperam alguma coisa de Warsh , mas não tenho certeza do que ele deveria fazer neste caso."

    Bloqueio dos EUA em Cuba provoca crise sem precedentes no país
    Bloqueio dos EUA em Cuba provoca crise sem precedentes no país — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Lisa Shalett, diretora de investimentos da Morgan Stanley Wealth Management, acrescentou que intervir no mercado de Treasuries "porque você está irritado" com a alta dos rendimentos "não é um argumento convincente e cheira a capricho".

    "E você não quer um Tesouro imprevisível e caprichoso", disse ela. Se Bessent continuasse tentando exercer controle sobre os rendimentos no mercado de títulos mais importante do mundo, "isso seria uma admissão de que eles estão preocupados em Washington com a sustentabilidade da dívida", acrescentou Shalett.

    A reação à intervenção surpresa de Bessent aumentou a pressão sobre o presidente do Fed para tranquilizar investidores sobre os riscos financeiros e econômicos decorrentes da guerra do governo Trump contra o Irã, que fez os custos dispararem para consumidores e empresas.

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    Warsh viaja para o encontro de banqueiros centrais em Jackson Hole já pressionado pelos mercados —e por alguns de seus colegas no Fed— a explicar o que seria necessário para elevar os juros e levar a inflação para mais perto da meta de 2% do banco central. A leitura mais recente colocou a inflação dos EUA em 3,7%.

    O plano de Bessent de aumentar as compras de títulos tem como objetivo reduzir os custos de empréstimos de longo prazo, que subiram nos últimos meses em meio a preocupações com a inflação, o aumento dos gastos públicos e a enorme emissão de dívida para financiar o boom da IA (inteligência artificial) .

    Warsh e Bessent —ambos protegidos do bilionário dos fundos de hedge Stanley Druckenmiller— se encontram regularmente e, segundo pessoas próximas, mantêm uma relação cordial. Mas investidores e economistas apontaram que as prioridades e estratégias do Fed e do Tesouro parecem cada vez mais conflitantes.

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    Ilustração para Economia - Governo vai implantar sistema de chamadas verificadas contra fraudes telefônicas - Ferramenta será capaz de indicar se ligação partiu ou não de origem confiável — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Druckenmiller classificou nesta semana como um "erro" o plano de aumentar a recompra de Treasuries de longo prazo para pelo menos US$ 4 bilhões (R$ 20,6 bilhões).

    "Isso não foi gestão de liquidez, foi gestão de preços —e um erro muito maior do que US$ 4 bilhões (R$ 20,6 bilhões) sugere", escreveu ele em um artigo de opinião no Wall Street Journal.

    A intervenção do Tesouro teve efeito limitado sobre os rendimentos dos títulos. Mas, se a medida de Bessent for bem-sucedida, ela reduzirá as taxas de hipotecas e outros custos de empréstimos, estimulando a economia. Isso ocorre justamente quando vários integrantes do Fed afirmaram que o banco central deveria considerar o caminho oposto: elevar os juros para conter a inflação.

    Três integrantes do comitê do Fed defenderam um aumento dos juros na votação do banco central americano em julho. Desde então, presidentes de outros bancos regionais do Fed também disseram que apoiariam uma alta de 0,25 ponto percentual nos custos de empréstimos.

    Krishna Guha, vice-presidente da Evercore ISI, disse que a medida do Tesouro pode ter causado desconforto não apenas entre investidores, "mas também entre integrantes do FOMC (Federal Open Market Committee)".

    A intervenção de Bessent foi rapidamente seguida por declarações dele de que o aumento dos custos de financiamento do governo dos EUA não "refletia os fundamentos subjacentes" da economia.

    Em contraste, Warsh tem enfatizado que os investidores precisam se orientar mais pelos dados econômicos e pelos preços de mercado, em vez de esperar que os banqueiros centrais forneçam a chamada forward guidance (orientação futura) sobre a trajetória dos custos de financiamento nos EUA.

    O presidente do Fed sugeriu no mês passado que os rendimentos mais altos dos Treasuries refletiam acontecimentos econômicos que apontavam para a necessidade de custos de financiamento mais elevados. Ele acrescentou que o banco central sob sua liderança estava "tentando não interferir no sinal do mercado".

    "A visão central de Warsh é difícil de conciliar com o que o Tesouro está fazendo", disse Guha. "É difícil para Warsh defender a formação de preços pelo mercado no mercado de títulos agora, se você tem um secretário do Tesouro dizendo que os preços estão errados e também intervindo nesse mercado."

    Espera-se que Warsh use seu discurso em Jackson Hole para explicar a lógica por trás de seu estilo de comunicação mais contido e convencer os mercados de que pode liderar os esforços do Fed para levar a inflação em direção à meta de 2%, após mais de cinco anos.

    Scott Barnard, gestor de portfólio de renda fixa da Westwood, disse que a decisão de Warsh de abandonar a forward guidance (orientação futura), combinada com a intervenção de Bessent para limitar a alta dos rendimentos de longo prazo, criou a impressão de que o Fed e o Tesouro estavam "puxando em direções opostas".

    O desejo do governo Trump de reduzir os custos de financiamento antes das eleições legislativas de meio de mandato, em novembro, também levantou preocupações de que o banco central possa sofrer pressão para intervir, caso a tentativa de Bessent de controlar os rendimentos continue fracassando.

    "Haveria um cheiro de dominância fiscal se o Fed conduzisse a política monetária tendo em vista ajudar na gestão da dívida", disse Jason Furman, professor de Harvard que presidiu o Conselho de Assessores Econômicos da Casa Branca durante o governo do ex-presidente Barack Obama .

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/08/intervencao-de-secretario-de-trump-em-titulos-coloca-tesouro-dos-eua-em-colisao-com-fed.shtml.

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