Integrantes do Ministério da Justiça e da PF veem caráter político-eleitoral em crítica de Trump sobre PCC e CV
Integrantes do Ministério da Justiça e Segurança Pública e da Polícia Federal avaliam que a manifestação do governo Donald Trump , que acusa o Brasil de falhar no combate ao PCC (Primeiro Comando da Capital) e ao CV ( Comando Vermelho ), tem caráter político-eleitoral e afirmam não haver fato novo sobre o tema que justifique a declaração a poucas semanas das eleições presidenciais. Leia mais (09/16/2026 - 18h50)

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Integrantes do Ministério da Justiça e Segurança Pública e da Polícia Federal avaliam que a manifestação do governo Donald Trump , que acusa o Brasil de falhar no combate ao PCC (Primeiro Comando da Capital) e ao CV ( Comando Vermelho ), tem caráter político-eleitoral e afirmam não haver fato novo sobre o tema que justifique a declaração a poucas semanas das eleições presidenciais.

A avaliação ocorre após o governo americano afirmar nesta quarta-feira (16) que o Brasil "falhou em confrontar" as duas facções e que os grupos transformaram o país em um centro para o fluxo global de cocaína.
A pressão dos Estados Unidos pelo combate às organizações criminosas ocorre em meio à campanha presidencial brasileira e num contexto em que autoridades do governo Trump manifestaram apoio ao senador Flávio Bolsonaro ( PL ).
Em contraponto ao entendimento da gestão Trump, integrantes do governo Lula (PT) ouvidos pela Folha sob reserva citaram o investimento anunciado pelo Brasil para o enfrentamento ao crime organizado no valor de R$ 11 bilhões e operações recentes.

Nesta quarta-feira (16), frisaram eles, as Ficcos (Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado ), coordenadas pela Polícia Federal , deflagraram uma operação simultânea em 19 estados contra grupos investigados por tráfico de drogas e armas, lavagem de dinheiro, homicídios e outros crimes ligados a organizações criminosas.
Uma manifestação oficial do Brasil está sendo preparada pelo Planalto e pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Reservadamente, também veem a manifestação como parte de uma possível movimentação para novas sanções da Lei Magnitsky contra autoridades brasileiras, incluindo ministros do STF (Supremo Tribunal Federal).

A crítica do governo Trump aparece em um documento enviado pela Casa Branca ao Congresso americano na terça (15). No relatório, a gestão Trump identifica os países considerados grandes produtores de entorpecentes ou importantes rotas de narcotráfico e avalia os esforços de governos estrangeiros no combate às drogas.
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A menção ao Brasil representa uma mudança em relação ao relatório do ano passado, quando o país não foi citado. Em 2025, a Casa Branca concentrou suas críticas em países como México, China, Colômbia e Venezuela e tratou de forma mais ampla do uso de designações terroristas e sanções contra cartéis e outras organizações criminosas transnacionais.
Neste ano, embora o Brasil continue fora da lista oficial de grandes países produtores ou de trânsito de drogas e também não tenha recebido a classificação de governo que "falhou de forma demonstrável" em suas obrigações, passou a ser alvo de uma reprimenda nominal da Casa Branca.
A mudança ocorre em meio a uma escalada da pressão do governo Trump sobre as duas principais facções criminosas brasileiras.
Em maio, o secretário de Estado (cargo equivalente ao de ministro de Relações Exteriores), Marco Rubio, classificou PCC e Comando Vermelho como "Specially Designated Global Terrorists", ou terroristas globais especialmente designados . A decisão foi assinada em 28 de maio e publicada no início de junho.
A declaração acrescentou um novo capítulo à relação turbulenta entre Lula e Trump, marcada neste ano por tentativas de aproximação intercaladas com novos atritos.
Em maio, o brasileiro foi recebido pelo americano na Casa Branca em uma reunião de cerca de três horas, na qual os dois discutiram comércio, minerais críticos e combate ao crime organizado .
Poucas semanas depois, Flávio Bolsonaro (PL) se reuniu com o republicano e pediu que PCC e Comando Vermelho fossem classificados como organizações terroristas internacionais —medida adotada pelo Departamento de Estado no fim daquele mês e à qual o petista se opôs.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/09/integrantes-do-ministerio-da-justica-e-da-pf-veem-carater-politico-eleitoral-em-critica-de-trump-sobre-pcc-e-cv.shtml.

Ministro da Justiça, Wellington Cesar Lima, durante cerimônia de sanção de projeto de lei no Palácio do Planalto - Pedro Ladeira - 06.ago.2026/Folhapress · Pedro Ladeira - 06.ago.2026/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo
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