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    Inteligência Artificial pode ser usada para promover um envelhecimento saudável

    Assim como cidades nunca dormem, nosso organismo produz energia, transporta substâncias e renova estruturas sem interromper suas atividades. Toda essa movimentação, porém, gera pequenas "faíscas" químicas. Leia mais (10/07/2026 - 15h00)

    Folha de S.Paulo
    7 de outubro de 2026 às 18:00
    Inteligência Artificial pode ser usada para promover um envelhecimento saudável
    Foto: Folha de S.Paulo

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    Cientista do Nosso Estado da Faperj e professor-associado do departamento de química do Centro Técnico Científico, da PUC-Rio

    Tara Winstead/Pexels · Tara Winstead/Pexels
    Tara Winstead/Pexels · Tara Winstead/Pexels — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Graduanda em Engenharia Química na PUC-Rio

    Assim como cidades nunca dormem, nosso organismo produz energia, transporta substâncias e renova estruturas sem interromper suas atividades. Toda essa movimentação, porém, gera pequenas "faíscas" químicas.

    Moléculas reativas que, em excesso, podem danificar componentes das células. E, com isso, contribuir para o desgaste associado ao envelhecimento e a diferentes doenças.

    Centro de bem-estar oncológico
    Centro de bem-estar oncológico — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Para manter esse sistema em equilíbrio, o corpo conta com uma espécie de equipe permanente de manutenção. Essa equipe é formada por diferentes mecanismos antioxidantes.

    Entre seus integrantes menos perceptíveis estão os peptídeos antioxidantes. Esses peptídeos são pequenas sequências de aminoácidos que podem ser encontradas ou liberadas a partir das proteínas dos alimentos, ou obtidas por processos de síntese e design racional.

    Nos últimos anos, o tema vem despertando o interesse da Ciência pela capacidade de aplicações tanto na saúde como no envelhecimento.

    Aposentado de 81 anos faz atividade física diariamente em busca de longevidade e qualidade de vida
    Aposentado de 81 anos faz atividade física diariamente em busca de longevidade e qualidade de vida — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    No Laboratório de Sistemas Complexos, do Departamento de Química, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), publicamos um estudo na American Chemical Society. Nele, descrevemos o emprego da Inteligência Artificial Explicável para identificar, classificar e interpretar sequências de peptídeos com potencial atividade antioxidante.

    Alguns desses peptídeos apresentam propriedades antioxidantes e podem atuar sobre diferentes componentes dos processos oxidativos.

    A alimentação constitui uma fonte importante de peptídeos bioativos. As proteínas presentes nos alimentos são degradadas durante a digestão em fragmentos menores. Alguns desses fragmentos podem apresentar atividades biológicas de interesse.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Entretanto, nem toda proteína e nem todo peptídeo apresentam atividade antioxidante. Essa propriedade pode depender da sequência de aminoácidos, do tamanho do peptídeo, de suas características físico-químicas e de sua estrutura.

    Identificar quais sequências apresentam maior potencial antioxidante é, portanto, um desafio científico. E esse desafio envolve análise de uma enorme quantidade de possibilidades.

    Uma das limitações de muitos modelos de inteligência artificial é que eles podem apresentar excelentes resultados de previsão. Mas não deixam claras quais características dos dados foram responsáveis por determinada previsão.

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    A Inteligência Artificial Explicável busca superar esse problema. Ela permite investigar quais informações foram mais importantes para o modelo chegar a uma determinada previsão.

    No caso dos peptídeos antioxidantes, isso significa ir além de simplesmente responder se uma sequência apresenta ou não potencial antioxidante. Podemos investigar quais regiões e características da sequência contribuíram para essa classificação.

    Essa capacidade de interpretação é particularmente importante para a descoberta de novos compostos bioativos. Em vez de analisar experimentalmente, de maneira indiscriminada, um número extremamente grande de sequências, modelos computacionais podem auxiliar. E esse auxílio é na identificação e priorização de candidatos com maior potencial.

    Posteriormente, uma quantidade pequena desses candidatos precisa ser submetida a estudos experimentais que confirmem sua atividade, estabilidade, segurança e aplicabilidade.

    A combinação entre bioinformática, inteligência artificial e experimentação pode acelerar esse processo de descoberta. A Inteligência Artificial Explicável não substitui a investigação experimental. Além de gerar hipóteses e compreender quais características moleculares estão associadas a determinada atividade biológica, a IA oferece uma ferramenta poderosa para orientar a seleção de candidatos.

    Dessa forma, decifrar os peptídeos antioxidantes significa não apenas encontrar novas moléculas. É também compreender por que determinadas sequências apresentam propriedades de interesse.

    Essa integração entre química, biologia, bioinformática e inteligência artificial abre novas possibilidades para a descoberta racional de compostos bioativos. Além de perspectivas para o desenvolvimento futuro de estratégias voltadas à saúde, à nutrição e ao envelhecimento saudável.

    Acreditamos que os peptídeos antioxidantes representam uma classe promissora de moléculas bioativas, com possíveis aplicações em áreas como alimentos funcionais, nutracêuticos, cosméticos e desenvolvimento farmacêutico.

    Na oncologia, por exemplo, o interesse científico vai além do simples sequestro de espécies reativas de oxigênio. Vale destacar que o equilíbrio redox está relacionado a diferentes processos celulares envolvidos na progressão tumoral.

    Da mesma forma, a investigação dos mecanismos oxidativos pode contribuir para uma melhor compreensão de processos associados às doenças neurodegenerativas. Alzheimer e doença de Parkinson são dois exemplos.

    O envelhecimento é um processo biológico natural, acompanhado por alterações progressivas no funcionamento das células e dos tecidos. Entre os mecanismos associados a esse processo está o estresse oxidativo. Esse processo ocorre quando a produção de radicais livres supera a capacidade dos sistemas antioxidantes do organismo de mantê-los sob controle.

    Compreender como controlar essa reatividade oxidativa é uma questão relevante para a promoção de estratégias voltadas à saúde e ao envelhecimento saudável.

    É importante destacar que essas espécies reativas não são necessariamente prejudiciais: em níveis adequados, elas participam de processos fisiológicos importantes. O problema surge quando esse equilíbrio é rompido e a reatividade se torna excessiva.

    As espécies reativas podem interagir com moléculas essenciais para o funcionamento celular, como DNA, proteínas e lipídeos. E provocar alterações moleculares, comprometendo estruturas e processos biológicos.

    O DNA, por exemplo, contém as informações necessárias para a produção e o funcionamento adequado das células.

    Quando sofre danos oxidativos, podem ocorrer alterações. E essas alterações, se não forem adequadamente reparadas, contribuem para processos associados ao envelhecimento e ao desenvolvimento de diferentes doenças.

    No cérebro, esse equilíbrio é particularmente importante. O tecido nervoso apresenta elevada atividade metabólica e depende de mecanismos eficientes para controlar processos oxidativos.

    Como toda cidade que nunca dorme, o corpo aprende a conviver com seus próprios desequilíbrios. E é na arte silenciosa de sequestrar as espécies reativas por moléculas antioxidantes que se aprendem novas maneiras de um envelhecer mais saudável.

    Decifrar os peptídeos antioxidantes é, afinal, ouvir o que pequenas alterações no organismo têm a dizer sobre o tempo.

    Este texto foi publicado no The Conversation . Clique aqui para ler a versão original.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/equilibrio/2026/10/inteligencia-artificial-pode-ser-usada-para-promover-um-envelhecimento-saudavel.shtml.

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