Infraestrutura sustenta expansão de transportadoras em cenário incerto
Em artigo à CNN Infra, Rony Neri comenta sobre como incerteza econômica impõe um paradoxo à logística brasileira

A incerteza econômica impõe um paradoxo à logística brasileira. Enquanto a volatilidade pressiona as margens e torna as decisões mais cautelosas, abre-se espaço para que operadores mais eficientes capturem fatias das empresas engessadas.
Mas o que as transportadoras que continuam crescendo têm em comum? A resposta é simples, já que para elas, expandir deixou de significar apenas colocar mais caminhões na rodovia. As empresas que avançam são as que olham para a produtividade dos ativos que já possuem e transformaram a segurança em uma alavanca direta de redução de custos.
A mudança começa pela transição de uma gestão reativa para uma gestão preventiva e orientada a dados. Administrar esperando o fechamento do mês para descobrir que determinada rota teve consumo excessivo de combustível ou eventos de risco é o mesmo que dirigir olhando pelo retrovisor. O uso inteligente de videotelemetria aplicada aos dados, permite que essas transportadoras identifiquem os desvios em tempo real e atuem antes que o problema vire prejuízo no caixa. O ganho está diretamente ligado à transformação de dados em decisões que mudam rapidamente o resultado.

Na prática, a segurança gera economia imediata porque os comportamentos que causam acidentes são exatamente os mesmos que elevam o custo operacional. Excesso de velocidade, acelerações agressivas, frenagens bruscas e condução fora da faixa ideal de rotação aceleram o consumo de diesel e provocam o desgaste prematuro de pneus, freios e componentes mecânicos.
Quando a tecnologia ajuda a corrigir esses hábitos durante a operação, o impacto aparece diretamente no custo por quilômetro. Na gestão de frotas pesadas, estudos técnicos e projetos de videotelemetria apontam que a transição de uma condução agressiva para uma condução mais econômica e preventiva pode reduzir entre 5% e 12% o consumo de diesel. Isso sem considerar a prevenção de perdas ainda mais relevantes, como as provocadas por acidentes graves, que podem retirar veículos da operação, comprometer cargas e afetar todo o planejamento logístico e financeiro. [Text Wrapping Break]
Em períodos de orçamento pressionado, um dos reflexos mais comuns é buscar cortes imediatos, mas reduzir a manutenção ou treinamento de forma indiscriminada pode gerar uma falsa economia no papel e um prejuízo gigantesco na estrada.
É justamente nesses cenários que os dados permitem trocar o corte imediato pela eliminação cirúrgica do desperdício. Mapeando a ociosidade, o tempo de espera em pátios e a circulação de veículos vazios, o gestor percebe que uma frota menor, mas com alta disponibilidade e roteirização inteligente, consegue entregar o mesmo volume por um custo muito menor.
Vencer a resistência de investir em tecnologia durante períodos de volatilidade exige mudar a perspectiva uma vez que a tecnologia não é custo extra, é proteção de margem. A transportadora não define o preço do combustível, a taxa de juros ou as condições da rodovia, ampliar o controle sobre as variáveis internas da operação se torna ainda mais relevante . A tecnologia passa, então, a ser uma ferramenta para proteger margem, aumentar previsibilidade e reduzir exposição a riscos.
Mas é importante sempre lembrar de que a tecnologia não trabalha sozinha. Ela só entrega valor quando se desdobra em gestão ativa e no desenvolvimento contínuo dos motoristas.
No fim, proteger a margem não significa apenas gastar menos. Significa reduzir desperdícios, antecipar riscos e usar melhor os recursos disponíveis. Em um setor no qual boa parte das variáveis externas está fora do controle das empresas, é essa capacidade de agir sobre aquilo que pode ser gerenciado que torna a operação mais preparada para crescer, inclusive em tempos incertos.
Rony Neri é diretor-executivo da Platform Science na América Latina*
Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/infra/infraestrutura-sustenta-expansao-de-transportadoras-em-cenario-incerto/.

Van da FedEx em Carson, Califórnia • 16/9/2022 REUTERS/Bing Guan · • 16/9/2022 REUTERS/Bing Guan — Foto: CNN Brasil
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