Inquérito das fake news, alvo de Fachin, mirou bolsonaristas e provocou prisões em 7 anos; relembre
Presidente da corte tirou Moraes da relatoria do caso, após série de polêmicas

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O inquérito das fake news, que teve o ministro Alexandre de Moraes como relator até esta quarta-feira (9), se tornou um dos símbolos do alargamento dos poderes do STF (Supremo Tribunal Federal) ao longo de seus sete anos de existência.

Nesta quarta, o presidente da corte, Edson Fachin, tirou Moraes da relatoria do caso.
O inquérito foi instaurado em março de 2019 pelo ministro Dias Toffoli de ofício e sem sorteio da relatoria. Toffoli era então presidente do tribunal. Sob o comando de Raquel Dodge, a PGR (Procuradoria-Geral da República) defendeu mais de uma vez que o inquérito fosse arquivado. Seu sucessor na Procuradoria, Augusto Aras , oscilou —chegou a defender o arquivamento, mas ao final apoiou a constitucionalidade do inquérito, ainda que com ressalvas.
O STF validou o inquérito, por 10 votos a 1, ao apreciar uma ação da Rede –o partido chegou a pedir que a ação fosse extinta, após mudança de ares sobre a investigação.

O inquérito foi aberto para apurar notícias fraudulentas, falsas comunicações de crime, denúncias caluniosas, ameaças e demais infrações caluniosas, difamatórias ou injuriosas contra o Supremo e seus ministros
Posteriormente também passou a constar como objeto: "a verificação da existência de esquemas de financiamento e divulgação em massa nas redes sociais", contra a independência do Judiciário e o Estado de Direito.
Ao longo dos últimos anos, uma série de operações policiais foi deflagrada por ordem de Moraes no inquérito e em seus desdobramentos.

Em fevereiro, por exemplo, Moraes determinou mandados de busca e apreensão contra suspeitos de participar de vazamento de dados da Receita Federal sobre integrantes do STF e seus parentes.
Também naquele mês o presidente da Unafisco (Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil) foi ouvido pela Polícia Federal, na condição de investigado no inquérito, após afirmar à imprensa que fiscalizar autoridades e seus parentes virou atividade de risco para funcionários da Receita.
Dias depois desses desdobramentos, a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) pediu ao STF o fim do inquérito das fake news e contestou a manutenção de investigações heterodoxas de "natureza perpétua" na corte. Criticou ainda o que chama de "elasticidade excessiva" do objeto da apuração.
Também neste ano, um jornalista do Maranhão foi alvo de mandados após publicar textos sobre o uso de um veículo funcional pelo ministro Flávio Dino, em inquérito aberto pela PF e distribuído a Moraes por suposta relação com o inquérito das fake news.
abr.19: Caso de censura à revista Crusoé
set.19: Busca e apreensão contra o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot
mai.20: Primeira operação de peso contra aliados de Bolsonaro, com 29 alvos
fev.21: Prisão em flagrante do então deputado bolsonarista Daniel Silveira
jun.22: Bloqueio de perfis do partido PCO nas redes sociais
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Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/09/inquerito-das-fake-news-alvo-de-fachin-mirou-bolsonaristas-e-provocou-prisoes-em-7-anos-relembre.shtml.

Os ministros Edson Fachin e Alexandre de Moraes, em 2025 - Pedro Ladeira - 29.set.25/Folhapress · Pedro Ladeira - 29.set.25/Folhapress — Foto: UOL
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