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    Interface cérebro-computador avança para aplicações clínicas e industriais

    Tecnologia passa do laboratório para aplicações clínicas e industriais em Xangai, com foco em paralisia e cegueira

    Poder360
    12 de setembro de 2026 às 10:20
    Interface cérebro-computador avança para aplicações clínicas e industriais
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    Tecnologia passa do laboratório para aplicações clínicas e industriais em Xangai, com foco em paralisia e cegueira

    Controlar 1 drone apenas com o pensamento, ajudar pacientes com paralisia a recuperar parte da capacidade motora e oferecer novas perspectivas para a recuperação da percepção visual em pessoas cegas. O que durante muito tempo pertenceu ao universo da ficção científica começa a virar realidade em Xangai, leste da China, onde a interface cérebro-computador avança do laboratório para aplicações clínicas e industriais.

    No Cluster da Indústria do Futuro para Interface Cérebro-Computador de Shanghai, no distrito de Minhang, em Xangai, encontra-se um espaço que reúne diferentes linhas de desenvolvimento tecnológico e dezenas de empresas dedicadas ao desenvolvimento de interfaces cérebro-computador. No centro de exposições, sistemas de reconstrução visual, dispositivos para reabilitação motora, soluções terapêuticas não invasivas e protótipos de interação homem-máquina demonstram o ritmo acelerado de uma indústria considerada estratégica para o desenvolvimento científico e tecnológico da China.

    A tecnologia estabelece um canal direto de comunicação entre o cérebro humano e equipamentos externos por meio da aquisição, interpretação e transmissão de sinais neurais
    A tecnologia estabelece um canal direto de comunicação entre o cérebro humano e equipamentos externos por meio da aquisição, interpretação e transmissão de sinais neurais — Foto: Poder360 · Fonte: Poder360

    A interface cérebro-computador foi incluída entre as indústrias prioritárias do 15º Plano Quinquenal (2026-2030). A tecnologia estabelece um canal direto de comunicação entre o cérebro humano e equipamentos externos por meio da aquisição, interpretação e transmissão de sinais neurais, criando novas possibilidades para diagnóstico, tratamento e reabilitação de doenças neurológicas.

    Entre as empresas instaladas no parque está a Neuracle Technology (Xangai) Co., Ltd., responsável pelo desenvolvimento do 1º dispositivo médico invasivo de interface cérebro-computador aprovado para comercialização no mundo. O sistema, destinado à compensação da função motora das mãos, implanta eletrodos entre o crânio e a dura-máter, permitindo captar sinais cerebrais com elevada precisão e reduzindo, ao mesmo tempo, os riscos cirúrgicos em comparação a tecnologias mais invasivas.

    Segundo Wang Yujing, diretora de produto e responsável clínica da empresa, a empresa está trabalhando para acelerar a aplicação clínica do produto e ampliar o acesso dos pacientes à tecnologia.

    “O nosso objetivo é permitir que os pacientes tenham acesso a esse sistema, recebam o tratamento e possam arcar com seus custos”, disse. Ela acrescentou que, logo depois da aprovação do dispositivo, autoridades responsáveis pelo sistema de seguro de saúde orientaram a empresa no processo de codificação do produto, criando condições para uma futura inclusão do produto no sistema de seguro de saúde.

    Outra empresa instalada no parque, a MingShi Brain Computer Technology, concentra seus esforços na reconstrução da visão para pacientes totalmente cegos. O sistema da companhia utiliza uma interface cérebro-computador invasiva, capaz de estimular diretamente o córtex visual por meio de eletrodos implantados cirurgicamente.

    Para demonstrar o funcionamento da tecnologia, visitantes utilizam um visor de realidade virtual que reproduz a forma como um paciente percebe as imagens após a estimulação cerebral: pessoas e objetos aparecem como conjuntos de pontos em tons de preto, branco e cinza.

    Segundo Chen Wenkai, diretor comercial da empresa, o sistema já é capaz de proporcionar uma recuperação parcial da função visual, com desempenho equivalente aproximadamente ao de uma acuidade visual de 0,1, e está atualmente em fase de estudos clínicos.

    Estima-se que a China tenha cerca de 9 milhões de pessoas com cegueira total, enquanto o número supera 43 milhões em todo o mundo. Para esse grupo de pacientes, tecnologias de reconstrução visual baseadas em interface cérebro-computador oferecem novas possibilidades para que esses pacientes recuperem parte da capacidade de interação com o ambiente.

    O desenvolvimento dessas aplicações é sustentado por um ecossistema industrial que vem sendo estruturado em Xangai. Inaugurado como o 1º polo nacional voltado exclusivamente à indústria da interface cérebro-computador, o Brain Intelligence Valley já reúne mais de 50 empresas do setor, número que representa cerca de 60% das empresas da área existentes em Xangai e aproximadamente 30% do total nacional.

    Segundo Gu Yaoqiang, presidente da Shanghai New Hongqiao International Medical Center Development Co., Ltd., além das empresas, o parque reúne incubadoras, centros de transformação clínica, plataformas de validação de conceitos e outras infraestruturas compartilhadas.

    “Com o amadurecimento da indústria, o foco passou a ser a oferta de serviços especializados e a construção de um ecossistema completo de inovação, e cada vez mais pessoas poderão sentir os benefícios trazidos pela inovação tecnológica”, observou.

    Este texto foi publicado originalmente pela Agência Xinhua, em 7 de setembro de 2026. O conteúdo é livre para republicação, citada a fonte, e foi adaptado para o padrão do Poder360.

    Publicado originalmente por Poder360. Leia a matéria completa em https://www.poder360.com.br/poder-china/interface-cerebro-computador-avanca-para-aplicacoes-clinicas-e-industriais/.

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    A tecnologia estabelece um canal direto de comunicação entre o cérebro humano e equipamentos externos por meio da aquisição, interpretação e transmissão de sinais neurais — Foto: Poder360

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